Quem gosta dos equipamentos da holandesa Philips terá que se contentar em vê-los nos hospitais e nas compras que sua mãe fará. A empresa anunciou hoje que abandonará o segmento de entretenimento doméstico para focar em áreas mais lucrativas.

No ano passado a Philips criou uma joint venture com a TPV onde abriu mão de 70% do controle sobre a área de TVs para a empresa de Hong Kong. O negócio anunciado hoje é um pouco diferente: a Philips vendeu totalmente as divisões de áudio e vídeo para a japonesa Funai Electric (não confundir com a nossa FUNAI) por US$ 201 milhões. Os direitos de uso da marca estão inclusos aí, o que significa que embora não mais pertencentes à marca, aparelhos de Blu-ray, de som e fones de ouvido sob a alcunha “Philips” continuarão sendo vistos por aí.

À Reuters, o CEO Frans van Houten disse que o mercado de entretenimento doméstico está minguando e que a venda dessas áreas de atuação para a Funai “completa o reposicionamento de distanciar-se dos eletrônicos de consumo”. Ele atribuiu a atitude, ainda, a mudanças nos hábitos dos consumidores, que hoje baixam e fazem streaming de vídeo, por exemplo, em vez de comprarem discos, mídia física. A competição com fabricantes asiáticas também foi lembrada por van Houten. Não é fácil para as europeias — antes da Philips, a alemã Siemens e a francesa Alcatel-Lucent também desistiram do mercado doméstico.

Sem essas coisas, do que a Philips viverá? Principalmente de equipamentos médicos. No último trimestre fiscal, o melhor dos últimos dois anos, scanners hospitalares, sistemas de ultrassom e kits de oxigênio, dentre outros, responderam por 40% do lucro da empresa. Eletrodomésticos, como barbeadores, cafeteiras e juicers, também seguem firmes na linha de produtos da Philips. Por fim, a empresa continuará investido em equipamentos de iluminação, como a elogiada linha de lâmpadas de LED/inteligentes — estamos brincando com uma Hue, e a ideia de controlar a iluminação da casa pelo celular é o tipo de ficção de ontem que, hoje, já está a nosso alcance. A Philips estreitará o leque de produtos que oferece para sobreviver. [Wall Street Journal, Reuters. Foto: Jonathan/Flickr]