Reanimar pacientes em coma é um antigo sonho da humanidade, e um tópico de conversas comum sobre a condição humana. Talvez você tenha chorado assistindo ao filme Tempo de Despertar, ou teve uma longa conversa com seus parentes sobre o que deve ser feito caso você ou eles passem pela mesma situação.

Mas estas conversas seriam muito diferentes se fosse possível restaurar a consciência, como um novo artigo afirma poder… quer dizer, mais ou menos. Um paciente francês sofreu um trauma craniano há 15 anos e está em estado vegetativo desde então. Depois de estimular parte do cérebro dele, cientistas puderam restaurar a consciência do paciente. Mas, não, ainda não está no mesmo nível que Tempo de Despertar.

O estado vegetativo é diferente de um coma. Nele, o paciente com dano cerebral está acordado, mas inconsciente. Um artigo na BMC Medicine descreve a condição como “apenas responder a movimentos de reflexo sem a resposta por comando”. Explicando de forma simples, cientistas tem quase certeza que a condição tem algo a ver com o dano cerebral alterando como os sinais elétricos se movem entre os setores internos e externos do cérebro, assim com a camada externa. Alguns pacientes se recuperam do estado vegetativo, mas outros não.

Cientistas criaram a hipótese que talvez o estímulo do nervo vago, o mais longo nervo conectado ao cérebro, ajudaria a reconectar partes cerebrais, permitindo maiores níveis de consciência. Eles então implantaram o estimulador no nervo e aplicaram uma corrente elétrica, aumentando-o pouco a pouco no decorrer de um mês. Depois disso, eles notaram que a atividade cerebral do paciente aumentou e observaram ele ir de estado vegetativo para um estado com o mínimo de consciência – como descreve um artigo, “uma condição de severa alteração da consciência que mostra evidências comportamentais mínimas, mas definitivas, de si próprio e do ambiente”.

O comportamento do paciente na “Escalo de Recuperação de Coma” foi de 5 para 10 (sendo a nota máxima 23), com grandes melhorias nos olhos dele, que reagiram a estímulos. A News Scientist reporta que o paciente reagiu com emoção a músicas, moveu a bochecha em resposta a instruções para sorrir e abriu bem os olhos como resposta a aproximação dos pesquisadores.

Isso é obviamente promissor. Como concluem os autores do estudo publicado na Current Biology, “nossa pesquisa demonstra o potencial terapêutico da estimulação do nervo vago para modular atividades humanas de larga escala e atenuar distúrbios de consciência”.

James L. Bernat, professor de neurologia e medicina na Universidade Dartmouth disse a CNN que o estudo é provocante, mas elogiou especialmente a escolha de paciente. Usar um paciente em estado vegetativo há 15 anos em vez de alguém no estado há apenas alguns meses diminui a possibilidade de os autores terem observado o paciente melhorar por conta própria. Bernat aponta que cada caso de estado vegetativo é diferente, e o estímulo do nervo vago não deve funcionar com todo paciente.

Outros pesquisadores concordam. “O estímulo do nervo vago pode não ser um tratamento padrão. A eficiência do método depende na natureza da lesão cerebral”, diz György Buzsaki, professor de neurociência na Universidade de Nova York, ao Gizmodo. “Mas pelo lado positivo, estas são descobertas muito bem-vindas porque o estímulo do nervo vago é um método relativamente simples. A princípio, o nervo também pode ser estimulado por métodos percutâneos. Portanto pode ser testado em outros pacientes sem a necessidade de passar por uma cirurgia cerebral”.

Mas Buzsaki acredita que importantes detalhes estão faltando do novo estudo – e, de novo, me lembrou que o paciente está cientificamente com o mínimo de consciência, não está acordado ou consciente. “O estímulo resultou em um ‘despertar genérico, atenção sustentada, motilidade corpórea e busca visual’ e pontuou na Escala de Coma ‘como relatado por clínicos e familiares’”, disse. “Isso não significa que essa pessoa poderia dizer “Eu sou o Joe” ou perguntar “Onde estou?” verbalmente ou por outros meios.

Este é definitivamente um caso de estudo promissor com resultados fascinantes – mas é único. E como todo estudo de caso único, ele talvez não seja tão incrível quanto algumas manchetes afirmam.

“Investigadores… deveriam ser mais cautelosos para não insinuar falsas expectativas em familiares que querem melhorias além da busca visual e ocasional resposta facial garantidas”, diz Buzsaki. “Apesar destas ressalvas, este é um importante progresso na direção certa”.

[Current Biology]