O mundo desenvolvido tem um caso de amor com a refrigeração, e isso vai bem além da geladeira da sua casa: o resfriamento é a espinha dorsal da indústria alimentícia, mantendo a comida fresca por bem mais tempo do que a mãe natureza planejou. Mas esta pode também ser a nossa ruína.

Nicola Twilley escreveu uma matéria excelente na Modern Farmer sobre os perigos da refrigeração em massa e como ela pode ser facilmente afetada por desastres naturais. É fácil esquecer, quando você pega um frango congelado no mercado ou um pacote de verduras resfriadas, que, em algum lugar, produtos alimentícios são estocados em massa dentro de frigoríficos de escala industrial — e, cada vez mais, eles estão sofrendo com tragédias climáticas.

Twilley cita, por exemplo, que quase 12 mil toneladas de frango apodreceram no New Orleans Cold Storage quando o furacão Katrina atingiu a cidade, e que milhares de dólares de carne fresca se perderam na passagem do furacão Sandy. Note que 70% dos produtos alimentícios dos EUA são refrigerados em algum ponto entre a origem e mesa de jantar, ou seja, se algum elo na cadeia de refrigeradores e frigoríficos falha, muita gente é prejudicada.

Então, o que fazer? Como Twilley aponta, a questão só começa a ser discutida agora por especialistas, com a cidade de Nova Iorque iniciando um projeto para descobrir quais são os pontos fracos da cadeia produtiva ainda este ano. Em última análise, entretanto, eventos climáticos extremos demandam menos dependência de refrigeração ou infraestruturas mais robustas. Atualmente, ainda não está claro como colocar em prática uma destas alternativas. [Modern Farmer]