E se nós te contássemos que existe um aparelho muito leve que junta todas as funcionalidades práticas de um tablet dentro do mais fino e leve laptop que você já viu? Isso existe. Isso pode ser sensacional. E eles estão morrendo antes da hora.

Em janeiro, a Lenovo anunciou exatamente esse produto da descrição que recebeu ótimos elogios de grande parte do público e mídia. Ele se chama Skylight e seria o desbravador de um novo mercado móvel de computadores, chamado de smartbooks.

Mas peraí, o que é um smartbook?

Quem inventou o termo smartbook foi – é claro – a publicidade. Em tese, um smartbook é qualquer aparelho que mistura um netbook com um smartphone. Esse é o problema de termos publicitários: eles não explicam nada. Outro caminho mais exato é dizer que um smartbook é qualquer dispositivo que tenha um processador ARM e que não seja um celular. Sim, isso quer dizer que o iPad está no bolo. Fabricantes desses processadores, como a Qualcomm e a Freescale, enxergam com ótimos olhos esse mercado móvel, que inclui os tablets, é claro.

Ótimo, agora você já sabe quão grande pode ser o significado de smartbook. Mas fiquemos no caso do Skylight: algo que coloca os órgãos de smartphone dentro do corpo de netbook. Modelos móveis que misturam de forma coesa multimídia, produtividade e portabilidade de um modo que nenhum aparelho faz até hoje.

Isso é um smartbook.

As promessas, os obstáculos e uma possível solução

Além do Skylight, a HP também mostrou na Espanha o Compaq AirLife, que parecia o netbook que a Apple nunca fez – até vermos as especificações. Ok, ele parece interessante com seu processador Qualcomm Snapdragon, mas um tela resistica de TFT pareceu uma péssima escolha. Mas tudo bem, ele continua apenas na Europa.

Voltemos ao que interessa, o Skylight. Veja só o que foi dito sobre sua configuração na CES: tela de 10,1 polegadas, processador Snapdragon de 1 GHz, Wi-Fi, 3G, 8 GB de espaço interno/16 GB via USB e mais 2 GB de armazenamento na nuvem, capacidade de rodar vídeos em 720p, saída HDMI. Pesando menos de um quilo. Digno de leva-lo na mochila sem nenhuma dor.

O Skylight pode não ser perfeito, mas ele sem dúvida teria um nicho. O teclado físico o coloca à frente dos tablets. E ele estava pronto para ser lançado em abril, mesma época do lançamento do iPad. Só que… Nada aconteceu. Abril passou e a Lenovo não quis falar muito sobre, com algumas especulações que ele sairia apenas em julho. Ou seja, todo aquele furor em torno dos smartbooks simplesmente sumiu com o tempo. E é claro que o iPad ajudou nisso, já que todos só querem saber de tablets agora, um modelo curiosamente já consolidado no mercado, mesmo com poucas opções reais de compra.

O atraso se dá por algumas razões: a Adobe não entregou a tempo a versão Flash para dispositivos móveis a tempo, o que deixou o pessoal da ARM não muito feliz. Pelo menos foi o que o vice-presidente da empresa, Ian Drew, disse para a ZDNet UK:

“Nós pensamos [que os smartbooks] seriam lançados agora, mas não serão”, Drew disse à ZDNet UK… “Eu acho que um dos problemas foi a falta de maturidade do software. Vemos coisas como o atraso da Adobe – nós originalmente programamos algo para 2009.”

Mas a discussão é mais profunda por aqui. O principal problema é que a arquitetura ARM não suporta as aplicações baseadas na arquitetura x86; os smartbooks precisam de um novo sistema baseado em Linux OS. Para o Skylight, isso significa um novo sistema todo redesenhado, testado e distribuído aos desenvolvedores, o que demora muito. 

A solução, por incrível que pareça, pode estar bem perto de acontecer. Você se lembra do Chrome OS, não? Tanto a arquitetura ARM como a x86 são compatíveis com o sistema, que será extremamente leve e para rodar aplicações de internet apenas. Parece o casamento perfeito com os smartbooks, não? Sim, e deverá ser, quando o Chrome OS for anunciado em algum momento desse ano.

Porque isso é importante

Ora, os smartbooks não são completos. Eles têm altos e baixos como os tablets, os netbooks, os notebooks, as bicicletas ergométricas ou qualquer coisa que foi lançada no último século – excluindo os discos do Oswaldo Montenegro, claro. Mas eles são diferentes e servem para algo novo. E eles estão sendo deixados de lado mesmo antes de aparecerem.

Claro, uma hora ou outra eles estarão no mercado e talvez se você quiser ter muito você o encontrará em uma lojinha especializada. Mas eles estão perdendo o timing. Imagine os smartbooks no Brasil. Se os netbooks vivem em um mundo paralelo por aqui, será que essa nova categoria poderia finalmente unir mobilidade, praticidade e performance por um preço justo? Você trocaria seu netbook, ou até seu notebook, por um modelo como o Skylight? Nós esperamos que, no futuro, você pelo menos tenha essa opção.