Apenas seis semanas após o início da Primeira Guerra Mundial, o submarino australiano HMAS AE1 desapareceu sem deixar rastro nenhum na costa da Papua-Nova Guiné, marcando a primeira vez que um submarino aliado se perdeu em conflito. Arqueólogos marinhos agora descobriram o paradeiro dos destroços históricos, acabando com um mistério que perdurou por mais de um século.

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A Austrália, bem como outros países da Commonwealth, se juntou à Grã-Bretanha na guerra contra a Alemanha e Império Austro-Húngaro no dia 4 de agosto de 1914. Porém, seis semanas depois, no dia 14 de setembro, o HMAS AE1 que realizava patrulha na província de Nova Bretanha Oriental, na da Papua-Nova Guiné, desapareceu junto com 35 tripulantes australianos, neozelandeses e britânicos. Não foram emitidas chamadas de socorro, nem houve testemunhas.

O último paradeiro e a causa do naufrágio eram um mistério desde então. Pelo menos 13 buscas privadas e financiadas pelo governo foram realizadas. A 13ª tentativa finalmente resultou no encontro, como o Sydney Morning Herald noticia.

Varreduras de rádio mostram a silhueta do HMAS AE1, encontrado na costa da Nova Bretanha, ilha na Papua-Nova Guiné. (Imagem: Australian Department of Defense via AP)

O submarino perdido foi descoberto nesta quarta-feira (20), pela Marinha Australiana e a empresa de pesquisa alemã Fugro N.V., perto das Ilhas do Duque de Iorque. O submarino de 55 metros de comprimento foi encontrado praticamente 300 metros abaixo do nível do mar. Essa última busca começou na semana passada e o encontrou rapidamente. Uma combinação de varreduras por rádio e inspeções aproximadas de um veículo submersível confirmou a identidade do naufrágio.

“A embarcação e sua tripulação, que estiveram em patrulha eterna desde 1914 […] agora foram encontrados”, disse a Ministra da Defesa da Austrália, Marise Payne, em um comunicado. “Eu acredito veementemente que essa descoberta trará paz à mente dos descendentes dos familiares da tripulação que perdeu suas vidas a bordo, e talvez num momento em que seja possível descobrir o que causou o naufrágio”, adicionar que “foi uma tragédia significativa sentida pela nação e pelos aliados”.

O AE1, junto com o AE2, foram dois submarinos de classe-E – os primeiros desse tipo para a Grã-Bretanha e Austrália. De acordo com a Marinha Australiana, eles conseguiam mergulhar a 30,5 metros de profundidade e viajar a uma velocidade máxima de 28 km/h. Em termos de armamento, os submarinos classe-E foram equipados com quatro tubos de torpedos de 18 polegadas, que estavam posicionados na frente, traseira e nas borda do navio.

Peixes nadam ao redor do leme do submarino que afundou. (Australian Department of Defense via AP)

Juntamente com a Força Expedicionária Naval e Militar Australiana, o AE1 fazia parte de uma operação para capturar a Nova Guiné ocupada pela Alemanha. Comandado pelo Tenente-Comandante Thomas Besant da Marinha Real, o submarino participou de ações que levaram à captura da Nova Guiné.

Como observou Payne, o motivo do naufrágio ainda é desconhecido. É bem improvável que o submarino tenha afundado a partir de ações de inimigos, já que o navio alemão mais próximo na época era um navio de observação. Além disso, como nenhum rastro de óleo, naufrágio ou corpos foram encontrados, assumiu-se que o submarino afundou intacto – uma suposição que se mostrou correta. As varreduras de rádio e as imagens capturadas por um submersível mostram um submarino bem preservado.

Falando ao The Australian, o contra-almirante aposentado Peter Briggs disse que o naufrágio provavelmente aconteceu como resultado de um acidente de mergulho, dizendo: “O submarino parece ter atingido a parte inferior com uma força suficiente para desalojar o estabilizador de sua base, forçando a dobradiça para a frente no seu bordo de ataque, resultando em um impacto na carcaça”.

A localização exata do AE1 está sendo mantida em segredo para evitar invasões indesejadas. Juntamente com o governo de Papua Nova Guiné, a Austrália está planejando um plano para preservar o local e criar uma comemoração duradoura e significativa.

[ABC News, Associated Press, SMH, The Australian]

Imagem do topo: A última foto do HMS AE1. (Créditos: Australian Navy)