O Royal Mint, a Casa da Moeda Real da Grã-Bretanha, lançou 300 milhões de novas moedas de uma libra para circulação na terça-feira (28). O dinheiro está repleto de medidas modernas anti-falsificação, incluindo uma que as autoridades britânicas sequer comentam. É coincidência que isso tenha acontecido no dia seguinte à ativação da saída do Reino Unido da União Europeia, pela primeira-ministra britânica Theresa May? Provavelmente.

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As novas moedas bimetálicas são levemente mais finas e leves que as antigas moedas de uma libra e apresentam uma borda de 12 lados, alternando entre uma superfície moída e outra lisa, o que torna fácil identificá-la em seu bolso. O lado da frente mostra o quinto retrato cunhado da Rainha Elizabeth, enquanto o lado traseiro traz a imagem de uma rosa de Tudor, um alho-poró, um cardo e um trevo shamrock (símbolos de Inglaterra, País de Gales, Escócia e Irlanda do Norte, respectivamente) conectados a uma haste que cresce de dentro da coroa. Assim como outras moedas britânicas, a imagem na parte de trás irá mudar quando novas moedas entrarem em circulação.

Mas o que realmente diferencia a nova moeda de uma libra são suas características anti-falsificação. Primeiro, há inscrições minúsculas próximas à borda da moeda, cravadas em metal, usando uma ferramenta de corte a laser cara, que o impostor médio teria muita dificuldade de conseguir.

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Imagem: Royal Mint / Gizmodo

A dianteira da moeda também apresenta uma tal de “imagem latente”. Usando um efeito similar ao de um holograma, lenticular, a superfície elevada da moeda mostra um “1” quando vista de uma direção e o cifrão “£” quando vista de outra.

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Imagem: Royal Mint / Gizmodo

O recurso de segurança principal, entretanto, é muito mais elusivo. O Royal Mint não fala muito sobre ele, exceto que possibilita que máquinas especiais leiam e verifiquem a autenticidade das novas moedas. A Casa da Moeda Real Britânica também diz que uma tecnologia parecida já está em uso em algumas notas. Alguns teorizam que pode haver um chip minúsculo RFID ou NFC embutido debaixo de uma camada fina de metal, que envia uma assinatura criptográfica à máquina (isso parece de certa forma viável, já que a Arábia Saudita tem trabalhado em incorporar chips RFID em suas notas há alguns anos).

Outra possibilidade é que haja apenas uma camada de um tipo específico de metal que muda as propriedades condutoras ou magnéticas da moeda. Independentemente do segredo, o Royal Mint parece muito confiante de que tenha criado uma moeda que simplesmente não pode ser copiada.

“Em 30 anos de cunhagem — e em meus 20 anos aqui —, provavelmente nunca houve uma mudança significativa na maneira como tornávamos as moedas seguras. Isso é um grande salto para nós”, afirmou Gordon Summers, cunhador chefe do Royal Mint, em entrevista à Wired UK. “É, atualmente, impossível de se copiar essas moedas anti-falsificação. Não é difícil, é impossível.”

Se for verdade, isso poderia ajudar a retirar de circulação milhões de moedas de uma libra falsificadas. O Royal Mint afirma que, a cada 30 moedas de uma libra em circulação hoje, uma é falsa, o que é um pouco impressionante se você considerar o tanto de trabalho que dá falsificar moedas.

As novas moedas de uma libra entraram em circulação em 28 de março, e as antigas começarão a serem tiradas de circulação em 16 de outubro. Mas será apenas questão de tempo antes que algum youtuber empreendedor decida serrar uma dessas novas belezinhas ao meio para ver como a sua nova e misteriosa “função de alta segurança” de fato funciona.

[Royal Mint]