Alguns dizem que as impressoras vieram do inferno para nos atazanar. Nós meio que acatamos os pedidos dessa máquina que vive engolindo folhas e reclamando dos níveis de tinta, mas mesmo depois de arrumar os papéis e trocar o cartucho de tinta azul, essa coisa continua se recusando a cumprir ordens.

Como é possível que um smartphone seja capaz de fazer 20 coisas que nós nem sabíamos que um dia seriam necessárias e uma impressora ser incapaz de fazer a função pela qual foi batizada sem nos deixar nervosos, gritando, batendo na mesa e arrancando os cabelos? Por que as impressoras são tão, tão ruins?

Para encontrar essas respostas, entramos em contato com a fabricante de impressoras Brother — também conhecida como a fabricante da única impressora que um dia eu realmente amei. Steven Feldstein, Frank Martin e Bob Burnett da Brother muito gentilmente nos explicaram os motivos pelos quais algumas impressoras pode nos levar à loucura. (Spoiler: nem sempre é culpa delas).

1. Você e sua impressora não foram feitos um para o outro

Se você só passa raiva com a sua impressora, provavelmente é porque você levou a errada para casa. Faz sentido! Eu estava em um relacionamento ruim com impressoras por anos também. O problema era que eu estava comprando impressoras a jato de tinta quando o que eu realmente precisava era de uma a laser — esta aqui, para ser exato.

Tinta não é ruim, ela somente não é a melhor escolha para a maioria de nós. Se você planeja transformar suas fotografias digitais em memórias feitas de papel, tinta é o caminho. Mas se você passa meses sem imprimir nada e de repente precisa de um relatório de 60 páginas, a sua impressora não vai funcionar.

O problema: se você não usa a tinta com frequência, ela seca. “O cabeçote da impressora tem tem todos esses pequenos bicos que você precisa manter úmido ou eles entupirão, o que resultará em pontos perdidos na página”, explica o time da Brother. “Uma vez a cada poucos dias a maioria das impressoras a jato de tinta entram em um modo de limpeza para manter os cabeçotes limpos e molhados, então a impressora usará uma pequena quantidade de tinta enquanto estiver parada.” Então se você não for um usuário rotineiro, a impressora consegue facilmente expelir toda a tinta entre o momento em que você instalou um novo cartucho e o em que você finalmente decide usá-la. Isso aconteceu comigo. É um saco.

O que eu deveria ter levado para casa era uma impressora a laser. As impressoras a laser usam toners, que é pó em vez de tinta. O pó é aplicado ao papel sob demanda e então pressionado através de dois rolos a 148º C que o derrete na página. O toner não liga se você deixá-lo encostado por longos períodos e tem uma velocidade de impressão maior que a da tinta. Texto em toner tende a aparecer na página de forma “mais cristalina, com pretos mais profundos”, explica os caras da Brother, e ele dura mais, tornando a impressão a laser melhor para manter documentos por bastante tempo.

A pegadinha é que impressoras a laser são mais caras.

Como imprimir sem querer arrancar seus próprios olhos?

1. Pegue a melhor impressora para as suas necessidades. Laser para impressão preto e branco, a tinta para fotos.

2. Considere o ambiente. Uma impressora a jato de tinta em uma marcenaria, por exemplo, pegará muita poeira enquanto estiver secando — o que não é bom. E as a laser precisam de ar para manterem seus motores frios, então mantenha-a fora de estantes.

3. Leia o rótulo. Certos modelos de impressoras preferem certos tipos de papel. É melhor não sair muito disso.

4. Não confie nas configurações de fábrica. Quando for imprimir em um cartão grosso ou papel fotográfico especial, vá aos menos para fazer ajustes.

5. Faça as conexões direito. Se a sua impressora será usada por mais de uma pessoa, opte por uma wireless.

2. Culpe o papel

O papel, veja você, é um tipo de chateação das grandes. Se uma impressora tivesse que lidar apenas com um tipo de papel, seus rolos e molas poderiam ser refinados para aplicar a quantia exata de pressão ao longo de todo o sistema sem contratempos. Mas em vez disso as bandejas de impressoras estão atulhadas de papéis de diferentes espessuras, materiais de base e revestimentos, o que pode confundir o equipamento. A folha usada para fotos, por exemplo, é ao mesmo tempo lisa e pegajosa, o que pode fazê-la pegajosa aos rolos emborrachados. E certos tipos de papel reciclado podem soltar um tipo de “caspa” de papel que impregnam nos rolos e os fazem parar de funcionar corretamente. Ainda assim espera-se que as impressoras funcionem com todos eles de maneira confiável.

O papel também é influenciado pelo clima. Muita umidade e as páginas não irão querer se separar. O oposto também não é bom. Quando está muito seco, a eletricidade estática entra em ação. Ela também faz as folhas se agarrarem.

As fabricantes de impressoras lidam com isso de várias formas. Os engenheiros da Brother, por exemplo, se debruçam sobre a borracha usada em seus rolos, trabalhando pesado para encontrar o perfeito equilíbrio entre a correta firmeza e textura. Eles também têm diferentes configurações de impressão para papéis grossos, fotográficos e folhas que são mais inconsistentes.

3. Centenas de outras variáveis

A máquina precisa ser fluente em um número tal de diferentes sistemas operacionais, se virar quando não houver mais papel e outras situações. “É realmente um produto complicado  quando você vê o ecossistema completo”, disse o time da Brother. E além disso, nenhuma grande inovação mudará a forma com que as impressoras fazem o que fazem. As pessoas estão acostumadas a pagar relativamente pouco em suas impressoras e não parecem muito interessadas em pagar US$ 1.000 a mais para economizar alguns milisegundos do tempo de secagem das impressoras a jato de tinta. Está também à mercê do sistema operacional ao qual se conecta e do papel do qual se alimenta. Uma grande mudança teria que atingir diversas áreas da indústria.

De qualquer forma, não acabe com as suas esperanças. Quando melhor você aprende a usar a sua impressora, melhor ela trabalhará para você.

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Rachel Swaby é uma escritora freelancer que mora em San Francisco.

Foto do maior filme já feito, “Como Enlouquecer seu Chefe”.