A cidade de Pedra Preta fica a 143km de distância de Natal, capital do Rio Grande do Norte. É uma cidade pequena e tranquila – ou pelo menos era. Nas últimas semanas, Pedra Preta não parou de balançar: constantes abalos sísmicos atingiram a cidade, que chegou a sentir tremores de 3,7 graus na escala Richter.

No começo de novembro eram mais de 600 abalos registrados em poucos dias, e depois de alguns dias de tranquilidade, os tremores retornaram na semana passada. Na madrugada do dia 1 para o dia 2 de dezembro, cinco novos tremores assustaram a população local.

A maioria dos tremores não chega a ser sentido pelas pessoas, e, quando são, normalmente estão entre 2 e 3,7 graus na escala Richter. Isso significa que a atividade sísmica não é muito forte. Normalmente, a partir da magnitude 3, eles podem causar alguns pequenos danos materiais. De fato, isso é o que ocorre em Pedra Preta: casas apresentaram rachaduras após os tremores. Apesar da Defesa Civil do Rio Grande do norte afirmar que não há motivo para a população abandonar as casas, a cidade admite que há uma consequência para a série de balanços: Pedra Preta pediu a ajuda de psicólogos para ajudar os moradores locais.

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Sismos registrados no dia 2 de dezembro (Fonte: Sismos do Nordeste)

Vivemos no Brasil, um país com raríssimos casos de tremores sentidos pelas pessoas. Uma cidade que sofre mais de 600 abalos em poucas semanas certamente sofrerá alguma consequência psicológica – mesmo que sejam fracos, os tremores em sequência assustam qualquer pessoa.

O Laboratório Sismológico da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (LabSis) registrou todos os tremores – com detalhes de hora e magnitude, além de imagens mostrando o epicentro da atividade sísmica. E, normalmente, o epicentro é o mesmo – uma área na região noroeste da cidade. Segundo pesquisadores, uma falha geológica de 3km causa os constantes tremores que assustam a população. Ao G1, o pesquisador Joaquim Ferreira atribuiu os abalos à formação geológica de todo o estado do Rio Grande do Norte:

“Todo o Rio Grande do Norte está na borda da bacia potiguar que é uma região que é a mais ativa do Brasil. Por isso, acontecem esses tremores”

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Imagem do LabSis sobre as atividades sísmicas dos dias 1 e 2 de dezembro. A estrela vermelha no canto superior direito do município mostra o epicentro dos tremores (Fonte: Sismos do Nordeste)

Pedra Preta em si registra atividades sísmicas desde dezembro de 2010, segundo o LabSis. A atual onda de tremores começou no dia 24 de outubro – o maior dos abalos chegou a magnitude 3,7, mas é impossível saber como isso vai evoluir. Para a pacata cidade do Rio Grande do Norte, resta conviver com o temor de sentir o chão balançando a qualquer momento – e torcer para que nada mais grave aconteça. [G1 1, 2, 3, 4, UOL 1, 2, Sismos do Nordeste, YouTube. Foto via eduardosouzab/Flickr]