Então sim, agora temos multitarefa. (Estranhamente, esta é a única parte da interface que choca pelo mau gosto. Quem achou que um plano de fundo com uma cor só é uma boa ideia, ou é cego ou está brincando com a gente.) E copiar e colar, que o WP7 já tinha há alguns meses. Essas coisas são importantes, com certeza.

Mas são todas as pequenas coisas, as pequenas grandes decisões que a Microsoft fez por todos os lados, que se unem para fazer o Windows Phone ser, bem, completo. Como a forma que a Microsoft abandonou o uso misturado do botão de Pesquisa: agora, ele só abre o Bing – antes, ele ou abria o Bing, ou abria busca contextual. Antes não dava pra saber o que ia acontecer; agora dá.

O Windows Phone também parece estar muito, muito mais rápido, e isso mesmo sem vários apps reescritos para aproveitar a troca rápida entre apps (*cof* *cof* Twitter! *cof* *cof*). Na maior parte do tempo, ele é tão rápido quanto o iPhone 4.

E os grandes detalhes?

Às vezes eu me pergunto se a Microsoft não deu atenção até demais para os detalhes, e não o bastante em garantir que as grandes ideias funcionem perfeitamente. A forma como um tópico de conversa salta para baixo quando você abre um e-mail, dentre outros milhões de efeitos, mostra como eles se importam. A forma como o Windows Phone tenta reconceber o ato de busca, de forma completamente contextual, é radical e brilhante. E lindo, sinceramente.

Mas a maior parte das informações de busca local são bem ruinzinhas. O Local Scout, que informa os estabelecimentos próximos para comer ou beber, por exemplo, é fantástico na teoria. Na prática, vários estabelecimentos estão desatualizados (o Brooklyn Star está em outro lugar há tempos, e o Local Scout ainda mostra o local antigo, onde agora está a Best Pizza). As opções sugeridas de entretenimento – cinema, teatro – ficam longe demais (e isso considerando Nova York). E muitas das seções de resenhas ainda não têm nada.

Ou a transcrição voz-para-texto, por exemplo: tá, minha voz se parece com a de um gorila ruivo depois de meia garrafa de uísque e quatro maços de cigarro, mas nenhuma das mensagens de texto que eu ditei, não importando minha dicção, saiu certo. (A busca através da câmera e áudio deram muito mais certo, no entanto.)

Integração social

Ainda estamos sem a integração com o Twitter no sistema: estou usando um build bastante prematuro do Mango, então várias coisas ainda não estão prontas, como o Twitter e grande parte da integração entre apps e sistema que a Microsoft demonstrou. Mas é impressionante ver que o Windows Phone está tão conectado com as pessoas quanto outros aparelhos, mesmo o Android.

Isto se deve em parte à integração do chat do Facebook, praticamente mesclado às suas mensagens de texto (se bem que eu gostaria demais do Jabber/Google Talk), e em parte porque a nova função Grupos permite focar nas atualizações e mensagens das pessoas com as quais você realmente se importa. Além disso, nada disso está isolado nos apps, como acontece no iPhone: eles fazem parte do celular. É algo que satisfaz bastante, simplesmente encontrar um contato e ver o histórico todo de e-mail/chat/SMS, ou as fotos e atualizações mais recentes no Facebook. É algo que simplesmente faz sentido.

Melhor e mais completo

Há muito mais sobre o qual eu poderia falar: como o music + videos é muito melhor de usar com a interface redesenhada, ou como o Internet Explorer 9 é um navegador bastante capaz, ou como encontrar apps no Marketplace não é mais uma função quebrada. Ou ao contrário: como o streaming de música deveria funcionar e se parecer mais com o Rdio, como ainda é necessário haver busca universal, como eu ainda sinto falta de certos apps (como o Instapaper e o Instagram), ou como eu acho que o Xbox e o Windows Phone deveriam se comunicar muito mais com o Xbox na sua sala de estar.

Mas a conclusão é de que o Windows Phone agora está melhor e mais completo, mesmo com os probleminhas de uma versão beta, como o chat do Facebook bombardeando você com notificações que precisam ser limpas individualmente, ou a exigência estranha de que os números entrem exatamente nas lacunas correspondentes. (Ele simplesmente ignora números fora do padrão dos Contatos.)

Em outras palavras, mal posso esperar pelo Mango quando ele estiver finalmente pronto. Ele me lembra de como o iPhone finalmente parecia estar quase pronto com o iOS 3.0.

Enquanto isso, digo o seguinte: se não tivermos um hardware matador da Nokia nem um redesign radical do Android, acredito que a escolha entre smartphones no final do ano – excluindo-se os geeks, é claro – será bastante simples. Ou iPhone, ou Windows Phone. Para usuários comuns, nada mais é tão agradável.

Vídeo por Woody Jang