O Ibope revelou à Folha que 2,3% dos brasileiros que usam a internet andam apaixonados por um clássico jogo de cartas. Cada vez mais comuns, os sites de pôquer têm tirado o sono de muitos: são cerca de 838 mil brasileiros tentando ganhar dinheiro na frente do computador. E o crescimento, de um ano para cá, não é pouca coisa.

Isso porque o Ibope só contou a movimentação nos três maiores sites de pôquer por aqui – o PartyPoker.com, o FullTiltPoker.com e o maior de todos, o PokerStars.com. O último é o carro-chefe da jogatina, levando 591 mil brasileiros para as mesas virtuais. No ano passado, a primeira medição feita nos três sites registrou apenas 275 mil brasileiros. O aumento em pouco mais de um ano é de 238%.

Mas o Ibope não enxerga esse crescimento assim. José Calazans, do Ibope, diz que esse sites têm audiência flutuante. Além do pequeno nicho que sempre está lá, os veteranos das mesas, os reis dos fóruns de pôquer, muitos jogadores acessam algumas vezes os jogos, participam por algumas semanas e depois desistem. Ou seja, a última medição teria pego um pico de acessos.

Mas o crescimento do jogo no país também tem a ver com o surgimento de brasileiros em mesas de campeonatos internacionais. Christian Kruel, o representante nacional mais conhecido, começou a jogar em sites online em 1999 e em 2005 embarcou em torneios internacionais, ganhando muito dinheiro. Kruel é agora patrocinado pela Full Tilt Poker e virou o comentarista oficial de pôquer de canais pagos, como ESPN e BandSports.

Fora da lei?

Em outra matéria do especial da Folha sobre pôquer, a discussão é sobre a legalidade do jogo no Brasil, tanto no plano real quanto online. Com uma jurássica lei de 1941 como base, é difícil saber ao certo se o jogo é ou não ilegal. A lei 3.688 diz que é proibido qualquer jogo de azar no país. Mas o pôquer é ou não um jogo que depende puramente de sorte?

O Clube do Poker, site para jogadores criado por Christian Kruel, defende piamente que o esporte não é jogo de azar. Eles não estão sozinhos. Estudos indicam que vencer no pôquer não depende apenas de dois ases ou dois reis aparecerem em sua mão, mas sim de muita habilidade mental, estratégia e inteligência. É isso também que os campeonatos de pôquer tentam passar pela televisão, com jogadas ousadas, jogadores considerados estrelas por suas capacidades e, claro, uma pitada de sorte.

O problema que as autoridades enxergam no pôquer online é a origem de seu dinheiro. Sites hospedados em paraísos fiscais são comuns, e é necessário um cartão de crédito internacional para comprar as fichas virtuais e receber o valor em caso de vitória. Nos EUA, uma lei de 2006 impede que empresas de cartão de crédito recebam pagamentos provenientes de jogos online. Mesmo assim, os americanos movimentam mais de 300 bilhões de dólares por ano nas jogatinas. Por aqui, não há dados oficiais sobre quanto dinheiro é utilizado, mas a consultoria H2 Gambling Capital estima que a receita gerada com pôquer online chega a 4,8 bilhões de dólares no mundo. 

Diversão ou não, o crescimento do pôquer online é visível. Todo mundo já ouviu alguém falando que é um bom caminho para ganhar um dinheiro sem sair de casa, cheio de ideias e estratégias que nem sempre funcionam. Vale a pena ler todas as matérias da Folha, que mostram como funcionam jogos amadores e mais detalhes sobre o ainda polêmico esporte.

Sites de pôquer atraem 2,3% dos internautas brasileiros, diz Ibope [Folha.com]

Legislação que contempla pôquer on-line é nebulosa no Brasil [Folha.com]

Pôquer on-line gera receita de U$ 4,8 bi no mundo, estima consultoria [Folha.com]

Amadores trapaceiam em pôquer on-line via MSN [Folha.com]