O artista Pete Ashton levou o “regram” ao extremo. Para seu novo projeto “Eu estou sentado no Stagram“, ele republicou a mesma foto no Instagram 90 vezes – e surpreende como a qualidade da imagem é reduzida em relação à primeira foto.

>>> Isso é o que acontece se você subir o mesmo vídeo 1000 vezes no YouTube

Como aponta o PetaPixel, o trabalho é um exemplo perfeito de perda geracional: cópias de cópias de cópias ficam cada vez piores, a menos que você use ferramentas “lossless”, que não reduzem a qualidade.

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Um vídeo publicado por I Am Still Sitting In Stagram (@sitting_in_stagram2) em

O método empregado por Ashton é um pouco “arcaico”. Em vez de usar um app específico para republicar a foto – como o Regram no iOS, InstaRepost no Android ou 6tag no Windows Phone – ele faz o regram manualmente. Isto é, ele tira uma captura de tela e a envia para o Instagram.

A captura de tela é salva em PNG, mas os servidores do Instagram convertem a imagem para JPEG, da qual você tira um screenshot salvo em PNG – e o ciclo se repete 90 vezes. Dessa forma, a compressão de imagem é levada às últimas consequências. As imagens estão nas contas @sitting_in_stagram e @sitting_in_stagram2.

Seria curioso ver como a qualidade piora ao usar apps para republicar as fotos: como eles usam os arquivos originais da imagem – em vez de capturas de tela – imagino que a degradação seja mais lenta.

O homem na foto não é qualquer um: trata-se do compositor experimental Alvin Lucier, autor do conhecido projeto “Eu estou sentado em uma sala” (1969). Nele, Lucier gravou sua voz recitando um texto, depois deu play e gravou novamente, repetindo o processo até o efeito do eco distorcer sua voz completamente.

Em 2010, o projeto foi adaptado para o YouTube: o videoartista Patrick Liddell enviou um vídeo recitando o mesmo texto de Lucier, então baixou o vídeo e o enviou novamente. Ele fez isso 1.000 vezes, e o resultado ficou quase psicodélico.

Tudo isso mostra como a perda geracional faz parte da nossa vida digital. Fotos em alta resolução ficam distorcidas e pixelizadas à medida que migram entre Facebook, Twitter e Instagram. A situação só piora se alguém resolver adicionar texto ou marca d’água na imagem. Nós sabemos que a perda por compressão existe – mas precisamos nos acostumar cada vez mais a ela. [Pete Ashton via PetaPixel]

Imagem por Pete Ashton