Relâmpagos são um negócio maluco. São raios supercarregados de eletricidade se estendendo do céu ao solo que podem matar pessoas. Mas eles também podem produzir reações nucleares, de acordo com uma nova pesquisa.

Cientistas sabem há muito tempo que trovoadas podem produzir radiação de alta energia, como esta de dezembro de 2015, que atingiu uma cidade litorânea japonesa com radiação gama. Mas agora uma outra equipe de pesquisadores do Japão está relatando ter provas conclusivas de que esses raios gama estão desencadeando reações de alteração de átomos como as vistas em um reator nuclear.

Basicamente, escrevemos anteriormente que os cientistas “acham que raios gama de alta energia interagiam com nitrogênio na atmosfera, levando à produção de nêutrons”. Com esse novo estudo, publicado nesta quarta-feira (22) na Nature, uma equipe diz saber agora que isso está, de fato, acontecendo.

Trovoadas de inverno são comuns na costa do Mar do Japão, o que o torna um lugar consumado para estudá-las. Essas medições, de acordo com o novo estudo na Nature, vêm de um par de relâmpagos ocorridos em 6 de fevereiro de 2017, que deixaram bastante radiação em quatro detectores, entre 0,5 km e 1,7 quilômetros de distância. Depois de um clarão, veio um resplendor de radiação por até um minuto. Após analisar os dados e as energias das partículas que saíram, os pesquisadores sentiram que haviam, conclusivamente, observado os resultados desses raios gama expulsando nêutrons dos átomos de nitrogênio.

Isso é legal por vários motivos. Mais notavelmente, você talvez lembre que átomos como carbono e nitrogênio recebem sua identidade de seu número de prótons, mas eles podem vir em “diferentes sabores” baseado no número de nêutrons. Esse resultado poderia “oferecer um canal anteriormente desconhecido por meio do qual gerar isótopos mais raros de carbono, nitrogênio e oxigênio de forma natural na Terra”, diz o estudo.

Ao menos um outro pesquisador achou os resultados convincentes. As observações são uma “indicação conclusiva da aniquilação elétron-pósitron”, um subproduto inesperado de alguns desses decaimentos radioativos, “e representam provas inequívocas de que reações fotonucleares podem ser desencadeadas por trovoadas”, escreveu Leonid Babich, pesquisador do Centro Nuclear Federal Russo-Instituto de Pesquisa Experimental Russo, em comentário na Nature.

Como seria de se esperar, é preciso mais trabalho para determinar quantos desses isótopos são criados por relâmpagos e o que mais os relâmpagos podem criar.

Mas é bem maluco pensar que, quando surge um relâmpago, é como se a Terra estivesse operando um reator nuclear temporário.

[Nature]

Imagem do topo: Dmitry Kalinin/Flickr