A Safernet é uma ONG que, há anos, recebe e processa denúncias de crimes diversos praticados na Internet. Hoje ela colocou no ar, uma ferramenta que concentra e expõe dados das denúncias de crimes realizadas desde 2006 a partir de diversos bancos de dados.

Central Nacional de Denúncias de Crimes Cibernéticos permite filtrar informações por país e/ou período. Ela engloba 3,1 milhões denúncias relacionadas a 463 mil páginas únicas feitas nos últimos seis anos no mundo inteiro, a maioria, 99%, anonimamente. Vale notar que a ferramenta abrange mesmo aquelas que se mostraram infundadas, ou seja, que não configuravam crime algum.

Para chegar a esses números, a Safernet utiliza dados de seis órgãos (além dos seus próprios): Polícia Federal, Câmara, Senado, Secretaria de Direitos Humanos, Ministérios Públicos Federais de Minas Gerais e da Paraíba. O site será atualizado mensalmente.

Tanto no Brasil quanto no mundo, o crime com mais denúncias é o de pornografia infantil — 38,65% e 40%, respectivamente. Boa parte desse conteúdo, 97,6% para ser mais preciso, não está hospedada aqui, o que dificulta a ação da polícia devido a problemas envolvendo jurisdição e burocracia. Na sequência aparecem crimes como racismo, apologia ao crime, homofobia, intolerância religiosa e xenofobia. O gráfico abaixo mostra os dados brasileiros do período:

Crimes denunciados no Brasil.

Outro dado curioso é a origem, o site onde os crimes foram cometidos. Como a ferramenta consolida dados desde 2006, o orkut aparece em destaque, respondendo por ~70% delas nesse intervalo. Nos últimos anos, porém, ele vem perdendo força e a rede social mais popular do momento, o Facebook, ganhando — em 2012, até agora, o site já atende por 19% das denúncias feitas.

Todas as denúncias feitas à Safernet são processadas por mecanismos automatizados e, depois, por voluntários. Após essas análises, elas são remetidas para as autoridades competentes. Nos últimos anos, as denúncias que hoje integram o recém-lançado site colaboram com sete operações da Polícia Federal, seis delas contra a pornografia infantil. [G1, Folha]