E se as máquinas usassem combustível biológico — açúcar do nosso sangue — para funcionar? Seria possível dar energia a gadgets usando apenas chocolate, sorvete e nossa barriguinha extra?

Estas perguntas me foram jogadas pelo querido Brian Lam, que me avisou: "eu posso ter estado sob influência de narcóticos quando me surgiu esta ideia". Mas, apesar do aviso, ele descobriu mesmo algo muito interessante. Afinal, já mostramos conceitos de gadgets que obterão energia exatamente dessa forma: convertendo açúcar do sangue em corrente elétrica. Recentes pesquisas em biobaterias têm obtido algum sucesso, com células combustíveis de levedura. Então por que ainda não estamos saciando a fome dos gadgets e a nossa de uma tacada só?

O que acontece é que as biobaterias hoje mais próximas da realidade (as de levedura) têm um grande problema na geração de resíduos. O resíduo é criado porque estas baterias envolvem células combustíveis com micróbios, que roubam "alguns dos elétrons produzidos quando a levedura metaboliza glicose" para criar uma pequena corrente elétrica. O processo todo funciona bem, mas as células de levedura sofrem riscos se os resíduos não forem removidos. Não dá pra deixar esses resíduos serem jogados na corrente sanguínea, então a menos que haja um processo de limpeza, as baterias são problemáticas: ou elas morrem, ou envenenam sua corrente sanguínea enquanto tentam sobreviver.

Mas fora esse problema, esta pesquisa continua interessante e é um grande passo inicial. Talvez sejam necessários anos até que possamos usar biobaterias, mas vou esperar pacientemente com um potão de sorvete até o dia em que garotas com popozão façam mesmo o mundo girar, como diz o Queen. [New Scientist]

Foto por Bare Conductive