Os aparelhos têm marca e modelo diferentes dos que prometeu a empresa vencedora do pregão, e não têm certificação da Anatel – são xing-lings. Dado que a Guarda Civil apreende milhares de produtos piratas e ilegais na cidade, a situação é no mínimo irônica.

Como informa a Folha, os GPS recebidos pela Guarda Civil são “de fabricantes sediados em Taiwan e Hong Kong” e não têm autorização da Anatel para serem vendidos no Brasil. E os aparelhos já dão problema: eles deveriam ter autonomia de 24 a 40 horas, mas segundo a Folha apurou, o produto “não consegue ficar ligado por todo o tempo previsto”.

Tem mais: a Neel Brasil Tecnologia, empresa que forneceu os GPS num pregão sem concorrência, é a mesma que venceu a licitação para alugar tablets à prefeitura de São Paulo. A licitação foi suspensa porque cada tablet alugado estava saindo por R$14.000 a unidade. E o dono da empresa, Carlos Alberto Zafred Marcelino, é acusado pelo Ministério Público de envolvimento em fraude de inspeção veicular no Rio Grande do Norte. Há ordem de prisão contra ele, mas Zafred é foragido da Justiça.

São 1.780 rastreadores pessoais (para uso dos guardas) mais 207 aparelhos GPS de carro. Cada rastreador pessoal custou R$718; cada GPS de carro, com tela de 4,3 polegadas, saiu por R$2.105. A Secretaria Municipal de Segurança Urbana, responsável pela compra, disse que os produtos ainda “não foram considerados aceitos” e que ainda não pagou os R$2,4 milhões.

Segundo a Folha, os aparelhos já estão nas mãos dos guardas, mas a GCM diz em nota que está apenas testando os equipamentos entregues. Só este mês, a Guarda Civil já apreendeu milhares de produtos ilegais em shoppings na Avenida Paulista e próximos à Rua 25 de Março, conhecidos por vender xing-lings. Eles vão apreender os próprios GPS também? [Folha e FSP (assinantes) via Info]

Foto por jmaldona/Flickr