Espere um pouco antes de gastar R$ 7 mil em um iPhoneX. Não gaste horrores em um celularcaro da Samsung, Google ou qualquer outra marca. Você realmente precisa do aparelho topo de linha? A lista de razões para não comprar um dos celulares mais recentes e mais caros fica maior a cada ano.

Os celulares intermediários estão melhores do que nunca

O Moto G5 Plus, uma pechincha. Imagem: Motorola

Em um passado não muito distante, a compra de um celular intermediário significava um sistema operacional lamentavelmente atrasado, um desempenho lento logo que saía da caixa, e câmeras que poderiam ser facilmente superadas pela webcam da parte frontal do seu notebook.

A situação mudou e tem mudado há algum tempo. Hoje, os smartphones médios vêm com telas ao menos Full HD, desempenho que não vai fazê-lo querer jogá-los na parede em frustração e câmeras que fazem um bom trabalho, a não ser que você esteja tentando tirar fotos no escuro ou tentando entrar em um concurso de fotografia.

O Moto G5 Plus, por exemplo, possui a boa pretensão de ser o melhor celular econômico do ano. Por R$ 890, você recebe um bom processador Snapdragon 625, uma tela de 5.2 polegadas com 1.920 x 1.800 pixels e generosos 4 GB de RAM. Essa é a mesma quantidade de RAM que você vai encontrar, digamos, no Samsung Galaxy S8.

Nós não estamos tentando fingir que não há nenhuma diferença notável no desempenho entre os vários níveis de telefones, porque não é verdade, mas se realmente vale a diferença de preço, isso já é outra questão. Quando foi a última vez que você se aventurou para fora de aplicativos como WhatsApp e Twitter para fazer algo que realmente testou o hardware do seu celular?

Os topos de linha não estão inovando ano a ano

O Pixel 1, continua um bom telefone. Imagem: Google

Na maioria dos casos, os topos de linha do ano passado ainda estão à venda – se você quiser se aventurar pelo Mercado Livre, você pode voltar ainda mais no tempo. As versões de 2017 são melhores? Sim. Tão melhores assim? Não, não realmente.

Considere o seguinte: por R$ 2.815, o iPhone 7 consegue fazer tudo o que o iPhoneX de R$ 7 mil consegue, exceto recarregar sem fio ou ser desbloqueado com seu rosto. Ah, e a tela é um pouco menor, e as molduras, um pouco mais grossas. Isso representa R$ 4.185 na diferença de preço para duas funções que você pode nem achar tão úteis de qualquer jeito.

Alternativamente, tente identificar as diferenças entre a câmera traseira do Samsung Galaxy S7 e a de um equivalente no Samsung Galaxy S8. Nós vamos te dar uma pista – não há nenhuma, exceto por alguns truques de processamento de imagem ligeiramente mais inteligentes disponíveis no modelo mais novo. Ambos os celulars apresentam uma câmera de 12 megapixels, f/1.7, com estabilização de imagem óptica.

Esta é a forma como o mercado está agora: um pouco de impermeabilização aqui, um pouco de recarregamento sem fio ali, um incremento na velocidade. Embora não exista nenhuma dúvida de que o Pixel 2 seja um telefone melhor do que o Pixel original, este último custa US$ 100 a menos nos Estados Unidos, tem uma bateria maior e vem com um fone de ouvido.

Os preços continuam subindo

Junte a sua grana para o iPhone X. Imagem: Alex Cranz/Gizmodo

Você com certeza notou que o iPhone X começa em R$ 7 mil, enquanto o Samsung Galaxy S8 sai por pelo menos R$ 2.800, e o Google Pixel 2 XL está tabelado na marca de US$ 850 nos EUA.

Esses são preços bem altos, e a tendência parece estar indo nessa direção. Já faz um bom tempo desde que um celular topo de linha apareceu entre os fabricantes de grandes nomes com um preço significativamente abaixo das expectativas (Nexus5, alguém?).

O dinheiro é seu, claro, mas você pode escolher por manter o seu telefone atual e gastar R$ 7 mil em um notebook novo em folha, ou comprar um bilhete de avião para, você sabe, qualquer lugar do mundo. Ou talvez você poderia comprar (quase) três malditos iPhones SE.

Os altos preços seriam um pouco mais fáceis de digerir se os smartphones intermediários estivessem apenas um pouco atrás, mas não é o caso. Por exemplo, você pode pegar o bem decente Nokia 6 com o Android padrão por R$ 1.315, destravado. A cada ano que passa, a oferta de celulares mais baratos e maior valor fica maior.

Você não vai perder em aplicativos ou atualizações

 

O iOS 11 não é exclusivo do iPhone X. Imagem: Apple

Como mencionado acima, muitas das melhorias dos topos de linha deste ano são cosméticas – em termos de software e dos aplicativos que podem ser executados, eles são quase idênticos aos aparelhos médios e aos topos de linha do passado. O iOS 11, por exemplo, pode rodar em qualquer outro iPhone, desde os 5S em diante, o Instagram para iOS pode rodar em qualquer dispositivo que aguente o iOS 9.0, e assim por diante.

Do lado do Google da cerca, o Android tem um problema bem conhecido de fragmentação, mas considerando que todas as atualizações de aplicativos do Google são separadas do sistema operacional, não é uma questão tão grande quanto você pode imaginar. O Android em si é agora basicamente um conjunto de protocolos e configurações subjacentes – o maior recurso novo no Android 8.0 Oreo é ser capaz de suspender as notificações –, então aqueles de vocês que ainda estão no 6.0 e 7.0 não está perdendo muito.

Para ser claro, é melhor estar nas atualizações do sistema operacional mais recentes, e os seus aplicativos vão ser mais rápidos em hardware mais recente, mas o ponto é que essas diferenças estão se tornando cada vez menores a cada rodada de lançamentos.

Talvez você ainda vá ficar louco com o iPhone X e realmente tirar o máximo de proveito desse novo recurso de carregamento sem fio que a Apple introduziu este ano. Ou talvez você já esteja apaixonado pelo seu Samsung Galaxy S8 e esteja assistindo a um monte de Netflix na sua encantadora tela. Para a maioria de nós, no entanto, o apelo principal não é mais o que costumava ser.

Imagem do topo: Apple