Uma empresa russa chamada Pirate Pay afirma ser capaz de parar o que parecia impossível de ser parado: o c0mpartilhamento de filmes, músicas e outros arquivos protegidos por direitos autorais nos clientes de BitTorrent. Com suporte financeiro da Microsoft e Disney e Sony como primeiros clientes, será este o fim da pirataria online?

Antes de qualquer coisa: mas que nomezinho tacanho, hein? Qualquer semelhança com o Pirate Bay parece não ser mera coincidência.

Originalmente, a startup trabalhava em um mecanismo de “gerenciamento de tráfego” para provedores. Dentre outros recursos, o produto era capaz de barrar o tráfego de arquivos torrent. Daí para migrarem o foco para essa única função, foi um pulo.

“Depois de criar o protótipo, notamos que poderíamos prevenir o download de arquivos de forma mais generalizada, o que significa que o programa tinha um bom potencial em combater a disseminação de conteúdo pirateado”, disse Andrei Klimenko, CEO da Pirate Pay.

Com um aporte de US$ 100 mil da subsidiária russa da Microsoft e tendo como primeiros clientes a Disney e a Sony, a Pirate Pay esconde o jogo sobre como a sua tecnologia funciona. Pelo pouco que Klimenko revelou, porém, a técnica lembra a dos ataques de negação de serviço (DDoS): usando servidores próprios, o sistema se mascara atrás de clientes reais para distribuir IPs falsos aos outros peers (legítimos), forçando a desconexão após várias tentativas frustradas de baixar o arquivo. Outras já oferecem solução parecida, como a Peer Media; alguém aí presenciou o fim pirataria via BitTorrent? Pois é.

Até agora, sabe-se que o filme “Vysotsky. Thanks to God, I’m alive” foi “protegido” pela Pirate Pay. A empresa revelou que 44845 downloads foram bloqueados graças aos seus serviços. Muito? Pouco? Ninguém sabe. Nem se esses bloqueios foram em clientes únicos, ou mesmo se depois, em novas tentativas, o download foi concluído. Sequer o mais importante para contextualizar o desempenho da Pirate Pay, o número de downloads bem sucedidos, foi revelado.

A Pirate Pay cobra de US$ 12 mil a US$ 50 mil para proteger o seu trabalho. É um tipo de entrave paliativo de cuja a eficácia todos duvidam bastante — e com razões de sobra. Como concluiu o Ernesto, do TorrentFreak, “empresas que realmente quiserem fazer os ‘piratas pagarem’ terão mais resultados investindo em melhorar as suas ofertas legais.” [TorrentFreak via Folha]