Ao longo de um período de seis anos, a Microsoft manteve apenas uma de 118 queixas de discriminação de gênero que recebeu de funcionárias mulheres, de acordo com documentos judiciais, segundo noticiou a Reuters nesta terça-feira (13). No total, a empresa recebeu 238 queixas de discriminação ou assédio sexual entre 2010 e 2016, dizem os documentos.

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A Microsoft está sendo processada por várias ex-funcionárias que alegam que a empresa rotineiramente atravancou mulheres em sua força de trabalho ao negar-lhes aumentos e promoções. As funcionárias estão buscando status de ação judicial coletiva e, se receberem-no, o caso poderia incluir milhares de engenheiras norte-americanas da Microsoft.

A Microsoft não é a única empresa de tecnologia a ser acusada de discriminação salarial — o Google está, atualmente, enfrentando um processo parecido.

A empresa negou envolvimento em discriminação salarial e apontou em documentos judiciais que gasta US$ 55 milhões todos os anos em esforços de diversidade e inclusão. Segundo seu relatório de diversidade mais recente, a força de trabalho da Microsoft era composta por aproximadamente 26% de mulheres (em comparação com 31% no Google e 32% na Apple). A gigante de softwares também alega que suas funcionárias ganham salários iguais aos de seus funcionários homens. “Hoje, para cada US$ 1 recebido pelos homens, nossas funcionárias mulheres ganham US$ 1 no mesmo cargo e nível”, diz a empresa.

Os advogados das demandantes no caso da Microsoft disseram que a resposta investigativa da empresa às reclamações de discriminação era “imprecisa” e que o número puro de queixas era “chocante”.

“Diversidade e inclusão são criticamente importantes para a Microsoft. Queremos que os funcionários se posicionem se tiverem preocupações, e nos esforçamos para facilitar isso para eles. Levamos a série todas as preocupações dos funcionários e temos um sistema justo e robusto para investigar as preocupações dos funcionários e tomar as medidas apropriadas quando necessário”, disse um porta-voz da Microsoft.

Maioria das empresas não divulga estatísticas internas sobre queixas de assédio e discriminação, então é difícil comparar os números da Microsoft com o de outras companhias. Uma investigação sobre assédio e discriminação no Uber, induzida pelas revelações sobre a cultura corporativa da companhia feitas por Susan Fowler, ex-engenheira da empresa, descobriu 54 queixas de discriminação e 47 de assédio sexual. O Uber tem mais de 12 mil funcionários, enquanto a Microsoft emprega 74 mil pessoas só nos Estados Unidos.

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