Não seria uma ótima ideia ter um só documento que servisse como RG, CPF, carteira de habilitação, título de eleitor e carteira de trabalho? O Brasil quer implementar o RIC (Registro de Identidade Civil) desde janeiro de 2009, mas parece que agora vai: o novo documento será emitido em alguns estados a partir de outubro, e em até dez anos todo mundo terá um. Só que tem gente preocupada com o RIC.

O RIC é diferente do RG não só por reunir vários documentos em um só, mas por unificar a numeração e a emissão da carteira de identidade, que agora será um cartão com chip.

A substituição da pletora de documentos que levamos na carteira pelo RIC será feita aos poucos, começando com um projeto piloto em um estado de cada região brasileira — os estados a receberem o RIC primeiro ainda serão para serem definidos. Em dez anos, cerca de 150 milhões de brasileiros devem ter o novo documento. Enquanto isso, tanto o RG como o RIC serão aceitos.

Menos papeis e comprovantes para guardar (coisas que só usamos ao tirar um passaporte) parece ótimo. Mas há gente que não gosta da ideia. A Sandra Carvalho da Exame, por exemplo, está receosa com o novo documento: para ela, o motivo principal de criar um registro único é combater a criminalidade — hoje, é possível ter uma ficha criminal enorme em um estado, associada a um RG, depois chegar em outro estado com a ficha limpa. Ora, se este é o caso, para que enfiar, por exemplo, o título de eleitor nesse documento? Para o governo ter um "banco de dados que daria orgulho a qualquer big brother", se pergunta a colunista. Para a Sandra, o RIC seria um avanço na segurança, mas um retrocesso na privacidade.

A meu ver, a grande ideia do RIC não está no combate à criminalidade: está na conveniência. Faz todo o sentido reunir nossos diferentes documentos de identificação em um só lugar. Além disso, não vejo como isso pode afetar nossa privacidade: o governo já sabe quantos pontos você tem na CNH ou se você votou na última eleição — a diferença é que agora haverá um só cadastro, em vez de vários bancos de dados separados. A gente tem é que se preocupar quando o governo começar a implantar microchips na gente, como fazem hoje com animais! [Folha via Exame]