A revista alemã Der Spiegel colocou as mãos em um documento secreto, vazado por Edward Snowden, e ele confirma que o governo americano vem espionando parceiros como Brasil e México há anos, tudo com a aprovação do presidente Barack Obama. O que eles querem com isso?

O documento traz mais informações sobre o México, mas reitera o interesse dos EUA em nos espionar. De acordo com a apresentação, a NSA (Agência Nacional de Segurança) investigou “os métodos de comunicação e seletores associados à presidente brasileira Dilma Rousseff e a seus principais assessores”. Em setembro, documentos vazados por Snowden mostravam que Dilma era alvo direto da espionagem americana.

Em uma lista secreta de prioridades de espionagem para os EUA, com data de abril de 2013, tanto Brasil como o México estão no topo. A lista foi autorizada pela Casa Branca e “aprovada presidencialmente”, dizem documentos internos. Também há uma lista de objetivos para a espionagem. Quanto ao Brasil, os principais são ficar de olho “nas intenções da liderança do país” e do nosso programa nuclear.

Os motivos não são apenas políticos, é claro: segundo a apresentação, os EUA monitoraram e-mails e telefonemas na Petrobras. Em setembro, o Fantástico revelou documentos “ultrassecretos” que comprovam a invasão da rede interna da Petrobras. E ela tem informações importantes, incluindo novas reservas de petróleo e o leilão de lotes para exploração do pré-sal.

O monitoramento era feito através do TAO (Operações de Acesso Específico), uma unidade da NSA especializada em missões difíceis – incluindo se infiltrar em redes de outros países. No caso do México, podemos ver como a espionagem serve aos interesses dos EUA. De acordo com a Spiegel:

Em agosto de 2009, de acordo com documentos internos, a agência ganhou acesso aos e-mails de vários funcionários de alto escalão da Secretaria de Segurança Pública do México, que combate o tráfico de drogas e de humanos. Esta operação hacker permitiu à NSA não só obter informações sobre vários cartéis de drogas, como também acessar “temas de debates diplomáticos”. No espaço de um ano, de acordo com os documentos internos, esta operação produziu 260 relatórios confidenciais, que permitiram aos políticos dos EUA conduzir negociações bem-sucedidas sobre questões políticas e planejar investimentos internacionais.

A NSA também teve acesso a e-mails do atual presidente do México, Felipe Calderon. O documento afirma que “estes acessos do TAO em várias agências do governo mexicano são apenas o começo – temos a intenção de ir muito mais longe”.

O México reagiu de forma moderada. O ministério das relações exteriores condenou a espionagem, mas não disse que exigiria explicações nem que tomaria medidas para evitá-la. No passado, o Brasil se manifestou de maneira mais enfática; a presidente já disse que vai pressionar pela votação do Marco Civil, que pode exigir data centers no país para evitar a espionagem. [Der Spiegel]

Foto por Roberto Stuckert Filho/PR/Flickr