Fino, leve, tela incrível, rapidíssimo – e meio caro. O Samsung Galaxy S II é cheio de adjetivos e, no geral, é o melhor Android do mercado. É o smartphone dos seus sonhos? Passamos bastante tempo com ele para responder isso a você neste review detalhado.

 

Aviso

Um aviso que acho importante: tentamos sempre ser o mais objetivos possível, mas temos consciência que nossos reviews serão pontuados por comparações que têm a ver com o que temos e gostamos, aliado a conhecimento e experiência de outros aparelhos – nunca espere aqui ler algo estritamente técnico. No meu caso, um background rápido: depois de passar por E71 e 5800, eu tive e amei meu Milestone, usei por muito tempo um Galaxy S e agora estou há vários meses com um iPhone 4 como celular principal (e testando novos Androids paralelamente, recentemente o Atrix e o Optimus Black). O iPhone é hoje o smartphone que mais gosto de usar: é tudo mais estável e rápido, especialmente para o que eu uso (navegar na internet, fotos e jogos). Não sou hacker, já instalei mas acho um saco customizar o Android com ROMs diferentes e acho que um celular deveria vir absolutamente pronto para uso tirando da caixinha. Este é o meu filtro. Considere tudo isso ao ler o review que se segue e entenda que você é diferente de mim, e pode dar mais ou menos valor a determinadas vantagens/defeitos do aparelho.

 

Design

Não há uma pessoa que não se assuste com a leveza do S II. “Ele parece oco” é um dos comentários mais comuns. Com 116 gramas e 89 mm de espessura na maior parte do corpo (com exceção do calombo da câmera), ele é uma proeza da engenharia – compare com o rei anterior, o iPhone 4, de 137 gramas e 93 mm. O tamanho chama a atenção – ninguém coloca uma tela de 4,27’‘ impunemente, e o fato de ele ser bastante grande e largo faz com que ele fique sobrando na minha mão. Antes de comprar um, certifique-se que a pegada te agrada. Mas pelos últimos lançamentos, há bastante gente que gosta.

O design é aquela coisa bem igual ao iPhone 3GS em formato, mas é bem menos descarada que o que foi feito no primeiro Galaxy, e a essa altura não sei se há muita opção de fugir disso com uma tela grande e um único botão físico – esta última, opção da Samsung. A parte de trás tem uma leve protuberância para a câmera, menos pronunciado que em outros aparelhos e que faz sentido no design. Há botões nas laterais (de um lado o de volume e de outro o de desligar/travar), uma entrada micro-USB 2.0 embaixo e a saída para o fone 3.5 mm em cima. Como muitos que resenharam o negócio, achei o som que sai para os headphones notadamente mais baixo que a média, mesmo com um ótimo earphone – ao contrário do Galaxy S, que tinha um som bacana. Considere outras opções para usar como walkman.

A escolha de materiais recebeu algumas críticas. Enquanto a Apple usa um belo vidro no iPhone 4 e a Nokia metais em seu N8, o S II é bastante de plástico. Alguns reclamam que isso dá um aspecto “barato”, mas não acho que seja o caso. A parte de trás tem uma certa textura que além de ser particularmente bonita (na minha opinião, claro) esconde ou diminui os inevitáveis riscos. Some a isso o Gorilla Glass da frente, e temos um aparelho a princípio bastante durável. O que, pra mim, é mais importante.

Tirando da caixa há pouquíssimas coisas. Um MicroSD, carregador, cabo e earphone (nada demais). Comparando com a bolsa do gato Félix do Atrix, é pouco para o preço que se paga – mas mais do que se leva em um iPhone 4, por exemplo.

 

Specs

Se você gosta de números, a tabela de especificações do S II é bem impressionante. No site da Samsung há alguns, mas a ficha do GSM Arena traz mais algumas informações que não costumam aparecer no release.

Os destaques: 16 GB de memória física (a versão de 32 GB não apareceu por aqui), 1 GB de RAM, câmera traseira de 8 MP e frontal de 2 MP. O processador dual-core ARM Cortex A9 de 1.2 GHz é, no papel, marginalmente melhor que a concorrência com dois cérebros. Mas a soma do Gingerbread 2.3 e provavelmente a solução gráfica da Samsung (o exclusivo chipset Exynos) faz com que ele seja claramente mais rápido que Androids como o Atrix, por exemplo, e que o iPhone 4.

De resto, todo o pacote habitual está aqui: Wi-Fi n, A-GPS, rádio FM, microSD de até 32 GB, SIM normal (que bom que o padrão do iPhone 4 não foi adotado por todo mundo!). Em relação ao Galaxy S, há duas omissões: a saída HDMI, que alguns concorrentes já tem (há um adaptador para isso) e, mais importante, não há TV. Isso aconteceu para garantir mais agilidade na produção e atualização do produto, segundo a Samsung. Mas certamente era um enorme diferencial sobre a concorrência. Diferencial que eu não dou a mínima, mas que alguns se importam. Os ganhos são obviamente maiores que esta única perda, e além de processador e tela, o S II tem suporte para o HSPDA+. Em alguns pouquíssimos lugares do Brasil as operadoras já estão testando esta tecnologia melhor para o 3G, que garante velocidades de até 21 mbps. Há uma boa chance de ela estar mais presente ano que vem, e o S II já vem preparado para a tarefa.

 

Câmeras

Para um celular, a câmera do S II é ótima. Em termos de definição e comportamento em baixa luminosidade ela não alcança o N8, por exemplo (especialmente depois do último update, pelo que li), mas entre os Androids à venda no Brasil, ela está ali no topo junto do Sony Ericsson Arc, com alguns pontos positivos (melhor definição) e negativos (muito ruído e cores erradas em iluminação não-ideal). Não sei se porque estou acostumado e sei tirar o melhor proveito da câmera do iPhone 4 e seu sensor maior, mas não achei a do S II melhor que a do smartphone da Apple – na verdade achei pior (mais detalhes depois). Quantidade de pixels é só um pedaço da história, como sabemos.

A inicialização da câmera não é particularmente rápida ou lenta. Mas a modificação do app de fotos e filmagem da Samsung – como várias coisas na interface – foi uma ótima sacada. Há uma quantidade bem razoável de configurações e você pode escolher alguns atalhos para aparecerem em uma barra lateral para fácil modificação, como estabilização de imagem ou uma configuração de branco específica.

E como saem as fotos? Depende da situação. O ângulo de visão é muito bom, o Flash também e em condições ideais e luz igualmente distribuída, consegue-se coisas incríveis, como essa foto, apenas reduzidas nas dimensões (clique nela para ver uma galeria no meu Flickr com fotos em tamanho normal):

Mas o S II tem dois problemas: o auto-foco não é contínuo nem tão rápido e ele se comporta de maneira um pouco errática na hora de você bater a foto de fato, às vezes escolhendo outro objeto. Mas a maior falha, para mim, é que a câmera não sabe muito bem bater o branco, ou escolher qual ponto iluminado ele vai usar como referência para temperatura de cor e contraste. Se há algo muito mais iluminado que o resto na cena, o destaque fica esquisito:

Mas o melhor mesmo na câmera é a resolução, a riqueza do detalhe. O GSM Arena tem uma ótima ferramenta de comparação em 100% de crop (o tamanho real), e ela mostra que as fotos do S II podem ser cortadas sem grandes prejuízos, e não há tanto serrilhado.

Tudo isto pesado, tenho que dar os meus motivos para crer que a câmera do iPhone 4 é melhor – afinal é um dos debates mais acalorados que tenho visto sobre os dois aparelhos, sempre comparados. O termo correto não seria exatamente superioridade da Apple aqui, mas “mais utilidade”. O autofoco é significativamente mais rápido, o touch-to-focus mais preciso, o HDR automático salva algumas fotos que ficariam ruins e na média os resultados são mais consistentes no iPhone 4. Mas, mais do que isso, há alguns apps que são melhores e ainda não tem similares reais no Android Market. Não há nada remotamente parecido com o Camera+, com a sua velocidade e a possibilidade de mudar o nível de branco antes de bater a foto, por exemplo (ele substitui meu app padrão no iPhone). E, sem querer soar o hipster chato, não há Instagram no Android. A comunidade em volta do app-rede-social-de-fotógrafos-wannabe levou minha fotografia de celular para outro nível, para além do registro. É sério. E isso é bacana.

Mas divago. Na hora de filmar, o S II tem algumas vantagens incontestáveis. Não por causa dos números alardeados pelo marketing. O filmar em 1080p, na boa, é melhor porque você pode capturar um frame e usar como imagem, dada a resolução. Mas o sensor e processador de imagem ainda não são capazes de tirar tanto proveito dos pixels extras – preferiria 720p a 60 fps em qualquer momento. A não ser que seja de uma posição estática (não há autofoco durante a filmagem) e iluminação completamente controlada, colocar um vídeo feito neste celular em uma TV Full HD é embaraçoso para todos os aparelhos eletrônicos envolvidos.

Mas tirando a vantagem-não-tão-vantagem, há algum tipo de estabilização de imagem durante a filmagem um bocado impressionante, que tiram bastante do aspecto “caiu na net” dos seus filmes caseiros.

Outra vantagem da filmadora do S II é que ela não grava as coisas em formatos bizarros como . 3gp, e está pronta para edição em qualquer programa, basicamente. Aliás, mais pontos para a Samsung por incluir um programinha bem básico para corte, edição e compartilhamento de vídeos de fábrica (o iMovie no iOs, por exemplo, é pago). Ele demora um bocado para renderizar, (especialmente se você filmou em Full HD) e enviar o resultado, mas é uma boa opção.

 

Bateria

Se você está saindo de um smartphone com Symbian, um Android de um ano de idade ou um iPhone mais antigo, a bateria de 1650 mAh do S II mostra em geral uma melhora de algo como 10%. É melhor, mas nada muito incrível, e muito dependente da maneira com que você utiliza. Se você usar bastante o smartphone, alternando entre GPS, música, navegação na internet e jogos, espere carregar o aparelho antes no fim da tarde, depois de 7 ou 8 horas. Para o meu uso, o S II é notadamente pior que o iPhone 4 e um pouco pior que o Atrix (que tem bateria de 1930 mAh).

Nos primeiros dias que estive com ele, fiquei até bem impressionado pela bateria, mas porque eu usava como aparelho secundário. Em standby e absolutamente mais nada ele dura 9 dias, segundo o GSM Arena. Mas, literalmente, a partir do momento que você olha para ele a bateria vai embora. O que parece consumir bastante energia mesmo é a tela, especialmente pelo tamanho e mesmo no brilho a 50%. O processador parece ser bem esperto, então não importa muito se você estiver jogando ou vendo uma foto, manter a tela ligada é o que mais consome a energia vital das galáxias. O legal é que o widget de controle de energia que vem de fábrica tem várias configurações, e um atalho para o modo econômico logo na tela inicial. Ou seja: se a bateria estiver acabando, dá para mexer rapidamente em alguns botões e conseguir mais uma ou duas horinhas. Apesar de útil para economizar, eu não recomendaria o padrão de “autobrilho”. Por algum problema de firmware, há algumas mudanças um pouco bruscas e aparentemente sem sentido no brilho.

 

Tela

Uma das coisas mais alardeadas pelo marketing da Samsung, a tela do S II é de SUPER AMOLED Plus, com muito CAPS LOCK. O que isso quer dizer: o contraste é incrível e o preto é definitivamente preto-buraco-negro. Ela permite um ângulo de visão excelente e uma visibilidade boa sob o sol, melhor que qualquer LCD. O problema maior é a definição da tela. Enquanto alguns Androids da Motorola chegam com resolução 540×960 e o iPhone 4 640×960, o S II tem uma tela maior e resolução menor (480 x 800). Quão ruim é isso? Mesmo sendo usuário de iPhone 4, a “baixa” resolução do S II não me incomoda, até porque a maior parte dos aplicativos de Android são pensados com essa resolução em mente, e não a qHD da Motorola. A não ser que você cole a cara na tela, o problema da baixa densidade de pixels não é exatamente um problema. Mas quando você for ler algum texto de uma página da web em zoom out, a falta de resolução atrapalha a legibilidade. Meu olho não é tão bom, mas a PC World disse que a renderização das fontes no S II é pior que em outros Androids. Definitivamente pior que o iPhone 4 – mesmo com uma tela menor, ele é melhor para ler.

A escolha de cores dos ícones e papéis de parede de fábrica não foram à toa, e mostram a vividez da paleta do S II – ela impressiona qualquer um à primeira vista. Uma preocupação comum sobre as telas de AMOLED é que as cores podem ser “vívidas demais”, demasiadamente “quentes”. Eu não diria que as cores do S II são erradas como do primeiro Galaxy S, que gostava mais de verde que qualquer ativista do Greenpeace. Ainda há algum debate sobre qual cor a tela do S II puxa, mas definitivamente ela é menos fidedigna que em outros aparelhos, e parece não lidar muito bem com o amarelamento provocado pelo Gingerbread. Mas, na boa, isso é só para quem se incomoda muito e vai usar muito o telefone para analisar fotos. Você não vai notar muito a questão das cores quando estiver jogando alguma coisa, mas quando o fundo é branco (tipo em toda a internet), tudo parece um pouco amarelado.

Eu admito a minha ignorância em não saber como os pixels se comportam por trás de uma tela de AMOLED, mas uma coisa que noto é que nesta tela específica há uma espécie de arraste: você rola uma página com texto, por exemplo, e alguns pixels pretos vão ficando pelo caminho, devido a problemas na taxa de atualização. É algo muito, muito sutil, notado mais em páginas do navegador. Mas o meu medo é que, no longo prazo, esse arraste seja o sintoma de um potencial burn-in semelhante ao verificado em TVs de Plasma antigas (Já vi um aparelho com este problema, e é uma reclamação que aparece vez por outra) se você deixar a mesma imagem na tela por muito tempo.

Ao menos agora há uma opção no menu da Samsung para mudar o “padrão de cores”, como você faz na TV, mudando a temperatura e saturação para o que mais te agrada (nenhuma me agradou particularmente, mas sou terrivelmente chato com isso). Mas, de novo, o arraste ou cores ultraquentes são problemas bem sutis e só incomodará os mais chatos. No geral, a tela agrada muito mais do que incomoda. O contraste é realmente incrível, mas as pequenas falhas mostram que ainda há espaço para a tela de AMOLED melhorar.

 

GPS

Se fosse para eleger um grande problema do S II, este é o GPS. Ele não é quase inutilizável como o do Galaxy S, mas é definitivamente inferior a qualquer smartphone na mesma faixa de preço ou mesmo mais baratos de outras marcas. Fiz uma pequena viagem usando o S II com o Google Navigator (e um iPhone 4 com app da TomTom, para comparação). Em alguns momentos da estrada, o S II achava que eu estava a mais de 100 metros da minha real posição, e muitas vezes pedia para fazer a curva a meio metro da entrada. Ou seja: se você dirige e estava esperando um bom telefone para substituir seu GPS automotivo, procure em outro lugar. Às vezes ele funciona perfeitamente, mas a inconstância é terrível.

LG Optimus Black e iPhone 4 na posição certa. Galaxy SII errado em mais de 200 metros.

Em outros apps que precisam de geolocalização, como Runkeeper ou Foursquare, também encontrei problemas. O Runkeeper demorou 15 minutos para estabelecer o sinal como “forte”, e perdeu no meio de uma corrida. Se você quiser fazer um check-in no Foursquare, por exemplo, não espere que ele descubra onde você está dentro de um shopping – aliás, desista de vê-lo funcionar dentro de um prédio sem esperar menos de 2 minutos. De novo, ele não é inutilizável: se você estiver a pé e entrar no Google Maps para se encontrar, ele demora um pouquinho mas descobre sua posição. Mas sempre que for mais exigido ele terá um desempenho notadamente inferior à concorrência. Torcemos para que isso possa ser corrigido numa atualização, mas antes de comprar saiba que esse problema existe.

 

Usando

http://vimeo.com/28081962

A versão 2.3 do Android é sabidamente mais rápida e estável, mas é no S II que ela brilha. O boot, a abertura dos apps, transição entre telas, animações, tudo é muito, muito rápido. Você pode usar os apps que demandam mais poder, deixar um live wallpaper bonitão, widgets, todas as notificações possíveis e mesmo assim demora até ele pedir água – normalmente por causa de algum app mais comedor de recursos, não falha do sistema especificamente. Mesmo o Flash novo, no Android 2.3, dá bem menos pau no que quando testei o Atrix, por exemplo.

Dentro dos apps a velocidade é igualmente aparente. Os nossos amigos do Zumo fizeram uma bateria de testes comparando o S II com o LG G2X, outro dual-core com bastante potência (o segundo mais rápido que vi), e o smartphone da Samsung bateu a concorrência com folga (à exceção de alguns testes de vídeo, porque aparentemente o S II tem uma limitação de 60 frames por segundo). Você pode caçar outros benchmarks por aí, mas o que importa no fim do dia é que ele entra e sai dos apps mais rápido e, dentro deles, a coisa é lisa, como dizem.

Dentro do Android ele é soberano, mas e contra a concorrência da maçã? Vou tratar isso com detalhe lá embaixo, mas sim, o S II é definitivamente mais rápido em todos os campos onde se pode medir velocidade – do boot a carregar um jogo ou entrar em uma página da web. Em alguns lugares a diferença é negligível, mas com poucos minutos ela se mostra notável. A surpresa talvez seja ter demorado um ano para alguém conseguir superar o iPhone 4 no quesito velocidade, mas o ponto é que até em tarefas onde o smartphone da Apple reinava absoluto, como na navegação da web, o S II leva a coroa. Mesmo com o famigerado Flash mobile ligado, a performance é acima da média. Há alguns vídeos na rede para você ver a diferença de carregamento de página, como este:

http://www.youtube.com/watch?v=pELbg61PBrM

Eu sou o primeiro a dizer que a experiência crua do Android (ou usando algum launcher) é melhor que qualquer modificação de empresa. Mas tenho que admitir que gostei um bocado do que a Samsung colocou no Galaxy S II, a chamada TouchWiz 4 (que bizarramente não foi lançada para o Galaxy S, oficialmente, mas é possível fazê-lo). Primeiro porque ela não tem um monte de widgets inúteis e não afeta a performance como o Motoblur: basicamente é uma outra dock, ícones e a app drawer melhor organizada, com rolagem para os lados.

A colocação de widgets e atalhos na tela é muito mais elegante na implementação do Android da Samsung. Cada homescreen é dividida em uma espécie de grid (a minha analogia é uma página de diagramação de jornal), e pode ser espremida ou redimensionada para manter uma margem coerente e bonita. Há atalhos mais bacanas para contatos ou feed de notícias, por exemplo. Aliás, depois de usar os widgets bonitos da Samsung a maioria dos apps do market com o recurso parecem feios.

Outras boas sacadas da Samsung: o botão para ativar a função de roteador é um atalho em uma das homescreens, o que é mais fácil e rápido do que o padrão (como já faz a Motorola). Na barra superior também há um widget de acesso rápido a algumas configurações (Wi-Fi e GPS, por exemplo). Além do Swype (padrão), o teclado da Samsung, menos poluído e mais espaçado, é uma boa para quem estava acostumado com o iPhone. Como a sensibilidade ao toque é tão incrível quanto da Apple, não senti falta de teclado físico em nenhum momento.

Outras modificações são mais incríveis no papel do que úteis (ao menos para mim): segurando os dois dedos no navegador e movendo o S II para frente ou para trás, você consegue o zoom in ou zoom out. Segurando um widget dá para movimentar o celular de um lado para outro para escolher a homescreen que ele vai ficar. É uma ideia interessante que precisa ser refinada na execução.

Sei que sou minoria na plateia ultrageek aqui, mas o que me agradou foi a quantidade de coisas pré-instalada, ao menos no pacote Galasy S II-TIM. Basicamente tudo que você precisa já vem incluso, então é mais fácil recomendá-lo para alguém sem muito traquejo ou vontade de caçar apps no market. Redes sociais, um Instant Messaging Genérico, Folha de S. Paulo, os mencionados editores de vídeo e imagens, gerenciador de tarefas, gravador de voz, app da Livraria Cultura… Há até alguns joguinhos. O que importa é que tirando da caixa já dá para usá-lo bem, um caminho que outros fabricantes de Android estão começando a seguir. Há ainda o ótimo (e pesadíssimo) KIES Air, que controla todas as funções do smartphone, sem fio, através de um navegador.

 

Conclusões

Vamos simplificar a coisa: se você é fã do Android, comprou algum smartphone ano passado e quer continuar no sistema do robô, este é o celular a se comprar agora, com o único porém de o GPS (que pode ser um grande porém) não estar no mesmo nível das outras funções. A tela é incrível, ele é insanamente rápido e o sucesso comercial garante duas coisas importantes: que os apps serão eternamente compatíveis com ele e que a Samsung irá atualizar o sistema para não ter problemas com os consumidores. Quem é fã de modificações também ficará à vontade, já que ele tem uma comunidade bem ativa. Não há previsão de algum grande avanço de hardware este ano no lado Android: o próximo grande upgrade será o Kal-el da nVidia, que deve chegar a smartphones só no início de 2012. Talvez apareça um Nexus Prime com o Ice Cream Sandwich antes de todo mundo e uma resolução de tela matadora. Mas ao menos no Brasil, em conversas com a Samsung, me parece que este é o melhor Android do ano.

Os prós do S II são tão mais importantes que os contras que é muito difícil alguém se desapontar seriamente com ele. Quando escrevi sobre o Atrix, falei que quem estava em dúvida deveria esperar pelas próximas opções. E, de fato, o mais rápido S II, o mais barato Arc, o câmera-pechincha-N8 ou mesmo o Milestone 3 com seu teclado (mas péssima câmera) são boas alternativas ao top da Motorola, que até foi proibido de se autoproclamar o mais poderoso do mundo – até porque não o é. Mas alguns fãs de Android podem favorecer este ou aquele de acordo com preferências pessoais, ou aparelhos com teclado (como o Desire Z) ou o Xperia Play, pelas capacidades videogamísticas. Mas para a maioria – e disposta a gastar os R$ 1.800 – o S II é uma recomendação quase infalível.

Apesar de ter mais de um ano de idade, o iPhone 4 é o único que realmente faz frente ao S II. Ele tem melhor GPS, bateria e apps e um design e tamanho que pode agradar mais gente. Mas a idade mostra que ele não é mais o mais veloz, a tela já tem concorrentes mais impressionantes, a experiência de navegação pode ser melhor e a filmadora deixa a desejar, por exemplo. Com o atraso do anúncio do iPhone 5, há um vácuo no topo da cadeia, e você pode ter certeza que a poderosa máquina de marketing da Samsung vai lembrar que agora o título de melhor smartphone do mundo* tem novo dono. Ela vai se concentrar em vender tudo que puder até a chegada do próximo smart da Apple, e já está fazendo isso, com um número incrível de vendas.

93,7% das pessoas que me viram com um Galaxy S II me fizeram a pergunta: “É melhor que o iPhone?”. Por isso – e por tê-lo como referência – fiz tantas comparações. E agora vale gastar mais um pouquinho deste review raciocionando: será que este Android, o melhor Android, será capaz de roubar mercado da Apple no topo?

Para os mais impacientes, talvez sim. Quem quiser o celular mais ostensivamente capaz do mercado vai comprá-lo – mesmo que esteja pulando, digamos, do iPhone 3GS – o upgrade é monumental. Mas, honestamente, não consigo ver uma pessoa trocando um iPhone 4 por este aparelho (se você existir, pessoa, fale nos comentários). Lembro de quando resenhei o Milestone em 2009: ele tinha o triplo da resolução do iPhone da época, capacidade de ser roteador, multitarefa, uma bela filmadora, gorilla glass e diversas vantagens reais do sistema operacional para o usuário comum que o iOS não tinha. O iPhone 4 tirou a vantagem em termos de hardware, o iOS 4 quase tudo e, com o iOS 5 que chega no máximo em 50 dias, todo o resto das significativas vantagens de software. Há uma questão filosófica, do Android ser “aberto”, aceitar mais “modificações”, mas cá entre nós, pouquíssimos estão interessados nisso. O que importa é a experiência final, e o S II me deixou muitíssimo satisfeito. Por enquanto, o S II consegue pular na dianteira do iPhone 4, se analisarmos a média, pesando prós e contras. Mas não por muito, e provavelmente não por muito tempo.