O que é engraçado sobre o Android é que a cada poucos meses sai um novo “melhor Android”. Felizmente, os atuais donos de Android não precisam ficar assim com tanta inveja do novo Nexus S, mesmo que ele seja, sim, o melhor Android.

O Nexus Phone é o Android definitivo atualmente. O Nexus One original deu o tom para todos os maiores Androids que chegaram depois dele este ano. Tantas coisas que os fanáticos por specs dão por certas hoje, como processadores de 1GHz, câmeras de 5-megapixels, 720p e telas OLED 800×480, estrearam no Nexus One. Ele também foi o aparelho Android mais bem finalizado e cuidadosamente projetado até hoje, o primeiro que fez as pessoas dizerem “ok, agora eu saquei”. Ele foi todas essas coisas porque, essencialmente, ele foi o Google dizendo para o mundo: “É assim que tem que ser o telefone Android do próximo ano”.

Por isso é interessante ver que o Nexus S, um ano depois, não é tão diferente do original. Ele é essencialmente uma versão Googleficada de um dos Samsung Galaxy S. As duas maiores novidades dele para o Android enquanto plataforma? Suporte a NFC (pense em QR Codes invisíveis, ou clique aqui se ainda não entendeu) e uma câmera frontal (não utilizada pelo Google para video chat proprietário por enquanto). É difícil imaginar que, diferente do Nexus One, ele não seja radicalmente ultrapassado em alguns meses – há a previsão de um Android 3.0, smartphones com dois núcelos, tegra 2 e o escambau.

Mesmo assim, o Nexus S é o novo Google Phone, o telefone principal contra o qual engenheiros do Google vão desenvolver, o telefone que vai ganhar todas as novidades do Android antes dos outros. Um santuário de Androidice pura.

Nós já fizemos um review separado do Android 2.3 Gingerbread, então leia ele se você está esperando por um update para o seu Android atual. Analisando o hardware apenas, as entranhas são praticamente idênticas às dos outros telefones S da Samsung, nenhuma novidade.

O novo Countour Display, por mais intrigante que possa parecer, é visualmente sutil, lembrando uma ligeira depressão no vidro da tela que poderia ter sido feita pela sua própria bunda ao sentar nele por muito tempo. Mas quando você coloca o telefone na orelha para falar, a coisa é bem ergonômica mesmo. Por baixo disso tudo há a sempre presente tela AMOLED 800×480, que fica extremamente à vontade com a nova interface do Android, coberta de preto e com laranjas e verdes brilhantes e destacados. Só um problema estranho: configurada no brilho automático para economizar energia, a tela acabou ficando muito quente, muito mesmo.


Rápido e responsivo, em todos os sentidos. E tem uma bateria que dura mais do que a média dos Androids, apesar dessas coisas serem mérito tanto do Gingerbread quanto do hardware. O Countour Display é bacana, assim como a tela AMOLED, mesmo que a resolução de 800×480 não seja mais nenhuma novidade. O suporte a NFC, vista no vídeo, é algo bem nerd e legal, que eu gostaria ter mais oportunidades de usar.

Parece barato e pobre, e ele demonstra isso. Não é o que se esperaria daquele que é “o” Google Phone de 2011. Aparentemente ele tem o mesmo bug de GPS dos outros Galaxy S; demorou eras para travar a posição. O botão lateral de travamento é incrivelmente chato. Sem botão dedicado à câmera.

De modo geral, o Nexus S não é de tirar o fôlego. É um bom aparelho, que se sobressai em algumas coisas boas (a tela e a velocidade), faz outras decentemente (a câmera – veja alguns exemplos aqui) e deixa desejar em outras (qualidade da construção e dos materiais). O verdadeiro motivo para comprar um destes é a promessa de ter a experiência completa do Android, e as últimas atualizações do Google antes dos outros aparelhos.