Jabulani. A palavra, em Zulu, significa “celebrar”. Que belo e imponente nome para uma bola de futebol, não? O que ninguém esperava é que ela ganhasse outros apelidos não muito bacanas como “bola de supermercado”, “patricinha”, “bola de praia” e ainda ouvisse adjetivos como “horrível”, “podre”. O que deu errado na bola da Copa do Mundo, antes mesmo de ela começar?

As reclamações em relação à Jabulani começaram assim que as seleções iniciaram seus treinos na África do Sul. No Brasil, os que mais reclamaram foram o goleiro Júlio César, claro, e o atacante Luís Fabiano. O primeiro diz que a bola é mais leve e faz até quatro curvas antes de chegar ao gol. Além de batizá-la de “bola de supermercado”, as clássicas Dente de Leite que você encontra por aí, o camisa 1 ainda reclamou: “todo mundo quer ver gol, aí a bola é que muda”, disse, defendendo seu peixe como goleiro.

Mas as lamúrias vêm de várias posições do campo, e de vários países. Luís Fabiano disse que, quando cruzada, a Jabulani pega uma curva estranha e que é fácil perder o tempo dela na hora do cabeceio. Pior foi Felipe Melo, que disse que as bolas comuns são “mulher de malandro, estão ali para serem chutadas, enquanto essa bola é mais patricinha, não quer ser chutada”. Nas outras seleções, os protestos também ganharam eco, quase sempre pelos goleiros, caso de Bravo, do Chile, e Iker Casillas, da Espanha. “Ela é podre”, disse o espanhol, sem pudor algum.

Mais leve, mais rápida, o que pode ter de errado na Jabulani? O peso determinado pela FIFA para bolas profissionais varia de 420 gramas a 445 gramas. A “celebração” sul-africana pesa 440 gramas, ou seja, ela não é das mais leves. Como as bolas comuns, ela tem 69 centímetros de circunferência. Seu diâmetro também está dentro dos padrões, com 1% de diferença máxima – até 1,5% é permitido. E então, cadê o problema?

Faltou pegada (e treino)

O detalhe que anda incomodando muita gente pode estar na nova tecnologia que a Adidas empregou à pelota, batizada de grip’n’groove. Em vez dos doze gomos que a bola Zeitgeist usou na última Copa, a Jabulani diminuiu o número para oito e foi construída à base de termo-poliuretano e EVA (etil-vinil-acetato). Ironicamente, as novas ranhuras adicionadas dentro e fora da bola, criadas para eliminar qualquer tipo de falha de encaixe no pé ou na mão, foram feitas para facilitar a vida dos goleiros, segundo a empresa. Ela teria uma “pegada” em qualquer situação climática, argumento que o goleiro Bravo não concorda de jeito nenhum: “é uma bola imprevisível, com uma textura diferente que a deixa de ser agarrada se estiver molhada”, esbravejou.

A Adidas emitiu uma nota dizendo que não há nada de errado com sua criação e que muitos testes foram feitos com a Jabulani, e que ele foi utilizada em várias ligas. Realmente, a bola já tinha corrido pelos campos no Mundial  de clubes da FIFA do ano passado e na última Copa da África, mas numa versão especial para o torneio. Thomas van Schaik, porta-voz da Adidas, ainda jogou a culpa para os jogadores: “distribuímos a bola para todos os participantes do Mundial antecipadamente. Aparentemente, eles não tiraram vantagem disso.”

Curiosamente, todos os jogadores que estão criticando a bola são patrocinados por outras gigantes do ramo futebolístico, como Nike e Reebok. Kaká, o garoto-propaganda da Adidas, ainda não se pronunciou em nenhuma coletiva sobre a Jabulani, mas em seu lançamento o meia elogiou muito o seu primeiro contato com a redonda.  Desculpa clássica de boleiro de fim de semana para justificar aquela furada? Motivos de patrocínio? Ou a Jabulani é ruim mesmo? Se o problema está na fabricação, dá uma olhada no vídeo dela sendo construída: