Uma forma popular de se projetar robôs que possam se locomover pelo mundo é utilizar a Mãe Natureza como inspiração. Pesquisadores da Escola Politécnica Federal de Lausana estavam tentando melhorar a forma como um robô com seis pernas se locomove e acabaram encontrando uma maneira mais eficiente para criaturas de seis patas.

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Enquanto muitos vertebrados conseguem correr rápido e com um contato mínimo com o solo, insetos de seis patas utilizam um método diferente para ganharem velocidade. Eles usam o que é chamado de “andar tripé”, o que significa que, quando correm em terreno plano, pelo menos três pernas tocam o chão – duas de um lado, e uma do outro.

Os pesquisadores da EPFL, que trabalharam com o pessoal da Universidade de Lausana, estavam curiosos para saber se o andar tripé é realmente a maneira mais eficiente para uma criatura de seis pernas se locomover. Então eles utilizaram uma série de simulações computacionais e experimentos reais para ver se existia uma alternativa melhor. Acabaram descobrindo que um andar bipé, em que a criatura toca apenas duas das pernas por vez no chão, permite um caminhar mais rápido, sem que seja necessário fazer melhorias no hardware do robô.

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Mas ainda não dá para apontar o dedo e rir da cara da Mãe Natureza. Enquanto a abordagem bipé funciona bem quando as criaturas estão caminhando em terreno plano, as simulações feitas pelos pesquisadores também revelaram que o método tripé é melhor para os insetos que andam por paredes, tetos e outras superfícies em que é preciso lutar contra a gravidade.

Para rastejar na mata, onde o terreno muda a cada centímetro, faz sentido a ideia de que os insetos tenham evoluído de uma forma que lhes permite a locomoção em qualquer lugar – em vez de priorizar a velocidade. Mas já que os robôs são criados e personalizados para realizar tarefas específicas, essa descoberta mostra que copiar a Mãe Natureza nem sempre é a melhor saída. Às vezes, podemos melhorar.

[EPFL via Robotics Trends]