Vamos imaginar, só por curiosidade, que a Microsoft realmente anunciará seu tablet na segunda. Existem apenas duas perguntas que deveríamos nos fazer: isso seria uma boa ideia? Ou seria essa a melhor ideia?

O caso do tablet

Tudo o que sabemos com certeza é que a Microsoft fará um evento na segunda, em Los Angeles, e será algo grande. Mas isso não significa que não podemos deduzir; o Windows Phonapalooza da Microsoft será na quarta, então qualquer vislumbre da próxima geração de live tiles terá que esperar até lá. Fazer todo esse barulho pela aquisição do Yammer seria um pedido para ser vaiada. E o Windows 8 já está bem encaminhado.

Pelo processo de eliminação, não ficamos com muitas opções. Um novo smartphone? Parece pouco provável; a Microsoft ainda está bastante confortável nos braços da Nokia — ou vice-versa. E embora as vendas do Lumia 900 não tenham sido o que ambas as empresas esperavam, o produto em si não tem falhas gritantes que justifiquem um rompimento. Um preview do Office 87? Veja: seria o mesmo caso do Yammer.

Dito isso, ficamos com duas opções para a segunda:

  • Steve Ballmer desceria ao palco com um jetpack e faria piadinhas com blogueiros por uma hora; ou
  • A Microsoft finalmente, mais de dois anos depois do iPad, anunciaria um tablet.

Eu preferiria ver a primeira. Mas estou bastante convencido de que a segunda acontecerá.

Santo de casa faz milagre

Um tablet, claro! Já está na hora. Mas lembre-se de que esse não é qualquer tablet criado por rumores. É um tablet da Microsoft. Construído do zero em Redmond. E, novamente, por que isso é tão importante?

Porque essa talvez seja a única forma de a Microsoft vencer.

Se você estivesse para entrar no mercado de tablets, em quem você se espelharia? Na Apple, com seu ecossistema coeso e pilhas de dinheiro de fazer inveja ao Tio Patinhas? Ou no Android, cujas opções são tão confusas quanto uma obra de Pollock (e tão funcionais quanto)? Lembre-se, também, de que as feridas do Windows Mobile ainda estão ardendo na Microsoft. Ela confiou muito em seus parceiros de hardware e pagou o preço. Com o Windows Phone ela mostrou (na forma de requisitos de hardware bem rígidos) que não cometerá o mesmo erro novamente.

É batata. Quando o Google quis construir o seu platônico tablet Android ideal, ele teve que pedir com muita educação à ASUS e confiar no seu sucesso e que outros parceiros de hardware não ficassem bravos com isso. A Apple, nesse meio tempo, segue em frente e constrói ela mesma o iPad. A Microsoft claramente tem os recursos, a determinação e a base consolidada de usuários para seguir em frente sozinha. Até alguma prática ela tem. E já foi mais do que provado que ela tem a qualidade mais importante de todas: a paciência.

O “X” da questão

Mais de uma década atrás, a Microsoft não era uma empresa de games. Não era nem mesmo uma empresa de hardware. Mas ela viu que jogos era um negócio lucrativo, que as salas das pessoas era onde a próxima geração da computação estaria. Então fez, ela mesma, o Xbox.

Naquela época, a Microsoft enfrentava duas forças familiarizadas no segmento: Sony e Nintendo. As duas tinham bases de fãs incondicionais. As duas tinham títulos exclusivos e vendas fortes. Mas a Microsoft estava disposta a vender cada unidade perdendo bastante dinheiro para ganhar market share. Ela ofereceu recursos online inovadores que prenderam as pessoas em seu ecossistema. Ah, e Halo.

Os paralelos não são exatos, mas claros o bastante. A Microsoft aprendeu com o Xbox que não dá para só molhar a ponta do dedão em um novo nicho, você tem que pular de barriga e espalhar a maior quantidade de água possível. E embora aquele primeiro console tenha levado um tempo para pegar — especialmente fora dos EUA –, hoje o Xbox 360 domina o ranking de vendas naquele país.

A Microsoft aguenta jogos demorados, apostas a longo prazo. O sucesso do Xbox tem sido o modelo para o Bing. Ele forneceu as bases para o Windows Phone, embora a Nokia esteja sendo uma problemática substituta. E ele deve (ou pelo menos deveria) iluminar o caminho para os esforços em tablets também.

O grande “Se”

Olhe de novo para o mercado de tablets. Duas forças na disputa, com suas bases de fãs incondicionais e ecossistemas estáveis. Todas as parceiras em PC da Microsoft já estão ocupadas fazendo tablets Android e as que não, têm um passado recente pouco empolgante.

Enquanto isso, olhe para a Microsoft: ainda disposta a arcar com grandes perdas no curto prazo (oi Windows Phone!) na esperança de ganhos no longo. Acordos de conteúdo estão firmados das suas desventuras com o Zune. Um grande investimento no Nook lhe concede um concorrente instantâneo ao iBooks e Kindle. Um sistema operacional que é diferente, bom e divertido. Um zilhão de usuários de Windows estabelecidos no mundo inteiro.

Não sabemos o que a Microsoft anunciará na segunda. Mas se for um tablet, e se esse tablet for feito por ela mesma? Será a coisa mais esperta saída de Redmond desde o Xbox original.