Pessoas com autismo costumam ter dificuldades em encontrar emprego, mas algumas empresas de tecnologia decidiram criar oportunidades para elas, incluindo a SAP e a Microsoft.

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Uma reportagem da Fast Company explica por que a Microsoft abriu um programa para contratar especificamente pessoas autistas, e os bons resultados que isso vem trazendo.

O autismo é considerado um distúrbio do cérebro que afeta a forma como as pessoas processam e transmitem informações. Ele engloba uma série de sintomas, indo da mudez até a síndrome de Asperger.

Segundo a agência americana CDC (Centros de Controle e Prevenção de Doenças), cerca de metade das crianças autistas têm capacidade intelectual média ou acima da média geral.

As executivas Mary Ellen Smith e Jenny Lay-Flurrie, da Microsoft, argumentam que pessoas com autismo podem ter qualidades adequadas para empregos em tecnologia, tais como ser detalhista e metódico.

Marissa Mayer, Mark Zuckerberg e Bill Gates têm traços de comportamento que indicam síndrome de Asperger. A Vanity Fair já chegou a dizer que, no Vale do Silício, “ter síndrome de Asperger quase se tornou uma insígnia de honra”.

Funcionários da Microsoft entendem os desafios do autismo porque alguns têm filhos com necessidades especiais – é o caso até mesmo do CEO Satya Nadella. E o projeto serve para expandir a ideia de diversidade, trazendo perspectivas mais variadas para a empresa.

Há um aspecto ainda maior nos EUA: uma em cada 10.000 crianças foi diagnosticada no espectro autista na década de 1980, e essas pessoas já têm idade suficiente para entrar na força de trabalho. Ao longo das décadas, os médicos passaram a diagnosticar melhor o autismo; uma em cada 68 crianças estava nesse espectro em 2012 – e as empresas deveriam se preparar desde já.

O programa da Microsoft consiste em trazer pessoas autistas para trabalhar imediatamente em projetos ao longo de duas semanas. Após essa fase, depois de serem observados por gerentes de projeto, eles são entrevistados. (Começar pela entrevista, como em processos tradicionais de contratação, deixaria os candidatos desconfortáveis.)

Neil Barnett, diretor de contratação inclusiva e acessibilidade, diz que é difícil divulgar as vagas da Microsoft específicas para autistas. Por isso, é complicado preencher todas elas: “na sessão de contratação de abril, embora 13 vagas estivessem abertas, apenas cinco candidatos tinham as qualificações elevadas para o trabalho”.

A Fast Company conta a história de Blake Adickman, formado em tecnologia da informação, um dos participantes do programa para autistas. Ele gostou da receptividade, do salário acima da média, e se encaixou bem – mas enfrentou alguns desafios:

… ele tinha uma sensação persistente de que não pertencia àquele lugar. Ele disse ao mentor de sua equipe, Dana Brash, que não se sentia qualificado. “Eu sinto como se tivesse trapaceado para chegar até aqui”, admitiu. “Não”, disse Brash. “A Microsoft não contrata pessoas como casos de caridade. Você pertence a este lugar.”

Mas, no geral, tudo parece estar correndo bem:

Funcionários autistas me dizem que se sentem melhor na Microsoft do que em empregos anteriores, porque sabem que terão auxílio ao pedir acomodações, têm pessoas que podem ajudá-los a navegar por situações sociais, e não têm que esconder suas peculiaridades. Até agora, todos aqueles contratados através do novo programa tiveram desempenho esperado ou acima das expectativas. Nenhum deles deixou a Microsoft.

Leia a reportagem completa aqui: [Fast Company]

Foto por Jeff Chiu/AP