Ame ou odeie, o 1º de abril é bem suave no século 21. Krispy Kreme diz que vai mudar seu nome para Krispy Cream, e isso supostamente é uma pegadinha. Então todo mundo vira os olhos e seguimos com nossas vidas. Mas lá no século 19, o 1º de abril era pesado.

As pegadinhas de 1º de abril no século 19 eram terrivelmente sem graça ou realmente perigosas. Parece que não havia meio termo. De acordo com várias histórias que eu coletei de arquivos de jornais online, algumas pessoas literalmente morreram com as pegadinhas.

Em 2015, eu fiz uma seleção de terríveis piadas de 1ºde abril do século 19. Incluía histórias de pessoas sendo mutiladas, sendo desnecessariamente cruéis com suas esposas, e, sim, pessoas até morreram. Nessa tradição, nós temos uma nova rodada de histórias hoje.

Algumas dessas pegadinhas do século 19 são horrendas, enquanto outras são inofensivas ao ponto do absurdo. Mas elas todas são esquisitas. O passado é um país estrangeiro. E, depois de ler essas histórias bizarras de 1º de abril, provavelmente o passado vai se revelar um país que você não gostaria de visitar.

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Trecho de um artigo de 2 de abril de 1892 do jornal Oshkosh Northwestern, em Oshkosh, Wisconsin (Newspapers.com)

Quando um bebê morto precisa ser fotografado, mas na verdade não tem nenhum bebê morto

A pegadinha mais cômica delas foi pregada em um fotógrafo empregado por Tobias Luck. O Sr. Luck e William Spikes fizeram a piada juntos. Foi à tarde. O Sr. Spikes entrou correndo no estúdio do Sr. Luck com a informação de que um bebê havia morrido na Main Street e que seus pais queriam que ele fosse fotografado. Será que o Sr. Luck faria o trabalho? O Sr. Luck não podia e, então, enviou seu funcionário. O homem preparou sua câmera e outros dispositivos necessários e andou na direção norte, cerca de seis quarteirões. Ele achou o número, mas nenhum bebê morto, e foi só ao retornar ao estúdio que ele se lembrou da data e entendeu a pegadinha.

[2 de abril, 1892 – Oshkosh Northwestern em Wisconsin]

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Trecho de um artigo de 5 de abril, 1886 do jornal Atlanta Constitution (Newspapers.com)

Quando você mente para um médico sobre alguém estar machucado, e o médico esfaqueia e mata você

O jovem Sr. Tom Rogers, em Kaufman, Texas, estava louco para conseguir uma pegadinha de 1º de abril de primeira. Ele foi até o consultório do Dr. Mosley e escreveu um pedido para o médico viajar cinco quilômetros para ver uma jovem mulher que estava seriamente doente. É claro que o doutor não suspeitou de nada quando viu o pedido. Nunca ele imaginou que alguém o enganaria com algo tão sério. Ele pegou seu cavalo para encontrar a paciente apenas para descobrir que ele tinha sido vítima de uma cruel brincadeira. Quando ele voltou para Kaufman, estava louco de raiva. Ele se certificou de que tinha sido Rogers o responsável pela piada e, ao encontrar com o jovem, prontamente o atacou com uma faca. O doutor estava furioso e não mostrou piedade. Ele esfaqueou Rogers repetidamente na cara, pescoço e torso e não parou até que tivesse causado diversos ferimentos fatais.

Tal carnificina não se justifica com essa provocação, mas Rogers chamou esse castigo para si. Sua piada idiota foi bem calculada para provocar a ira, e o homem que sem motivo causa a ira de seus vizinhos deve encarar as consequências. Se Kaufman pudesse se livrar de todos esses piadistas de 1º de abril, a comunidade estaria bem melhor das pernas.

[5 de abril, 1886 – Atlanta Constitution em Georgia]

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Trecho de um artigo de 8 de abril de 1897, do jornal Concord Times na Carolina do Norte (Newspapers.com)

Quando um grupo de jovens mulheres visitam a cidade sem serem escoltadas, o que em si é uma piada de alguma forma

Dezoito das jovens garotas que frequentam o Instituto Lucy Cobb serão mandadas de volta para casa por causa de uma escapadela que aconteceu essa manhã, logo antes do café da manhã do instituto. Essas garotas fugiram pelos jardins do instituto e foram até o centro da cidade. Algumas estavam com seus chapéus, e outras, com a cabeça descoberta. Todas elas certamente buscando diversão. Enquanto andavam pelas ruas, ficaram falando alto e conversando. Então, elas entraram no café Gilleland’s e pediram coco-colas. Elas então deixaram o atendente com uma piada de 1º de abril em mãos. Na loja Williamson’s, elas entraram e conversaram, e o atendente trancou a porta nelas. Depois de um tempo elas saíram para as ruas e andaram bastante pela cidade. Então elas pegaram uma carona.

A Sra. Lipscomb, diretora do instituto, disse que quando ela descobriu a ausência das garotas nas aulas, não enviou ninguém atrás delas, mas se sentou e escreveu cartas para seus pais, pedindo para eles tirarem as senhoritas do instituto imediatamente.

Essas cartas serão enviadas essa tarde. A Sra. Lipscomb ficou muito incomodada com o incidente e disse que foi a primeira violação da disciplina de natureza tão séria na história do instituto.

Ela ficou muito sentida em relação às garotas envolvidas e lastimava muito que tal coisa tivesse acontecido, mas já que aconteceu, não havia outra opção para ela para manter a dignidade do instituto Lucy Cobb, e essa foi a de pedir a retirada das garotas do instituto.

[8 de abril, 1897 – Concord Times em North Carolina]

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Trecho de um artigo de 19 de junho de 1879, jornal Pulaski Citizen em Tennessee (Newspapers.com)

Quando você se casa e desiste dois meses depois dizendo que era uma pegadinha de 1º de abril

Um caso bem interessante de rompimento de um casamento e fraude apareceu hoje na Circuit Court Friday. O caso começou dois anos atrás, colocando a Srta. Jane Elliot contra Jack Allen. Em abril de 1877, aconteceu o casamento de mentira de Jack Allen, como Allen relatou, em 1º de abril, mas parece que Jack manteve a brincadeira por tempo de mais e não enganou o juiz de paz, como veremos na sequência.

No dia seguinte, no entanto, Jack encontrou com o juiz Orgain, e eles foram até o escritório juntos para anunciar o casamento. Ambos estavam com um humor alegre, e Jack parecia estar muito feliz. O tio Griffin disse que Jack deveria pagar US$ 5 pela cerimônia. Jack disse não; que sua esposa pagaria a conta. Mais tarde no dia, Jack disse ao ‘Juiz que ele não estava casado; que era apenas uma piada de 1º de abril para enganá-lo; e que a certidão, como ele veria ao examinar, era falsa. “Por Deus”, retrucou o tio Grif., “você não pode me enganar; eu sou um oficial da lei e não devo ser levado na brincadeira. Eu realizei a cerimônia de boa fé, sob a solene autoridade da lei e, por Deus, ela vai permanecer”. E parece que “permaneceu” pelo testemunho, por cerca de seis a oito semanas, quando Jack Allen aprontou outra e se casou com outra mulher, e a Srta. Elliot o processou por US$ 5.000 em danos. Houve um jogo legal hábil de ambos os lados, uma disputa de humor e inteligência entre os advogados. O júri, depois de ouvir o Juiz Stark, se recolheu durante alguns minutos e trouxe o veredito, no qual o acusado deveria dar US$ 2.500 em danos, o bastante para cobrir toda a propriedade de Jack Allen.

Moral—Jovens, façam qualquer tipo de pegadinhas e piadas, mas não engane uma mulher em casamento no 1º de abril. Essa brincadeira custou US$ 2.500 para Jack Allen, e o Juiz Smith, Arthur Munford e o Juiz Rice não podem tirar você dessa. Você pode enganar uma mulher de quase qualquer outra forma, mas nunca faça uma pegadinha de 1º de abril com ela.

[ 19 de junho, 1879 – Pulaski Citizen em Tennessee]

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Trecho de um artigo de 11 de abril, 1896 do Weekly Sun de Wisconsin (Newspapers.com)

Quando você literalmente mata a sua esposa de susto

Perto de Nashville, John Ahrens, um fazendeiro, planejou uma piada de 1º de abril para cima de sua esposa com resultados desastrosos. Ele se fantasiou de vagabundo, colocou uma máscara branca sobre seu rosto e bateu à porta. Quando ela apareceu, ele a mandou fazer o jantar para ele. Para seu horror, sua esposa caiu no chão desmaiada e morreu uma hora depois. Ahrens estava casado há apenas alguns meses e idolatrava sua esposa. Sua morte o enlouqueceu de tristeza e remorso, e ele ameaça tirar sua própria vida.

[11 de abril, 1896 – Weekly Sun em Wisconsin]

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Trecho de um artigo de 2 de abril, 1892 edição do Oshkosh Northwestern em Wisconsin (Newspapers.com)

Quando uma mulher solteira tem um breve momento de esperança de que ela não vai mais estar confinada em uma vida de desespero miserável que acontecia com as mulheres no século XIX por causa da imensa opressão do patriarcado

Nas primeiras horas em Oshkosh, a velha olhava por cima de seus óculos dourados com seu sorriso incomum. O dia inteiro ela estava feliz, pois havia recebido um bilhete na noite anterior dizendo que seu amigo, o Sr. Bachelor [Sr. Solteiro em inglês], a chamaria na noite seguinte. Ela observou e esperou. ‘Foi um truque cruel, mas verdadeiro demais, e quando o relógio bateu às nove a esperança da velha senhora despencou quando ela percebeu olhando para o calendário que se tratava de 1º de abril. Então o jovem garoto da casa, seu sobrinho, foi severamente repreendido e confessou. As esperanças da velha donzela mais uma vez foram devastadas, e o tempo seguiu em seu curso incessante.

[2 de abril, 1892 – Oshkosh Northwestern em Wisconsin]

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Trecho de um artigo de 2 de abril, 1892 edição do jornal Oshkosh Northwestern em Wisconsin (Newspapers.com)

Quando você quebra o dente dos seus hóspedes ao colocar coisas duras na comida dele

Uma senhora que mantém uma pensão na rua H. pregou uma peça em seus hóspedes no café da manhã. Pimenta caiena foi livremente misturada com café, e pequenos pedaços de chita foram colocados no meio da massa das panquecas. Sete dos hóspedes foram consultar um dentista e dizem que a dona da pensão ganha uma porcentagem dos lucros no acordo.

[2 de abril, 1892 – Oshkosh Northwestern em Wisconsin]

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Trecho de um artigo de 3 de abril de 1884 do jornal Sterling Standard de Illinois (Newspapers.com)

Quando você coloca uma máscara, e os meninos não sabem quem você é

A turma de graduação do S.W.H.S. fez uma festa na casa da Srta. Alice Dummer na noite passada, chamando-a de “Festa de 1º de abril”. As garotas usaram fantasias e máscaras e declararam que os garotos não conseguiam descobrir através dos disfarces quem eram seus pares, então eles se divertiram muito.

[3 de abril, 1884 – Sterling Standard em Illinois]

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Trecho de um artigo de 2 de abril de 1892, do jornal San Francisco Call na Califórnia (Newspapers.com)

Quando você fala para um cliente que ele tem purê de batata em sua manga e você acha isso tão hilário que estoura um vaso sanguíneo

Mas uma das melhores piadas foi de um garçom do restaurante Barbary Coast—um daqueles lugares que os garçons chegam com os braços cheios de pratos e lançam eles na mesa como um crupiê dando as cartas em um jogo de poker.

Ela foi tão original e humor do melhor nível, essa piada, que o garçom está destinado a virar um dos grandes prematuramente, se ele sobreviver tanto. A ideia surgiu nele como uma inspiração, e ele escolheu sua vítima na figura de um homem de meia-idade com bigodes que estava comendo em uma das mesas.

“Com licença”, disse o garçom, fracamente tentando conter seu riso, “mas tem um pouco de purê de batata na sua manga”.

O homem olhou e imediatamente viu que ele tinha sido enganado da maneira mais cruel, humilhante e intensamente ridícula possível, enquanto o garçom entrou em um acesso de riso. Ele finalmente caiu convulsionando e teve que ser carregado para a cozinha, onde ele se recuperou parcialmente apenas para voltar e romper um vaso sanguíneo. Esse terrível acidente fez ele ser mandado de volta para casa, e o chefe teve que contratar outro homem para servir a comida.

[2 de abril de 1892 – San Francisco Call na Califórnia]