Nos últimos 150 anos, um caixão de cedro de uma antiga sacerdotisa egípcia está em exposição em um museu na Austrália. Registros sugeriam que o sarcófago de 2.500 anos estava vazio, então ninguém se importou em ver se tinha algo dentro. Ano passado, curadores do museu finalmente o abriram e, para surpresa deles, o caixão continha uma múmia – com bandagens e tudo.

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Quando a tampa do caixão foi removida, os curadores do Museu Nicholson não esperavam encontraram nada muito especial. O antigo artefato egípcio, junto de três outros caixões de madeira que continha múmias dentro, foram adquiridos por volta do ano 1860 por Charles Nicholson, um antigo chanceler da Universidade Sidney. Mas por alguma razão, o conteúdo deste sarcófago em particular foi ignorado. Um manual associado ao caixão mencionava que ele estava vazio, e os registros do museu sugerem que ele continha “diversos detritos” dentro.

Quando a tampa foi removida no ano passado, os curadores descobriram os restos mortais de uma autêntica múmia egípcia.

“Foi tão incrivelmente surpreendente o que vimos – um destes momentos em que você precisa respirar fundo e apenas se segurar”, disse Jamie Fraser, investigador líder e curador no Museu Nicholson da Universidade Sidney, à BBC. “Nunca escavei uma tumba egípcia, mas isso chega perto o bastante”.

Usando tomografia e scanners a laser, a equipe de Fraser completou uma análise preliminar do conteúdo do caixão.

Créditos: Macquarie Medical Imaging

A múmia realmente estava em péssimo estado, e dá para imaginar porque o conteúdo do caixão foi listado como “detrito”. É provável que invasores de tumbas furtaram o sarcófago, buscando por amuletos, joias, e outros tesouros. Apesar das más condições dos restos mortais, os pesquisadores conseguiram identificar o torso e diversos ossos (incluindo os ossos do pé e das pernas, e algumas costelas), enquanto removiam as bandagens, traços de resina e milhares de missangas de viro de um manto fúnebre.

O habitante do caixão morreu quando tinha aproximadamente 30 anos de idade, mas não se sabe se este é o verdadeiro ocupante do sarcófago. Inscrições no caixão mostram dados do século VII a.C., e que ele pertencia a uma sacerdotisa chamada Mer-Neith-it-es. A múmia poderia muito bem ser dela, mas mais trabalho é necessário para confirmar isso.

Créditos: Nicholson Museum

“Sabemos por hieróglifos que Mer-Neith-it-es trabalhou no Templo de Sekhmet, a deusa com cabeça de leão”, disse Fraser para a Deutsche Welle. “Existem algumas dicas nos hieróglifos e a maneira com que a mumificação foi feita e o estilo de caixão nos dizem como o Templo de Sekhmet trabalhava”.

Para o futuro, os pesquisadores gostariam de saber quais doenças afetaram este individuo e a causa da morte, além de pistas sobre sua dieta e estilo de vida. A descoberta do corpo dentro do caixão pode ter surgido como uma completa surpresa, mas isso significa que arqueólogos e curadores podem praticar um pouco de ciência.

[BBCDeutsche Welle]

Imagem de topo: Macquarie Medical Imaging