Quando cientistas descobriram um planeta semelhante à Terra orbitando nossa estrela mais próxima, o Proxima Centauri b, o Gizmodo escreveu que essa poderia ser a descoberta do século. Porém, nesta quarta-feira (15), cientistas anunciaram que um novo exoplaneta a apenas 11 anos-luz de distância poderia ser ainda mais importante.

Uma equipe de cientistas europeus deu o nome de “Ross 128” ao planeta em homenagem à estrela que ele orbita, a Ross 128. Ele tem uma massa projetada de 1,35 vez a da Terra e pode até mesmo ter temperaturas de superfície confortáveis. Os cientistas ainda não o descreveram como habitável, mas a observação é promissora.

“Isso é mais empolgante do que o Proxima Centauri b”, disse Emily Rice, pesquisadora associada de astrofísica no Museu Americano de História Natural, em entrevista ao Gizmodo. “A estrela é mais quieta e menos ativa… vai ser mais fácil de se caracterizar do que o Proxima b.”

Os pesquisadores fizeram 157 observações do Ross 128 com o espectrógrafo HARPS, ou, como chama o European Southern Observatory, “o caçador de planetas da astronomia de solo” no deserto chileno. O planeta não transita e nem passa em frente à sua estrela a partir de nosso ponto de vista, então o HARPS precisa medir velocidades baseado no espectro de luz observada. Desta vez, o instrumento detectou o planeta com uma órbita de 9,9 dias, cerca de 20 vezes mais próximo de sua estrela do que a Terra está do Sol.

Existem várias razões para ter esperança em relação ao Ross 128 b. A menos ativa estrela Ross 128 poderia facilitar o estudo do Ross 128 b em comparação com o Proxima Centauri b. O planeta pode ter até -60ºC de temperatura, mas pode chegar a 20,5ºC, dependendo de suposições de quanta luz ele reflete. A ampla gama de temperatura significa que os cientistas ainda não o chamarão de um planeta “habitável”. “Provavelmente, é preferível referir-se ao Ross 128 b como um planeta temperado”, escrevem os autores no estudo publicado nesta quarta-feira na Astronomy & Astrophysics.

Outros pesquisadores acharam as observações convincentes. “Os resultados são críveis e empolgantes”, afirmou Avi Loeb, do Departamento de Astronomia de Harvard, em entrevista ao Gizmodo por email. “Não vejo motivo para duvidar dele”, reforçou, também por email ao Gizmodo, Guillem Anglada-Escude, um dos descobridores do Proxima Centauri b, da Queen Mary University of London. Mas todo mundo com quem falei apontou que apenas um instrumento, o HARPS, fez a observação. “Seria bom ter uma confirmação independente com outro observatório”, disse Anglada-Escude. “Já estamos trabalhando nisso.” Os autores do novo estudo não responderam aos pedidos de entrevista do Gizmodo.

Talvez o mais empolgante seja o lembrete de que essas pequenas estrelas anãs, como a Proxima Centauri, a Ross 128 e a TRAPPIST-1, possam ser lugares ideais para encontrar planetas parecidos com a Terra, em vez de estrelas como o Sol. A Ross 128 tem apenas 17% da massa do Sol e 20% de seu raio. E tem toda uma gama de potencial em observar essas estrelas. “Elas estão literalmente por toda a parte”, disse Rice. “É tanto espaço de parâmetro que não exploramos, como o tamanho dessas estrelas e o tamanho desses planetas. Você não quer só uma. Você quer várias delas, para descobrir as propriedades gerais dessas coisas.”

Observações adicionais vão caracterizar melhor as atmosferas potenciais desses planetas. Observações como o novo Telescópio Espacial James Webb provavelmente vão ser “proibitivamente caras”, mas outros telescópios, como os Very Large Telescopes, podem ser capazes de assumir o trabalho.

Talvez você também tenha ouvido falar na Yuri Milner Breakthrough Initiative, que busca desenvolver uma espaçonave para visitar Alpha Centauri. Rice se pergunta por que não simplesmente visitamos Ross 128 e seu planeta em vez disso. “Se conseguirmos a tecnologia para enviar algo a 10% (ou 20%) da velocidade da luz, não é um investimento muito maior para enviar algo três vezes mais distante”, ela afirmou. “Eles já estão fazendo algo excêntrico, por que não tentar algo três vezes mais excêntrico?”

[Astronomy & Astrophysics]

Imagem do topo: ESO/M. Kornmesser