O Google liberou uma atualização no canal Dev do Chrome OS bem… diferente. Sai a ideia de um navegador para todas as nossas tarefas, entram elementos mais amigáveis e reconhecíveis de sistemas operacionais tradicionais, como janelas e uma barra de tarefas. Longe da proposta original, seria a nova versão do Chrome OS uma admissão de derrota?

O Chrome OS foi lançado no final de 2010 com uma abordagem agressiva: tudo o que você precisa pode deve ser feito em um navegador. Ele não tinha gerenciador de janelas, nem barra de tarefas, nem qualquer outro elemento lugar comum em sistemas para desktops. Tudo muda com a versão apresentada hoje.

O novo Chrome OS (futura versão 19) se afasta das origens e traz um gerenciador de janelas, o Aura, com aceleração via hardware e um framework que servirá de base para futuros desenvolvimentos na plataforma. Embora os web apps continuem sendo o único tipo de aplicação “instalável”, agora quando abertos eles ficam organizados em uma barra de tarefas parecida com a do Windows, mas chamada pelo Google de Prateleira. Para abrir apps, entra em cena um Launchpad-like, similar à (subutilizada) solução introduzida pela Apple no Lion.

Janelas no Chrome OS.

A coisa mais bacana desse novo Chrome OS parece ser mesmo o Aura. Com aceleração via hardware, além da renovação no visual, ele traz ainda suporte a novos formatos de arquivos, player de vídeo e áudio nativos aperfeiçoados, efeitos visuais e animações de transição e melhor uso de múltiplos monitores (alterne-os com Ctrl + F5). Como nem tudo são flores, má notícia para os early adopters que descolaram um CR-48, o estiloso netbook-referência do Google para o Chrome OS: a nova build é incompatível com o dispositivo. Para rodá-la, só nos Chromebooks Acer AC700 e Samsung Series 5.

Embora continue até certo ponto fiel à sua ideia original, essa revitalização do Chrome OS dá o braço a torcer em aspectos que, no passado, o Google julgou dispensáveis e que, desde sempre, são partes importantes de sistemas operacionais completos. É bom vê-lo progredir e não ser “engolido” pelo Android, mas mesmo com tantas melhorias, a dúvida fundamental permanece: há espaço para os dois sob as asas do Google? [The Verge, TechCrunch]