No ano passado, a fabricante de chips Nvidia entrou no mundo do hardware com o Shield – um console estranho, mas interessante, com Android. Seu sucessor chegou, e tem um formato mais familiar: este é o Shield Tablet, o primeiro tablet Android pensado especificamente para jogos. Passamos algum tempo com ele, e gostamos do que vimos.

Na sua essência, o novo Shield é um tablet Android bastante capaz. Ele roda Android 4.4 KitKat padrão, tem tela IPS de 8 polegadas com resolução 1080p, câmeras traseira e frontal de 5MP, alto-falantes e entrada para MicroSD. Ele lembra vagamente um HTC One esticado, mas tem uma aparência bastante comum.

Nvidia Shield Tablet (3)

O Shield Tablet se diferencia é no cérebro, o Nvidia Tegra K1: trata-se de um chip com 192 núcleos, que promete fazer a ponte entre jogos móveis e títulos de PC/console. E ele consegue: eu vi Portal, Half-Life 2, Trine 2 e War Thunder rodando em um tablet, com altas taxas de quadros e fluidez. Trine 2 no tablet era virtualmente indistinguível da versão para PS4. No lançamento, o tablet Shield terá 16 títulos portados do PC para rodarem no Tegra K1.

E isso é só por enquanto. Eu também vi uma demonstração da Unreal Engine 4 rodando no Shield, e apesar de alguns detalhes não me agradarem totalmente (o anti-aliasing deixou um pouco a desejar), é prova de que muitos jogos novos e incríveis poderão ser portados para este tablet. Ou seja, podemos esperar por títulos novos, não apenas clássicos da Source Engine.

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Você vai notar, é claro, que a imagem acima não é a tela de um tablet. Isso porque o tablet Shield, assim como seu antecessor, inclui um “modo console”: o dispositivo transmite imagens para sua TV através de um cabo HDMI até em resolução 4K (se a TV e o jogo tiverem suporte).

E assim como o Shield original, o tablet pode rodar jogos do seu computador via GameStream, se você tiver uma placa Nvidia GTX nele. Eu joguei um pouco de GRID 2 transmitido de um computador, e exibido em uma TV. Era fantástico: alta resolução, anti-aliasing nítido, mas a latência ainda deixava um pouco a desejar – o que impacta jogos de tiro e de ação rápida – mas a situação era menos que o ideal (uma rede Wi-Fi instalada em uma área de um hotel).

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Claro que você não vai jogar tudo isso tocando na tela: há um joystick com botões, o controle Shield. É algo bem padrão: controles analógicos duros, e gatilhos firmes. Não chega ao nível do controle para Xbox One, mas definitivamente está no nível de um console, e é muito melhor do que qualquer joystick para Android que já usei.

E isso não é apenas em termos de sensação: em vez de Bluetooth, o controle Shield usa Wi-Fi Direct para se conectar ao tablet. Isso oferece menor latência e maior largura de banda. Na verdade, é o bastante para que você um plugue um fone de ouvido e microfone no controle (assim como no Xbox One ou PS4), em vez de fazer isso diretamente no tablet. Se você não quiser comprar o controle Shield, tudo bem: basta usar qualquer joystick Bluetooth, mas você terá mais lag.

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O Shield Tablet estará disponível para pré-encomenda nos EUA em 29 de julho, custando a partir de US$ 300 na versão Wi-Fi de 16GB. Isso é o mesmo preço de um iPad mini não-Retina e muito menos potente. Mesmo se você nem ligar muito para jogos, parece ser um bom negócio.

Claro, se você realmente quiser aproveitá-lo para jogos, terá que desembolsar mais US$ 60 para o controle. E a coleção de jogos para console que você poderá jogar (sem usar streaming) dependerá de quantos desenvolvedores portarem seus jogos para o K1. Para fazer streaming, você ainda precisará de uma placa GTX.

Mas o futuro de jogar em qualquer lugar nunca foi tão promissor, e o Shield Tablet deixa os jogos móveis e de console mais próximos do que nunca.