Se tudo for de acordo com o planejado, a NASA vai lançar seu próximo rover marciano em julho de 2020. A sonda robótica ainda está em construção, mas os primeiros sinais são de que o rover da próxima geração vai ser equipado com uma seleção impressionante de gadgets de tecnologia avançada.

O rover é atualmente construído no Laboratório de Propulsão a Jato da NASA em Pasadena, na Califórnia, e não tem um nome, além de “Marte 2020”. Como seus antecessores, o futuro rover vai examinar o Planeta Vermelho em busca de sinais de habitabilidade anterior, além de conduzir análises científicas da geologia, da atmosfera e de outros fenômenos naturais de Marte. Mas, diferentemente desses rovers que vieram antes, esse tem alguns truques a mais debaixo de manga.

Como anunciou a NASA nesta semana, a sonda vai ser equipada com nada menos do que 23 câmeras diferentes. São 13 câmeras a mais que as sondas Spirit e Opportunity e seis a mais do que a Curiosity. De suas 23 câmeras, nove serão dedicadas a tarefas de engenharia, sete à ciência e outras sete à detecção dos locais de entrada, descida e pouso da sonda. Esses “olhos” vão permitir à sonda criar panoramas abrangentes, descobrir obstáculos e estudar Marte em detalhes impressionantes. É importante dizer que essas câmeras vão funcionar em conjunto com vários instrumentos científicos a bordo.

Imagem: NASA/JPL/Caltech

Durante sua descida, câmeras vão capturar fotos do paraquedas se desenrolando e conforme se aproxima da superfície manchada de vermelho do planeta. Uma vez na ativa, uma câmera interna vai espreitar de perto amostras de rocha. Quando acabar de brincar de técnico de laboratório, o robô vai “armazenar em cache” as amostras e depositá-las na superfície rochosa para que uma missão futura as colete (sim, esse robô vai ser um “sujismundo”).

As câmeras também vão fornecer mais imagens coloridas e em 3D do que missões anteriores. Enquanto a Curiosity tinha a Mastcam, a versão de 2020 terá a Mastcam-z, com o “z” significando “zoom”. As câmeras também serão capazes de oferecer suporte a imagens mais estereoscópicas, que são boas para a varredura de características geológicas, para a avaliação de distâncias e para buscar o próximo local de exploração a uma longa distância.

As Navcams e Hazcams dos rovers anteriores, usadas para navegar e evitar perigos, produziram imagens digitais de 1 MP em preto e branco. As versões de 2020 dessas câmeras terão imagens em alta resolução de 20 MP e em cores (aleluia!). Essas câmeras também poderão reduzir borrões de movimento, o que significa que o robô será capaz de tirar fotos enquanto percorre a superfície marciana. E pelo fato de as lentes serem mais largas, o rover de 2020 será capaz de capturar uma vista mais ampla da paisagem.

“Nossas Navcams anteriores tiravam várias fotos e as colocavam juntas”, disse Colin McKinney, do Laboratório de Propulsão a Jato, em um comunicado da agência. “Com o campo de visão maior, temos a mesma perspectiva em apenas uma foto.”

Talvez você esteja pensando que imagens 3D coloridas filmadas em alta resolução não sejam grande coisa. Mas é, sim, especialmente para um robô a 54,7 milhões de quilômetros de distância. Com todos esses novos dispositivos, vem um monte de dados, que então precisam ser enviados de volta para a Terra. Esse equipamento extra representa um frustrante fator de limitação.

Para resolver isso, as câmeras a bordo do rover de 2020 vão comprimir os dados (o que a Curiosity também faz), mas outra solução será usar espaçonaves em órbita como locais de retransmissão de dados. Essa ideia foi testada pela primeira vez durante as missões dos rovers Spirit e Opportunity, em que a NASA usou seu orbitador Mars Odyssey como uma estação de retransmissão interplanetária. Quem disse que a gente não está vivendo no futuro?

“Esperávamos fazer essa missões com apenas dezenas de megabytes por dia marciano”, disse o cientista de missão Justin Maki. “Quando tivemos aquele primeiro sobrevoo do Odyssey, e tínhamos cerca de 100 megabytes por dia marciano, percebemos que era algo completamente novo”. Por dia marciano, Maki se refere a um período de 24 horas e 39 minutos. Para a missão de 2020, a NASA planeja usar espaçonaves já na órbita marciana, incluindo o Mars Reconnaissance Orbiter, o MAVEN e o Trace Gas Orbiter, da Agência Espacial Europeia.

Imagem: NASA/JPL/Caltech

E isso porque estamos falando só das câmeras. Outros instrumentos científicos propostos incluem um espectrômetro de fluorescência de raio-x para examinar os materiais de superfície de Marte, um gerador de imagens de radar, um microfone, um espectrômetro ultravioleta e até mesmo um Mars Helicopter Scout (HMS), drone de 0,9 quilo abastecido por luz solar que ficaria sobre o rover, ajudando-o a selecionar futuros alvos de exploração.

O rover de 2020 pode ser acompanhado por esse drone aéreo, chamado de Mars Helicopter Scout (HMS). (Imagem: NASA/JPL/Caltech)

Além disso, o novo rover terá rodas mais resistentes (as da Curiosity estão em mau estado), com melhor tração e um formato de maximização de desempenho. O rover de 2020 também vai tentar produzir oxigênio a partir da atmosfera de dióxido de carbono de Marte, o que poderia estabelecer um importante precedente para os primeiros colonizadores do Planeta Vermelho.

Quanto ao local em que o rover vai pousar, isso ainda é desconhecido. A NASA lançou uma lista de locais de pouso, incluindo o nordeste do quadrângulo de Syrtis Major (uma área que já foi aquecida por causa de atividade vulcânica), a cratera Jezero (restante do lago marciano) e as Colinas Columbia, exploradas pelo pousador Spirit, da NASA, durante a primeira metade da década de 2000.

Independentemente do local escolhido, a próxima missão em Marte será absolutamente brilhante.

[NASA]

Imagem do topo: NASA/JPL/Caltech