O interior dos três reatores da usina de Fukushima estão uma bagunça. São centenas de toneladas de materiais radioativos, como urânio, plutônio e césio. E tudo isso precisa ser tirado de lá, mas é tão perigoso que os trabalhadores não podem sequer chegar perto, muito menos entrar lá.

Mas a tecnologia está vindo ao resgate na forma de partículas chamadas múons e com ajuda de algumas obscuras leis da física. Como as paredes de aço e concreto têm vários metros de espessura, a tecnologia tradicional de raio-x não vai funcionar.

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Mas os múons poderão fazer o trabalho. Eles são partículas subatômicas que são cerca de 200 vezes mais pesadas que os elétrons. Os múons estão constantemente caindo na Terra — e passando através dela porque eles são tirados de moléculas da atmosfera pela radiação cósmica. Mas como essas coisinhas vão nos ajudar a ver dentro de lugares aos quais não temos acesso? Bom, nós temos que assistir à maneira como elas se movem.

O Laboratório Nacional Los Alamos e a Toshiba estão dando os toques finais a um dispositivo de imagem movido a múons que eles acreditam ser capaz de ver dentro de reatores sem colocar operários em risco ou causar novos vazamentos. A tecnologia basicamente detecta múons que vão de um lado para o outro do reator e verifica se eles esbarraram em quaisquer átomos e foram desviados do seu caminho. Ao longo do tempo, isso ajudará a mapear o interior dos reatores.

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Soa um pouco confuso, mas lembre-se, envolve um pouco de física obscura. O The New York Times descreve o dispositivo com clareza:

O aparelho, que já foi testado em um pequeno reator intacto, é composto por dois detectores com o tamanho de um quadro de avisos, posicionados em lados opostos da instalação. Cada um dos detectores é como um conjunto de tubos de um órgão de uma igreja, com cada tubo sendo preenchido por gases inertes, incluindo argônio, que indica quando é atingido por um múon.

Tecnologia parecida já é usada para checar contêineres de materiais radioativos que entram nos EUA. A chamada tomografia múon também foi usada para analisar o interior das Grandes Pirâmides do Egito na década de 1960. Se será ou não a salvação para Fukushima, ainda não sabemos. Mas certamente é melhor do que alternativas, já que não envolve mortes. Falta agora eles conseguirem fazer aquele muro de gelo congelar[NYT]