Quando estava em Las Vegas em janeiro, vendo o Atrix ser oficialmente revelado pela primeira vez, ele foi descrito como “o smartphone mais poderoso do mundo”. Pensei comigo mesmo, “isso não dura muito, logo chega um concorrente e rouba esse título”. Só que a Motorola usou a expressão nas propagandas, e mesmo depois que aparelhos mais potentes – em especial o Galaxy S II – foram lançados pela concorrência. No Reino Unido, isso não pegou bem. Isto realmente é um problema?

O Engadget reproduz um documento da ASA (Advertising Standards Authority), entidade britânica que regula a propaganda no país – a mesma que baniu propagandas com Photoshop em excesso. A ASA acatou uma reclamação de consumidor, segundo a qual a propaganda do Atrix é enganosa porque o Samsung Galaxy S II “tem processador mais potente”. A Motorola respondeu, dizendo que o Atrix é poderoso por uma série de motivos: além do Tegra 2 dual-core, ele pode virar um netbook e até rodar Windows através do Citrix – o Galaxy S II não faz isso.

…[A] propaganda não afirmou que o processador do Atrix era o mais rápido, e sim focou na combinação de funções de desempenho e habilidades do produto. A Clearcast disse que a visão da Motorola era que “o smartphone mais poderoso do mundo” não era baseado apenas em RAM e velocidade do processador, e sim em uma combinação única de funções.

A meu ver, faz todo o sentido. O problema é que, em inglês, a palavra “powerful” (em “world’s most powerful smartphone”) pode significar tanto “poderoso” como “potente”. A Motorola argumenta que ele não é o mais potente, mas ainda é o mais poderoso.

Não adiantou: a ASA aparentemente acatou a reclamação, e a Motorola deve ser obrigada a mudar suas propagandas para o Atrix. Mas órgãos de fiscalização de publicidade deveriam proibir isso? Imagino que a Samsung poderia estar em maus lençóis também, caso alguém note que o Galaxy S II só é o “smartphone mais fino do mundo” se você o medir pela parte mais fina – e desconsiderar o calombo da câmera.

Exageros na propaganda precisam ser eliminados, mas exageros na fiscalização também. Se a mesma regra valesse para o Brasil, como ficaria a situação da doceria cujo nome é O Melhor Bolo de Chocolate do Mundo? Vou reclamar no CONAR dizendo que eu faço melhor. [Engadget]