Eu gostaria de abordar a questão política mais importante do milênio: Deveríamos construir uma Estrela da Morte?

Chegamos a esse debate este ano depois de alguns estudantes da Lehigh University estimarem que apenas o aço para uma Estrela da Morte custaria US$852 quadrilhões, ou 13 mil vezes o PIB atual da Terra. Kevin Drum diz que esta estimativa é muito baixa porém, no contexto de uma economia galáctica, uma Estrela da Morte é perfeitamente acessível e “vale muito a pena”. Seth MasketJamelle Bouie destacam a desvantagem militar de uma Estrela da morte, sugerindo que mais pessoas poderiam se rebelar contra o genocídio em massa do Império e que a Estrela da Morte seria o principal alvo de qualquer rebelião.

Eu tenho duas coisas para acrescentar. Primeiro, a Estrela da morte é um pouco mal interpretada. Ela é em primeiro lugar uma ferramenta de política interna ao invés de uma ferramenta de guerra, e deve ser comparada com meios alternativos de reprimir a população de uma galáxia. Além disso, como ferramenta de guerra ela deveria ser comparada a usos alternativo dos recursos de defesa. E ao ser interpretada corretamente, a Estrela da Morte não vale a pena.

A Estrela da Morte e o dilema do ditador

O problema clássico de democracia representativa é que os cidadãos precisam delegar poder aos líderes, e se assegurar que os líderes não irão usar esse poder para servir seus próprios interesses. Como James Madison afirma, “Na elaboração de um governo que será administrado por homens e sobre homens, a maior dificuldade está nisso: você primeiro deve permitir ao governo controlar os governados; e em seguida obriga-lo a controlar a si mesmo”. Os ditadores sofrem um problema similar de delegação de poder, mas ao contrário. Ditadores precisam delegar as tarefas de subjugar e taxar a população a forças de segurança internas, e de manter a segurança externa a governadores e generais subordinados. Entretanto, qualquer poder delegado pode ser usado para substituir o ditador. Forças de segurança internas podem assassinar o ditador ou unir-se para um golpe. Líderes militares podem usar suas forças para se rebelar contra o ditador ou separar-se do domínio do ditador com um pedaço de território. Então o ditador precisa projetar cuidadosamente o seu sistema de segurança para manter controle da população sem fortalecer rivais em potencial. Este desafio aumenta mais se os domínios do ditador forem muito dispersos ou conforme o número de ameaças externas. (Para mais informações sobre estratégia ditatorial, clique aqui. Cientistas políticos, fiquem a vontade para adicionar citações na sessão de comentários).

Eu vejo a Estrela da Morte como a solução do Império para o dilema do ditador. Primeiro, note que a sua construção precede a Aliança Rebelde; o projeto foi primeiramente desenvolvido pelos Separatistas no Episódio 2 e, na época que ele foi completado, a Aliança Rebelde tinha acabado de conseguir a sua “primeira vitória”. Apesar de ser algo útil para impedir possíveis invasores, a Estrela da Morte é em primeiro lugar uma ferramenta de políticas internas. Antes de completá-la, o Imperador é forçado a manter o Senado Imperial por perto, supostamente para manter a aparência de consentimento popular. Mas o senado impõe algumas intromissões ineficientes na estratégia militar, talvez para investir diretamente em alguns planetas favorecidos. Uma vez que a Estrela da Morte está funcionando, o Imperador dissolve o senado e dá poder a alguns governadores Imperiais para reprimir a população local e extrair lucros. Eis aqui a cena crítica:

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Mas como pode o Imperador se proteger contra a rebelião de um destes governadores? Ou uma revolta de uma população em um planeta? A resposta é simples: ele pode usar a arma mais cruel da galáxia, destruindo seus inimigos com o apertar de um botão. Nenhum inimigo poderia revidar, e a Estrela da Morte se move rápido o suficiente para acabar com várias ameaças em um curto espaço de tempo.

Note que este esquema dá uma resposta fácil para a pergunta, “como poderíamos bancar uma Estrela da Morte?” Se ele funcionasse, a Estrela da Morte se pagaria sozinha e ainda geraria um enorme lucro em tributações adicionais de planetas temerosos, e pelo dinheiro que não fosse gasto em acabar com revoltas com armas tradicionais.

Mas ela irá funcionar? Apenas se induzir cooperação através do medo. Cada planeta explodido representa uma enorme perda em potenciais lucros futuros. Bem como armas nucleares hoje em dia, o uso real de uma Estrela da Morte é uma calamidade. Além disso, assim como armas nucleares, elas só funcionam como uma proteção se usadas com cautela. Cidadãos por toda a galáxia precisam acreditar que falhar em pagar as taxas ou obedecer ao Império irá levar à detonação, mas que agir de acordo com as normas irá salvá-los. O fato que a Estrela da Morte foi usada contra Alderaan, entretanto, iria provavelmente ter o efeito oposto. Alderaan é “pacífica” e “não tem armas”. Foi detonada porque seu senador adolescente estava ajudando secretamente a Aliança Rebelde e demorou demais para entregar Dantoonie. Para mim, isso é um pouco Calígula demais para induzir a colaboração racional. Imagine só o papo que iria rolar em outros planetas:

Aldeão 1: Você ouviu que o Império explodiu Alderaan? Que tipo de governo explode um dos planetas mais ricos da galáxia por causa de um adolescente idiota? O próximo pode ser um de nós.

Aldeão Windu: Já chega! Eu já estou farto desses imperadores [censurado] e da sua Estrela da Morte [censurado]!

Se a intenção da Estrela da Morte seria fazer todas as pessoas na galáxia acreditarem que o planeta deles poderia ser o próximo a ser arbitrariamente destruído, isso na verdade faz com que eles se mobilizem e juntem-se à rebelião.

Se a Estrela da Morte é uma solução questionável para o problema de segurança interna, quais são as alternativas?

1- Democracia? Inaceitável para quem está buscando poder infinito. Sua confiança nos seus amigos é a sua fraqueza.

2- Uma academia Sith? Durante a Velha República os Jedis fizeram um bom trabalho fornecendo segurança interna por um preço baixo. Porque não repetir a limitação nos Siths e criar uma guarda pequena, barata e poderosa de lordes Sith?

Isso também é inaceitável. Um exército de Siths, mesmo que pequeno, seria um grupo grande de assassinos e rivais em potencial, todos visando tomar o trono. No fim, ter apenas um Sith por perto foi a ruína do Imperador; dúzias de Siths iriam levar a uma anarquia.

Por estes motivos, ditadores tem preferido delegar tarefas a subordinados que são inelegíveis a substituí-los, tais quais eunucos, cidadãos de classe baixa, guarda-costas estrangeiros, ou prisioneiros de um grupo social menos privilegiado. Isso me leva a:

3- Melhorar o sistema de segurança interna

A) Clones. O imperador já tem uma força militar de clones. Por que não uma estrutura administrativa de clones? Eles poderiam ser projetados para serem inteligentes, honestos e pouco ambiciosos, e seriam relativamente baratos. Isso ajudaria com os complicados problemas de recolhimento de impostos e execução de leis.

B) Dominação de elites planetárias. Existem métodos comprovados para ganhar cooperação sem ter que pagar por exércitos gigantescos ou viajar pela galáxia em uma máquina de destruir planetas. O imperador poderia obrigar as elites políticas e econômicas de cada planeta a enviar seus filhos (como reféns) para escolas imperiais, onde eles iriam aprender sobre todas as coisas incríveis que o Império está fazendo. Segundo, o Imperador poderia designar guarda-costas Imperiais para a elite de cada planeta para proteger aqueles que são leais, dedurar os que não são, e eliminar os piores. Se o Imperador tivesse seguido esta abordagem, a família Organa estaria comendo capim pela raiz e Alderaan ainda estaria pagando impostos.

C) Conquista dos planetas rebeldes pelo Império. Novamente, destruir um planeta é uma enorme perda para o tesouro Imperial. Seria muito mais lucrativo para o Imperador tomar à força os planetas rebeldes (uma vez subjugado por seu novo e melhorado exercito – veja abaixo), aprisionado os rebeldes e trazido colonizadores e trabalhadores Imperiais para manter a economia funcionando.

Melhorar o sistema de segurança interna é uma opção muito mais rentável do que uma Estrela da Morte para o próximo Imperador Sith.

A estrela da morte como uma super-arma?

Atualmente, quando assisto aos filmes de Star Wars, eu geralmente acho as batalhas simplistas porque não há muito pensamento estratégico. Como as pessoas poderiam realmente usar e combater estas armas futurísticas? A melhor exceção para este padrão é o ataque dos Rebeldes na Estrela da Morte no Episódio IV. Ao invés de tentar um ataque frontal em grande escala com suas naves mais fortes (a resposta antecipada) eles enviaram pequenas naves com uma vantagem: plantas da Estrela da Morte que revelavam um ponto fraco do tamanho de um rato womp.

Isso é o que os Rebeldes deveriam ter feito. Quando eu era um funcionário do Congresso trabalhando com políticas de defesa nos anos 90, um dos textos mais perspicazes que eu li foi “A desvantagem da tecnologia de ponta” de Richard K. Betts (National Interest, 1996) que chega à seguinte conclusão: uma vez que alguém tem a força para vencer qualquer um em uma luta justa, ninguém irá querer lutar limpo. Mesmo se o Império eventualmente construísse uma Estrela da Morte sem um erro no Design, seus inimigos iriam encontrar alguma maneira de combatê-la indiretamente. Por exemplo, quando não está destruindo planetas a Estrela da Morte também gosta de pegar naves que estão de passagem, trazê-las para dentro, e só então procurar por inimigos. Seria simples colocar uma nave como isca que estivesse equipada com uma bomba gigantesca e que fosse pilotada por um robô com ordens de detoná-la assim que estivesse dentro da Estrela da Morte.

Portanto, o Imperador não deveria esperar que uma única super arma iria derrotar todos os inimigos. Como Seth Masket nota, os mesmos recursos poderiam ser usados para fazer alguns investimentos muito necessários e de baixo risco nas forças armadas Imperiais. Alguns exemplos:

1- Segurança das informações. Não seria legal se uma sucata de 30 anos de idade que é estúpida demais para falar não pudesse hackear o sistema de computadores da Estrela da Morte em alguns segundos? Eu acho que sim.

2- Transporte dos Troopers. Como as forças armadas americanas se movem no deserto? Com os veículos de combate Bradley e Humvee. Como os patrulheiros de elite do futuro de deslocam? Em lagartos superdesenvolvidos:

É simplesmente vergonhoso

3- Mais robôs, por favor. Eu entendi: a “Guerra dos Clones” mostrou clones da República vs. os exércitos robôs dos separatistas e os clones ganharam. Apesar disso, ainda assim alguns desses robôs seriam muito úteis em situações táticas, talvez controlados por clones no solo.

4- Mais dróides de sondagem, por favor. Depois do fiasco Yavin, o Império enviou dróides para examinar sistemas remotos. Porque não manter alguns deles passeando por cada planeta permanentemente? Isso tornaria muito mais difícil de esconder qualquer rebelião.

5- Treino, treino, treino. Uma legião completa dos melhores stormtroopers do Imperador foi derrotada por uma vila de ursinhos de pelúcia armados com paus e pedras. É uma vergonha. Claramente eles precisam melhorar o treinamento em táticas, pontaria e combate mano-a-urso.

Novamente, eu acredito que um ditador racional iria fazer um uso melhor dos recursos que foram usados para construir Estrelas da Morte.

Em suma: a Estrela da Morte é ruim para a sua segurança interna e uma péssima distribuição de recursos militares.

Este artigo, por Gregory Koger da Universidade de Miami, foi originalmente publicado no The Monkey Cage. Ele foi republicado com permissão total do autor.