Novos dados apresentados nesta semana pela NOAA e NASA mostram que em 2016 as temperaturas globais atingiram novos recordes. É o terceiro ano seguido em que os termômetros marcam números cada vez maiores. E embora o fenômeno El Niño tinha sido citado como um fator contribuinte, os pesquisadores disseram que a tendência do aquecimento global é indiscutível.

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Como mostrado no novo relatório, as temperaturas médias globais tanto na terra quanto no oceano em 2016 ficaram 0,94 graus Celsius acima da média do século 20 – de 13,9 graus Celsius. As temperaturas médias no ano passado foram 0,04 graus Celsius maiores do que as de 2015. Isso torna 2016 o ano mais quente desde que a NOAA começou a realizar os registros, em 1879.

Esta é a quinta vez que os recordes de temperaturas são quebrados neste século (junto com 2005, 2010, 2014 e 2015), e é o 40º ano consecutivo que atingimos uma temperatura anual acima da média do século 20. Todos os anos do século 21 estão entre os 17 períodos mais quentes já registrados, sendo 1998 o oitavo mais quente.

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O mapa temático de temperatura de 2016 mostra todo o globo em preocupantes tons vermelhos. “Realmente isso que observamos em 2016 é o aquecimento global, muito mais presente do que em 2015”, apontou Deke Arndt, cientista-chefe de clima da NOAA, numa coletiva de imprensa. Seu colega, Gavin Schmidt, do Instituto Goddard de Estudos Espaciais da NASA, disse que “a tendência que temos observado desde os anos 1970 estão continuando e não diminuíram de nenhuma forma”.

O Ártico em particular sofreu um grande baque, surpreendendo até mesmo os cientistas. As temperaturas no Alaska, Yukon e partes do leste da Sibéria sofreram crescimentos médios de 4 graus Celsius desde a era pré-industrial. “Não há dúvidas de que os impactos da mudança climáticas estejam sendo sentidos primeiramente e principalmente [no Ártico]”, disse Schmidt. O aquecimento dessas regiões nórdicas resultaram numa maior erosão costeira, infraestrutura de transporte danificada, derretimento do permafrost e vegetação se deslocando para áreas tipicamente reservadas para a tundra. “O aquecimento do Ártico tem sido especialmente singular”, disse ele.

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A presença de um padrão climático de aquecimento conhecido como El Niño levou as temperaturas globais para valores valores acima dos normais em 2015 e 2016, mas os pesquisadores afirmam que esta não foi a única causa.

O El Niño de 1998, por exemplo, levou as temperaturas do mundo todo a níveis recordes também, mas não chega nem perto do que aconteceu em 2016. Existe uma outra coisa rolando – especificamente, o aquecimento global causado pelos humanos. “Esse [último] El Niño pode ter contribuído com cerca de um quarto ou um terço do recorde atingido em 2016”, disse Arndt, afirmando ainda que “não se trata de um fator na tendência global de longo prazo”.

Olhando para 2017, a tendência de resfriamento que virá com a La Niña pode significar que o quarto ano consecutivo de recordes de altas temperaturas não aconteça. Alguns céticos sobre a mudança climática podem usar isso como uma oportunidade para afirmar que o aquecimento global não é real, mas “as pessoas são experientes o suficiente para ver o quão transparente isso é”, disse Arndt. Os pesquisadores preveem que 2017 não irá quebrar o recorde novamente, mas ainda assim acreditam que ele irá figurar entre os cinco mais quentes da história.

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Durante a coletiva de imprensa, os pesquisadores da NASA e NOAA enfatizaram a importância de se focar no cenário geral, e não apenas na tendência observada nos três últimos anos. “Nós temos o costume de focar no ano passado, mas na medida em que é importante avançar, a tendência de longo prazo é mais relevante”, disse Arndt.

A administração de Trump seria sábia em reconhecer e analisar esse relatório. No entanto, o presidente eleito escolheu nomes como Scott Pruitt, procurador-geral do Oklahoma, e Rex Tillerson, CEO da ExxonMobil – ambos céticos sobre a mudança climática – para comandar secretarias envolvidas com o tema, o que sugere uma Casa Branca pouco favorável ao meio ambiente.

Ao ser questionado sobre como o novo relatório poderia influenciar a política climática dos EUA nos próximos quatro anos, Arndt respondeu timidamente: “Nós fornecemos essas avaliações ao povo americano e nossa missão é descrever o estado do clima”. Ele não quis comentar nada além disso.

[NOAA/NASA]

Imagem do topo: Registros de temperaturas em 2016. Créditos: NASA/NOAA