Existem quatro câmeras Micro Four Thirds no mercado neste momento. Só isso. Mas com a GF1 da Panasonic, investir neste mini gênero faz mais sentido do que nunca – se você sabe no que está se metendo.

O que raios é Micro Four Thirds?

A Olympus e a Panasonic desenvolveram em conjunto o que chamam de padrão Micro Four Thirds (Micro Quatro Terços) somente ano passado. A maior diferença logo de cara é a base da lente menor que uma SLR, porém incompatível com uma SLR a menos que você possua um adaptador. Internamente, o padrão joga fora os espelhos usados nas SLRs e usa uma CMOS quatro terços (não um chip micro quatro terços!) para capturar a imagem direto da lente (exatamente como uma point-and-shoot). Este sensor é basicamente 30% menor que o encontrado na sua dSLR média, porém 9 vezes maior que o da sua point-and-shoot média. O resultado é uma câmera ligeiramente menor que uma dSLR e que gera uma qualidade de imagem final semelhante.

A câmera é só um tantinho menor que uma dSLR básica:

Mas ainda é bem maior que a sua point-and-shoot média:

O grande não-tão-segredo assim
Existem apenas quatro produtos no mercado neste momento (Panasonic G1, a sua irmã voltada para vídeos; a GH1, Olympus E-P1 e, é claro, a Panasonic GF1) e todas as máquinas têm o mesmo sensor Panasonic de 13MP. Mas somente as duas últimas, a GF1 e a E-P1, têm se aproveitado da tecnologia menor para criarem câmeras de design avançado.

O spoiler
No entanto, se você vai comprar uma destas câmeras, você deveria optar pela GF1 (900 dólares com a lente 14-45mm). Ela junta todas as coisas boas da linha existente da Panasonic com um corpo retrô assustadoramente semelhante ao da Olympus E-P1.

O corpo
A GF1 é grande demais e pesada demais. A Panasonic GF1 é de fato menor que a minha Canon XTi, mas ainda não cabe no meu bolso.

Ainda assim, eu adoro andar com ela pra lá e pra cá. Por quê? O corpo dá uma sensação de ser bem sólido, como se fosse feito em outra era, uma era utópica quando homens eram homens e as empresas faziam hardware projetados para durar – antes de darmos mais valor ao plástico bicha pintado de prateado do que o metal que ele estava imitando.

A GF1 (e a Olympus E-P1, de certo modo) parece um pequeno tanque nas suas mãos, um elemento de guerra que não desiste depois de ser jogado descuidadamente dentro de uma bolsa. Se caísse em cima de um iPod de 1 metro de altura, o iPod certamente seria esmagado.

Não há nem muitos nem poucos botões. Um círculo familiar troca os modos de tomadas naturalmente e os modos burst (sequencial)  e timer (temporizador) compartilham uma chave logo em frente a ele. Um controle direcional ativa funções como ISO enquanto um disco clicável inteligente permite que você ajuste velocidade do obturador e f-stops.

Alguns botões merecem as suas próprias funções, como modo de foco, trava de exposição e, possivelmente a opção mais inteligente, vídeo. Ao clicar neste botãozinho à direita do obturador faz você passar para o modo de vídeo, independente do modo em que você esteja anteriormente.

No entanto, em função do formato estilo retrô, foi difícil eu conseguir manusear a objetiva óptica (apesar de um add-on óptico digital estar disponível). É uma câmera pesada de se segurar estendida tentando posicionar a tomada na objetiva. Mas, por sorte, os 460 mil pixels do LCD dee 3” significam que você pode manuseá-la até encontrar o foco crítico, graças ao foco automático da tela sobre o seu objeto durante o foco manual; ainda assim, pode vir a ser difícil ter certeza de que você acertou em cheio.

A resolução desta tela é inferior à de uma dSLR premium, mas aproximadamente duas vezes mais nítida que a da E-P1 – e isso você nota fácil.

E tem o flash também. Diferentemente da E-P1, a GF1 possui uma destas belezinhas e a Panasonic comemorou o fato ao projetar o que talvez seja o flash mecânico mais complicado no mercado. Vê-lo saltar pra fora do corpo da câmera é ao mesmo tempo impressionante e preocupante. Aquelas estruturas pequeninas conseguirão mesmo aguentar tanto tranco? Independente disto, é algo útil de se ter, mesmo que a peculiaridade de se comprar uma câmera tão grande e cara seja justamente evitar a fotografia com flash.

As fotos
Veja todas as minhas fotos de teste com a GF1 no Flickr, JPEGs não-retocadas extraídas diretamente da GF1. Ou veja as versões compactadas na galeria abaixos.

Honestamente, não há muito a se dizer sobre a qualidade do sensor da GF1 que já não tenha sido dito (por nós mesmos, inclusive). O maior problema em particular é o ruído do ISO, como você ver na galeria abaixo. Em tempo: a GF1 suporta ISO de até 3200, mas você provavelmente não quererá nada além de 800.

No entanto, com este desabafo já feito, eu preciso apontar algumas coisas:

1)    Tirar foto com a GF1 tem a mesma sensação de tirar foto com uma SLR. Não estou falando da facilidade de mexer nos controles avançados. Afinal, você aperta o gatilho, a câmera tira uma foto IMEDIATAMENTE. Para os que possuem dSLRs, isso não é nada novo. Para os que possuem câmeras point-and-shoot, isso é uma revelação.
2)    Há indubitavelmente mais ruído no sensor da Panasonic em ISOs altas do que você poderia encontrar em dSLRs por um preço semelhante. Entretanto, a qualidade da imagem que você consegue obter – eu digo a mistura intangível de tamanho do sensor e excelente vidro que faz com que as suas fotos passem uma imagem mais profissional – é indiscutivelmente muito além do reino das point-and-shoots, bem dentro da faixa das SLRs.

A MELHOR tomada que eu consegui recriar do relógio de pulso acima com a minha point-and-shoot Canon?

Não preciso nem dizer nada, que horror….

3)    O sistema Live View tem o que – sem a menor sombra de dúvida – é a melhor função que eu já vi em qualquer sistema Live View antes. Ao segurar o botão Efeito Modo Obturador, você consegue visualizar o borrão de movimento que você poderá esperar na sua tomada final – poupando você da dor no coração de visualizar uma tomada perfeita e depois ver o produto final repleto de rostos borrados que todos já experimentamos com point-and-shoots.

O único lance? O sistema não funcionou direito sob a luz do dia, justo um dos momentos quando você gostaria de usar o Live View para visualizar o borrão de movimento de um esportista. Note que este carro não saiu nem um pouco borrado na minha visualização prévia à tomada, nem outras 20 fotos de teste semelhantes que tirei sob condições idênticas.

No entanto, testes sob baixa luminosidade funcionaram perfeitamente.

O vídeo em 720p eu descreveria como sendo bom, mas não extraordinário. O vídeo AVCHD (ou JPEG em movimento), apesar de ser inerentemente melhor que os sistemas point-and-shoot ou Mino HDs, não é supernítido. Sem comparativos lado a lado ou as cores incrivelmente pipocadas que você obtém com um pouco de luz do Sol (choveu durante todo o meu período de teste), eu não consigo dar nenhuma resposta definitiva. Mas o que eu vi pela T1i me parece melhor (cores mais vivas, imagens mais nítidas), e não apenas por ser 1080p.

Em relação à E-P1
Existem definitivamente algumas vantagens elementares de se comprar uma GF1 em vez de uma Olympus E-P1. Entre elas:

•    Imagem mais nítida
•    Foco automático mais rápido (eu estimaria umas 3x mais rápido – é algo bastante notável)
•    Flash embutido (a Olympus requer uma montagem opcional)

Mas deve-se notar que a E-P1 possui estabilização de imagem dentro do seu corpo, ao passo que a Panasonic depende da sua lente de kit de estabilização de imagem. Em outras palavras, todas as lentes que a Olympus usar terão estabilização de imagem inerentemente. Além disso, a Olympus permite foco automático com todas as lentes Micro Four Thirds e Four Thirds. A GF1 até aceita estas lentes, mas só retém o foco automático com as da sua própria marca. Assim, os fanáticos por lentes talvez vejam a E-P1 como uma opção melhor. E se você encontrar uma ou a outra em alguma megapromoção, bem, tire cara ou coroa.

Confissão
O verdadeiro motivo de eu gostar de fotografar com a GF1 e o verdadeiro motivo de você se interessar pela Micro Four Thirds (caso você realmente esteja interessado) não tem nada a ver com a praticidade.

Mas é que eu me sinto bem malandro só de usá-la.

Eu gosto de andar por Chicago com a GF1 no meu ombro. Me dá aquela sensação de superioridade da Leica, sem o custo abusivo de uma. O sistema Micro Four Thirds pode ter sido originado no Japão, mas o romance de fotografar com os mais recentes sistemas é puramente europeu. Pela primeira vez em muito tempo, um equipamento eletrônico me fez ansiar por uma era e um lugar que eu nunca conheci.

Qualquer dona de casa em Chicago possui uma dSLR. Estas pessoas podem tirar fotos mais bonitas que eu, mas puxa, como eu desejo ser diferente pra variar um pouco. E estou aqui para dizer que, se você deseja uma Micro Four Thirds pelo mesmo motivo, a minha opinião é que a GF1 funciona muito bem neste sentido. Eu só não vou é trocar a minha dSLR por uma destas.

Construção incrivelmente sólida
Melhor tela da classe
Visualização única de borrão do obturador
Estilosa e malandra
Vídeo é bom, não excelente
Mesmo CMOS encontrado em versão anterior/concorrente
Estabilização de imagem fica em lente de kit, não na câmera