De acordo com aquele filme de 2010, Justin Timberlake persuadiu Mark Zuckerberg a tirar da empresa seu colega de faculdade (e cofundador do Facebook) Eduardo Saverin. Este aqui é o cruel email por trás daquela cena do longa.

O Business Insider teve acesso aos emails trocados entre Zuckerberg e seu advogado de uma “fonte bem posicionada”, nos quais eles discutem o pé na bunda sem cerimônia em Saverin da empresa que ele ajudou a criar — e que terá seu IPO nesta sexta em um valor estimado de US$ 100 bilhões. A mensagem crucial de Zuck é a que segue abaixo:

“[Advogado],

Este email deveria ser uma conversa entre advogado-cliente, porém não estou muito certo sobre como fazer isso.

De qualquer forma, Sean e eu concordamos que o preço de meio centavo por ação é a melhor opção no momento. Achamos que podemos justificá-lo e, se não, cuidaremos disso depois.

Também concordamos que se a empresa nos bonificar, o tanto de ações de que precisamos mais impostos é uma boa saída para o caso de todos ficarmos completamente quebrados.

No que diz respeito ao Eduardo, acredito ser seguro pedir sua autorização para fazer subscrições. Especialmente se fizermos isso em conjunto com aportes em dinheiro. Provavelmente é OK dizer quantas ações estamos adicionando. Provavelmente é menos OK dizer a ele quem ganhará as ações, apenas porque ele talvez tenha uma reação inicial adversa. Mas acho que nós talvez até consigamos fazê-lo entender.

Existe alguma forma de fazer isso sem deixar dolorosamente evidente a ele que ele será diluído a 10%?

OK, por ora é isso. Enviarei a você a lista de subscrições de que preciso em outro email logo em seguida. Sean enviará os subscrições para o pessoal dele assim que parar de tossir os pulmões para fora.

Espero que vocês se sintam melhor,
Mark.”

Ênfase adicionada. Zuckerberg claramente sabia o que estava fazendo — transformando a participação de Saverin na empresa em uma microscópica emitindo uma quantidade enorme de novas ações que fariam a cota de Saverin perder muito valor e eliminando seu controle parcial sobre o Facebook. Foi um dos golpes mais infames da história da tecnologia.

Saverin, claro, teve a “reação inicial adversa” ao despejo sofrido e processou o Facebook, uma retaliação legal que lhe devolveu uma pequena parte da empresa que em breve valerá algo próximo de US$ 5 bilhões — o bastante para fazê-lo renunciar à cidadania norte-americana (e livrar-se dos impostos obrigatórios) e continuar vivendo em Cingapura. É difícil ter simpatia por qualquer dos envolvidos nisso aqui. Não há vítimas bilionárias. [Business Insider]