O HTC Evo deverá ser o último aparelho com alguma personalização em cima do Android que você pode considerar comprar. Porque toda essa bagunça de camadas e sistemas próprios em cima do sistema operacional tornou-o confuso, caótico e horrível.

O problema de um smartphone com Android rodando uma versão modificada de empresas, como o HTC Sense ou o TimeScape da Sony Ericsson, é bem conhecido: você terá de esperar um loooongo tempo para ter a versão mais atual do Android. Isso não fazia muita diferença no passado. E conhecendo as pretensões ambiciosas do Android, eu não tenho certeza se a tão criticada fragmentação de versões seja um grande problema (e o Google também pensa assim). Mas agora com a versão 2.2 do Android, é bom você pensar muito bem qual caminho dentro do Android você quer realmente seguir.

O problema das modificações

Elas são feias. A interface Sense, da HTC, foi muito comentada por fazer o Android ficar ainda melhor quando ele surgiu no Hero, há um ano. Bem, o Sense é a exceção que comprova a regra. Algumas enormes atrocidades foram cometidas em cima do Android, com o Samsung Behold II. Nem todas as modificações são assim tão ofensivas, mas mesmo o que eu considero normal, como a interface da Sony Ericsson no Xperia X10, é caótico e confuso; com o Evo, até o Sense começou a parecer um tanto brega. Se a ideia era tornar o Android ainda mais atraente e fácil de usar, eles falharam com categoria.

O salto do Android. Com o surgimento do Android 2.2, não há nada que as customizações ofereçam que o Android não faça. Há um ano, o sistema realmente devia várias coisas importantes, desde poderes em redes sociais como uma compatibilidade digna com o Exchange e acesso remoto às configurações. O HTC Sense cobriu vários desses buracos, mas isso já é passado. Agora o Android é capaz de controlar vários calendários, tem uma integração ótima de Facebook e Twitter com seus contatos (muito mais fácil do que em qualquer modificação), tem rápido acesso às configurações na página inicial, e tem até capacidade de criar hotsposts Wi-Fi. Hoje em dia, portanto, nenhuma das customizações tem alguma característica matadora em comparação ao Froyo.

Eles são muito lentos. Uma prova sobre o que falamos acima: Pouco tempo atrás, o Android estava atrás das interfaces customizadas. Mas agora, o Android está evoluindo tão depressa que ele não está só dando saltos, ele está ultrapassando as interferências feitas em seu sistema. Honestamente, as customizações terão de inovar bem rápido para continuarem valendo a pena – porque do jeito que está, é bastante provável que a próxima versão do Android já seja superior a qualquer coisa que os fabricantes podem oferecer. (Na realidade, eu diria que o 2.2 já faz isso). Mas pense nisso: qual é a probabilidade de as empresas de celulares acompanharem as atualizações do Google, que finalmente parece ter encontrado seu caminho com o Android?

As razões para comprar um celular com Android com seu sistema modificado simplesmente acabaram. Eles não parecem melhores; eles não funcionam melhor; e eles vão te impedir de ter as últimas e ótimas atualizações do Google, possivelmente por meses. A maioria das pessoas está pouco se lixando se seu celular é realmente como um computador, com atualizações que o deixam muito melhor graças a mágica do software. Mas se você está lendo esse texto, provavelmente você se importa com isso. E o Android 2.2 cria uma experiência de uso muito mais interessante do que a versão 2.1. As melhores novidades do sistema deverão vir diretamente do Google, então acompanhar o Android lado a lado com a empresa parece ser o melhor a se fazer, mais do que nunca.

Talvez isso mude em algum tempo, se o Google diminuir o número de releases drasticamente, como Andy Rubin disse, para apenas uma ou duas por ano. O que seria algo bem triste se acontecesse – o mais fascinante no Android, pelo menos para os mais geeks, é quão rápido ele está evoluindo. Mas isso só deverá acontecer quando ele já estiver maduro o suficiente para andar sozinho na rua. Até lá, eu usarei os oficiais, e provavelmente lançados uma vez por ano, aparelhos do próprio Google, os Google Phones, como o Nexus One.