Parece estranho, mas o mineral mais abundante na Terra só ganhou um nome na semana passada, graças a um meteorito com um século de idade. O que? Como? Por que demorou tanto? Foram vários os motivos que fizeram com que a bridgmanite demorasse tanto tempo para receber um nome.

A primeira coisa que você deve saber é que, além da foto que abre esse post, você nunca viu a bridgmanite. O mineral anteriormente era chamado de silicato de perovskita e só existe em altas temperaturas e pressões no manto inferior da Terra, onde nenhum humano ou escavadeira se atreve a chegar. Isso é entre 660 e 2800 km abaixo da superfície da Terra. Mesmo que testes em laboratório e modelos apontaram a sua existência, geólogos nunca conseguiram ver a bridgmanite ou caracterizar a sua estrutura.

Entra em jogo um meteorito. Meteoros que colidiram com objetos no espaço e então caíram na Terra sobreviveram a temperaturas e pressões intensas – não muito diferente do que ocorre na crosta da Terra. Assim como diamantes, que podem se formar tanto no manto da Terra quanto por causa de uma colisão de meteorito.

Então uma equipe de mineralogistas decidiu estudar o meteorito Tenham, que caiu na Austrália em 1879. Especificamente, eles observaram as “veias induzidas pelo choque de fusão”, as cicatrizes das colisões violentas do passado do meteorito. Usando uma técnica chamada difração de raios x com luz síncrotron, que dispara raios-X poderosos em uma amostra, a equipe caracterizou a composição molecular do mineral (MgSiO3) e sua estrutura.

Mas ainda assim, se sabíamos sobre ele, por que não demos um nome? Acontece que a Associação Mineralógica Internacional, responsável por minerais, só permite que eles recebam nomes após sua estrutura ser conhecida. Então finalmente conseguimos isso: a bridgmanite, em homenagem ao físico Percy Bridgman, que ganhou um prêmio Nobel por estudos em física de alta pressão. Esperamos um bom tempo para isso, mas parece que chegamos a um nome apropriado. [GeoSpace]

Foto: Chi Ma via AGU