Há algum tempo, a Sony bloqueou o acesso online de cópias usadas de um jogo de PSP, limitando a possibilidade de jogatina pela internet ao dono original e cobrando cerca de US$ 20 de quem quisesse uma nova chave. A moda parece que está se espalhando entre as desenvolvedoras. Electronic Arts e, agora, Ubisoft, já deixaram claro com seus projetos que, ao menos para o caixa de quem faz o jogo, não há muita diferença entre pirata e comprador de jogo de segunda mão.

Depois da Sony, a EA gostou da idéia e há poucos meses começou a vender também um “Online Pass” por um conteúdo considerado Premium: tratava-se de um código que vinha com os jogos de esportes que permitia jogar online e dava acesso a conteúdo bônus (mapas, armas, quests), mas podia ser usado apenas uma vez por perfil na Live ou PSN network. Ou seja, se o dono original já tivesse usado o pass (que é a opção mais provável), quem comprou o jogo usado teria que pagar US$ 10 para ter os mesmos benefícios, uma maneira de inibir a compra de jogos usados ou, pelo menos, lucrar com eles.

Agora foi a vez da Ubisoft anunciar que está estudando o “US$ 10 project” da EA e que provavelmente vai adotar essa política futuramente.

O Diretor Financeiro da Ubisoft, Alain Martinez, ao comentar sobre os dados do ano fiscal da Ubisoft disse “No que diz respeito ao comércio de jogos usados ou conteúdo para download, a maioria dos jogos que serão lançados no próximo ano terão conteúdo para download disponível desde o começo.”

E continuou: “Nós estamos estudando cuidadosamente o que está sendo feito pela EA a respeito do que chamamos de ‘solução de 10 dólares’, e nós provavelmente seguiremos esse princípio em algum momento no futuro.”

Muitos games têm disponibilizado conteúdo para download depois do lançamento, cobrando por isso. A idéia da Ubisoft é que cada vez mais jogos saiam com um conteúdo para download junto com o lançamento. Assim que compra, já pode baixar alguns bônus, sem custo adicional, mas a pegadinha é que o código é de uso único. Quem comprasse uma cópia usada precisaria pagar pelos bônus.

A estratégia é desenvolvida para que seja mais tentador para o consumidor compar jogos novos ao invés de uma cópia usada, já que os desenvolvedores atualmente não têm lucro a partir da venda de jogos usados. Isso pode soar um pouco mesquinho, mas tecnicamente, eles não estão fazendo nada errado.

Vendo pelo lado das desenvolvedoras, US$ 10 não parece tão caro assim e talvez os conteúdos extras ou a possibilidade de jogar online não sejam essenciais para todo mundo. A menos, é claro, que a Ubisoft resolva inovar colocando avisos na caixa de Prince of Persia “Habilidade de voltar o tempo disponível apenas via download” ou um simples “Principe não incluso”.

Mas, ainda assim parece que tem algo errado nessa história. Até que ponto as desenvolvedoras estão certas em restringir parte do jogo a quem compra o jogo novo, ou em empurrar novas licenças para garantir acesso ao modo online a quem compra jogos usados? Imagine se fosse assim com CDs e livros usados?

[Fonte: Gamasutra, imagem via IGN]