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[Review] Moto G: a vitória do Android bom e barato

Aqui no Gizmodo Brasil falamos bastante sobre os principais smartphones do mercado – os mais potentes, os premium, aqueles que fazem a tecnologia avançar. iPhone 5S, Samsung Galaxy S4, HTC One, Nexus 5, Sony Xperia Z1, Nokia Lumia 1020, entre outros. Mas, no Brasil, o preço desses aparelhos está cada vez mais alto. Por outro lado, a base da pirâmide (e a sua parte intermediária) segue um caminho diferente.

Talvez motivadas pela isenção fiscal concedida a smartphones no começo do ano, ou então como medida para atrair mais gente para o mundo dos smartphones, fabricantes estão lançando aparelhos a preços mais acessíveis no Brasil. Mas, antes, a diferença de desempenho entre o mais potente e o mais barato era enorme – isso impedia, por exemplo, que recomendássemos aparelhos que custassem menos de R$700 com Android: aparelhos com 512MB de RAM, que em poucos meses sofriam com travadas e lentidões, e deixavam os usuários na mão. Hoje, isso mudou: é possível sim viver – e muito bem – com uma opção de Android mais barato.

Há algumas semanas a Motorola – que lançou neste ano aparelhos ótimos como o Moto X e os acessíveis Razr D1 e D3 – deu um passo significativo para oferecer aparelhos bons a preço baixo. Ele é o Moto G, que custa a partir de R$ 650 e promete desempenho que não faz feio em comparação com opções mais robustas. Mas, na prática, isso é verdade? Você descobre a seguir, mas adiantamos um bom spoiler: felizmente, sim.

Design

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Não há muita diferença no design do Moto G para o Moto X. Eles são irmãos quase idênticos; as diferenças mínimas envolvem a tela menor no Moto G (4,5 polegadas contra 4,7), o que gerou uma moldura um pouco maior. Não há mais tanto aquela impressão da parte frontal ser apenas uma tela, como no X, mas não é como se a moldura fosse enorme. São diferenças sutis.

A câmera frontal está na parte superior esquerda ao lado do LED de notificações. No lado direito encontramos os botões de controle (ligar/desbloquear a tela e aumentar/diminuir volume). Acima está a entrada de fone de ouvido e abaixo a porta micro USB e o microfone. Na traseira, a câmera aparece alinhada no centro da parte superior, logo acima do flash e do logo da Motorola, e à direita do alto-falante.

O display TFT de 4,5 polegadas tem resolução 1280×720 e 329 pixels por polegada. Ela é bem impressionante, principalmente ao se considerar a faixa de preço do aparelho, certamente deixando concorrentes próximos para trás. A tela é bem nítida mesmo sob a luz do sol, e o ângulo de visão é excelente.

Desta vez a traseira é removível, mas não a bateria. A Motorola venderá diversas capinhas diferentes para o Moto G. Inicialmente achei quase impossível remover a tampa, mas logo peguei o jeito. Ela está muito bem presa ao aparelho, e isso dificulta bastante a remoção. Uma possibilidade é tentar soltá-la a partir da entrada Micro USB na parte inferior do aparelho – é provavelmente o modo mais fácil, mas ainda assim você usará dois ou mais dedos e é bom ter unhas para isso. Ou então você pode tentar soltar a tampa a partir de uma das laterais superiores – novamente, vai exigir alguns dedos e bastante esforço.

Vejo isso como um problema grave no corpo do aparelho. A Motorola promove a troca de capinhas, mas ela poderia ser muito mais simples. Vamos pegar o Samsung Galaxy S3 como exemplo. A tampa dele é removível, e é bem fácil soltá-la. Tanto na parte inferior quanto na superior você encontra um pequeno buraco para começar o trabalho: posicione a unha nesse buraco e a tampa vai começar a se soltar. Depois, use uma das suas mãos e remova o resto da tampa. É simples, é rápido, e nem é um aparelho que ganha destaque por ter capinhas coloridas para você trocar (vale aqui lembrar que o modelo de 16GB será vendido com quatro tampas removíveis).

Ao enfim conseguir retirar a tampa você encontra a entrada de micro SIM – ou micro SIMs, no caso da versão dual chip. Na caixa do aparelho você encontra ainda o carregador USB (sim, vem um carregador completo, e não apenas o cabo).

Diferenças de lado, temos basicamente o mesmo Moto X levemente menor. A traseira ainda é arredondada e se encaixa perfeitamente na mão, o aparelho ainda é surpreendentemente compacto considerando o tamanho da tela, e a traseira de plástico dá a sensação de durabilidade. Ele tem um aspecto menos premium do que o Moto G, mas em momento algum parece um aparelho de baixa qualidade.

Usando

Software

Seguindo a tendência que já vem de algum tempo na Motorola, o Moto G usa o Android quase puro. Desta vez ele sai de fábrica com o 4.3 Jelly Bean, mas a atualização para o 4.4 KitKat está a caminho (chega em janeiro). Visualmente, é o mesmo Android encontrado na linha Nexus e Google Play Edition, com algumas pequenas adições de software por parte da Motorola.

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Você encontrará todos os apps básicos do Google – Gmail, Google+, Hangouts, Maps, Play Música, Play Filmes, Play Livros, YouTube, Drive, Chrome, entre outros – junto com alguns da própria Motorola. Enquanto o Moto X “prestava atenção” no que acontecia ao seu redor, o Moto G não faz nada disso. Não é só falar “Ok Google Now” para o aparelho ser acordado. Ele também não percebe que você está no carro para ativar o modo direção. E nada de balançar o smartphone para ativar a câmera. Aqui temos um aparelho simples com recursos básicos. É o suficiente considerando a faixa de preço do Moto G. Mas confesso que senti falta da Active Display – esse o meu recurso preferido do Moto X. Com ela, você não precisa acender a tela do smartphone para ver horário nem notificações – essas informações pulsam na tela. O Moto G é como qualquer outro smartphone com Android e tem aquele LED para notificações que fica piscando e nos deixando desesperados até ver o que está acontecendo no aparelho.

Não temos aqui softwares pensados para facilitar o uso do aparelho no dia a dia, como no Moto X, mas as adições são interessantes O Motorola Assist adapta as configurações do seu smartphone de acordo com o momento do dia (quando você entra em uma reunião marcada na sua agenda, por exemplo, ele pode entrar no modo silencioso automaticamente), enquanto o Migração Motorola facilita a transferência de arquivos do seu smartphone antigo para o novo. Ainda há o Moto Care, que facilita a busca por ajuda caso seu telefone tenha algum problema. Você pode buscar ajuda em texto, ou, se não encontrar o que está procurando, pode entrar em contato com um representante da Motorola – por telefone ou bate-papo.

Ainda encontramos o BR Apps, necessário para inclusão do Moto G na isenção fiscal de smartphones. A Motorola escolheu por apresentar apenas um app com sugestões de apps brasileiros para serem instalados no seu aparelho – a partir desse app, você pode baixar o Dieta e Saúde, iPostal, Kekanto, Apontador, BoaLista e MeuCarrinho. Uma das maiores preocupações de usuários de Android com a exigência dos apps nacionais era de que o smartphone viria cheio de bloatware; felizmente a lei possibilita essa alternativa. Não é necessário ter os apps instalados de fábrica, mas é bom que você tenha uma forma simples de encontrá-los.

Desempenho

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Por dentro, o Moto G tem especificações técnicas bastante competentes – processador Snapdragon 400 quad-core de 1,2 GHz, chip gráfico Adreno 305, 1GB de RAM. Não há o sistema de oito núcleos do Moto X, mas tudo bem. Estamos falando aqui de um aparelho de baixo custo, e para a sua faixa de preço essa configuração é excelente.

Na prática, o Moto G é fantástico. Ele não é tão rápido quanto o Moto X, mas não significa que seja lento. Ele cumpre as principais tarefas esperadas por um smartphone perfeitamente. Você pode abrir apps rapidamente, pode trocar de um para outro sem travamentos. Eu tenho um Galaxy S3 já um pouco prejudicado pelo uso intensivo, com alguns travamentos e tudo mais. No geral, o Moto G não deixou a desejar em relação a ele, e isso é um grande feito – estamos falando aqui de um aparelho de R$ 650, uma faixa de preço complicada quando se fala em Android, contra um aparelho que era top de linha a menos de um ano. Mesmo sua GPU permite rodar jogos impensáveis em alguns aparelhos mais básicos. Testei Dead Trigger 2 e consegui rodá-lo sem problemas – alguns jogos mais pesados são possíveis sim no Moto G, o que é bem bacana.

Eis a vitória do Moto G: na maior parte do tempo, você sequer perceberá que está usando um smartphone de baixo custo – em relação ao desempenho, em nenhum momento o Moto G parece um smartphone barato.

Câmera

A câmera de 5 megapixels é… fraca. Para a faixa de preço do Moto G ela é ate satisfatória, mas a qualidade das imagens não é grande coisa. Em boas condições de luz você até consegue fotos com alguma qualidade, mas em ambientes fechados as coisas já começam a ficar feias. Com pouca luz, então, esqueça. Seu Moto G poderá ser a sua câmera on-the-go, mas ele jamais será uma boa câmera on-the-go. Aqui devemos novamente considerar a faixa de preço do Moto G. Ele não se propõe em nenhum momento a ser um super smartphone, e a câmera não é muito diferente do encontrado em outros aparelhos da mesma categoria. Então aqui temos uma câmera que funciona perfeitamente para fotos básicas, e provavelmente as mais fotografadas em smartphones. Foto de família ou amigos para postar no Facebook? Você vai conseguir com boa qualidade. Para o Instagram? Ótimo. Algo muito diferente disso? Pouco provável.

O app da câmera é o mesmo encontrado no Moto X. Puxe da esquerda para encontrar as configurações (desligar/lugar/deixar HDR no automático, desligar/ligar/deixar o flash no automático, foco automático ou não, vídeo em slow-motion, localização, proporção, som da câmera). No canto direito estão dois botões: um para trocar para vídeo e outro para a câmera frontal. Para fotografar, é só tocar em qualquer canto da tela (sem foco automático ligado, você toca na área que deseja definir o foco, ele define e logo depois fotografa). E, puxando da direita, você chega à galeria de imagens.

Como já citei anteriormente, uma diferença crucial entre o app da câmera do Moto G e do Moto X está na forma de ativá-la. No Moto X era possível balançar o aparelho duas vezes para o câmera abrir – não funciona perfeitamente, mas a opção existe. No caso do Moto G, não. É preciso abrir o app da câmera como em outros smartphones. Não é nada complicado – e considerando que o aparelho é bem rápido, não consome muito tempo.

Bateria

A Motorola ultimamente está se dando muito bem com baterias: o Razr D3 era impressionante nesse aspecto, e o Moto X tinha uns truques bacanas para aumentar sua vida útil. No Moto G, as coisas não são diferentes. Não há truque algum, mas ela vai durar muito tempo. Um dia inteiro na rua ouvindo música durante um bom tempo, checando Twitter, Facebook e email, não são o suficiente para esgotar a bateria. Ele deve aguentar um dia inteiro, sem precisar se preocupar em levar carregadores por aí. E mais do que isso: você pode acordar no dia seguinte com bastante carga disponível. É surpreendente.

Com uso “leve” (checando o aparelho bem raramente e verificando email, Twitter e Facebook uma vez ou outra), ele consegue aguentar até dois dias sem precisar carregar (chegando ao final do segundo dia no seu limite, é claro). É surpreendente para um smartphone, mas não elimina completamente a necessidade de andar com cabos por aí para carregá-lo quando for necessário – mesmo que o “necessário” por aqui seja mais raro do que em outros aparelhos.

Então, vale a pena?

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Sem titubear. Para quem busca um smartphone barato, o Moto G sem dúvidas é uma excelente opção. Como a Motorola lançou mais de uma versão do aparelho, é bom dar uma olhada em cada um dos pacotes antes de decidir qual escolher. O básico é o Moto G de 8GB com apenas uma entrada de cartão Micro SIM, que custa R$ 649. Talvez seja a pior das escolhas por causa do baixo armazenamento – lembre-se que não há entrada de cartão micro SD, então você terá que viver com apenas 8GB para seus apps e arquivos. (Claro que isso é minimizado com serviços de streaming de música, e com os 50GB de Google Drive que você ganha com o Moto G, mas ainda assim é pouco espaço.) Por R$ 699, você leva a versão de 8GB dual SIM – nosso teste foi feito com esse modelo.

Mas o Moto G vira nossa escolha de Android de entrada nas versões de 16GB. Aqui já temos armazenamento considerável e as duas entradas de chip. Por R$ 799, você leva também quatro capinhas coloridas – o que já é um excelente preço. Mas ainda há uma outra versão, um pouco mais cara, mas que sai extremamente barata considerando o pacote completo. É o Moto G Music Edition, que acompanha um fone de ouvido Tracks Air da SOL Republic e custa R$ 999. O fone de ouvido separado custa quase duzentos dólares nos EUA; no pacote brasileiro com o Moto G, ele sai por duzentos reais. É um baita negócio bom por um fone de ouvido excelente e que foi bastante elogiado em reviews lá fora. E uma boa chance para parar de usar fones de 15 reais e levar música mais a sério.

Olhando para tudo o que o Moto G oferece, é interessante ver o caminho que a Motorola seguiu após a aquisição do Google: ela acertou em cheio nos seus dois primeiros aparelhos. Depois do excelente Moto X, agora temos o excelente e barato Moto G. Em tempos de smartphones high-end caríssimos, é muito bom ver uma empresa trilhando o caminho oposto e nos oferecendo aparelhos bons a preços menos absurdos.