O estalinho ao mascar um chiclete. O barulho ao tomar sopa… Se você é como eu e tem misofonia, esses sons são mais do que meramente irritantes – eles nos deixam com muita raiva. Ficar preso num lugar cheio de gente que faz esses barulhos é o suficiente para fazer com queiramos ir embora o mais rápido possível ou botar fogo em tudo.

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E com muita frequência, pessoas com misofonia – que literalmente significa “ódio ao som” – são rotuladas como dramáticas. Mas uma nova pesquisa sugere que nós não estamos inventando isso – existe uma base neurológica para nossa raiva.

Uma equipe de cientistas da Universidade de Newcastle no Reino Unido estudou reações para diferentes sons entre 42 pessoas – 20 com misofonia e 22 sem. O grupo tocou diferentes ruídos para os participantes enquanto eles utilizavam um scanner de imagem por ressonância magnética, e a cada vez iam aumentando o nível de “irritabilidade” dos sons.

Figure_1_CurrentBiologyImagem: Current Biology

Enquanto as pessoas que não tinham misofonia se sentiram incomodadas por sons como bebês chorando, apenas aqueles com o distúrbio mostraram reações profundas para barulhos como o da mastigação e da respiração. As descobertas dos pesquisadores foram publicadas na Current Biology.

Os cientistas descobriram que os cérebros dos misofônicos foram ativados de formas diferentes daqueles que não se incomodavam com os sons. Os exames indicaram que os misofônicos ficavam com o córtex insular anterior extremamente ativo. Essa área do cérebro está associada com emoções. Essa região dos pacientes estavam conectadas a outras partes do cérebro de maneiras completamente diferentes em relação as pessoas não-misofônicas.

“Os sons de desencadeamento nos misofônicos foram associados à conectividade funcional anormal entre o córtex insular anterior e uma rede de regiões responsáveis pelo processamento e regulação das emoções, incluindo o córtex pré-frontal ventromedial, o córtex póstero-medial, o hipocampo e a amígdala”, escreveram os pesquisadores.

Os sons de desencadeamento impactam misofônicos de outras maneiras, também. Quando essas pessoas eram expostas a alguns barulhos como mastigação e respiração, o ritmo do coração e a resposta galvânica da pele – que é uma resposta emocional e faz as mãos suarem – aumentaram.

Ou seja, quando nos irritamos com os barulhinhos e pedimos para as pessoas pararem, não estamos exagerando.

Os pesquisadores esperam que com esses resultados eles consigam começar a desenvolver algum tipo de tratamento para o problema.

[Current Biology]

Imagem do topo: Pixabay