O Mobile World Congress é um lugar legal para você saber o que vai ser tendência no mundo da telefonia durante o ano. Todas as grandes marcas (e um monte de desconhecidas) estão aqui mostrando aparelhos com o ápice da tecnologia, que às vezes demorarão meses para chegar ao mercado. São muitos, muitos telefones e alguns tablets. Nós colocamos a mão em todos os que conseguimos e, em vez de fazer um post pra cada novo dual core XX com tela YY vamos logo aos destaques da feira, o que — acreditamos — você ainda vai ouvir falar bastante em 2012. E você nunca viu uma premiação com categorias tão incomuns quanto essa. Vem comigo.

Prêmio Lionel Messi para destaque indiscutível em Barcelona mas que ainda precisa ganhar uma Copa para mostrar que será uma lenda eterna

Foi de longe o lançamento que mais atraiu a atenção da imprensa e do público, e não à toa. “Eles colocaram um sensor gigante de 41 MP em um celular! IMPOSSIBRU!” Mas foi isso mesmo. Eu mesmo estava cético na coletiva, mas depois de passar bem mais tempo com o aparelho em mãos (finalmente), vendo algumas amostras, lendo o white paper e conversando com fotógrafos, eu sou quase um convertido. O Pure View trouxe, de longe, a tecnologia mais revolucionária para os smartphones e você conseguia ver o orgulho na cara dos finlandeses com quem eu conversei. Hoje eu tive uma longa conversa exclusiva com o Damin Dinning, o chefe de tecnologia de imagem da Nokia e tirei basicamente todas as dúvidas que tinha — um post bastante detalhado virá, fiquem calmos. Mais do que uma câmera bastante interessante e incrivelmente rápida o Pure View é uma filmadora absolutamente incrível, que deve rivalizar (e em muitos quesitos, ganhar) das melhores câmeras compactas. É difícil chamar o Nokia 808 Pure View de “melhor smartphone do MWC 2012”, porque ele tem o Symbian em seu sabor Belle como sistema operacional, que apesar de bem mais bonito e descomplicado que outras versões, ainda não é tão responsivo, bonito ou cheio de aplicativos quanto a concorrência. Sabemos que a Nokia levará a tecnologia do Pure View para seus Windows Phones em algum momento, mas pelas conversas que tive não creio que será tão em breve. Ainda assim, a ideia de colocar um mega-sensor num celular e tirar imagens com 38 MP, selecionar os pixels certos para fazer uma imagem mais nítida e sem aberrações é genial. Mesmo que você não esteja ligando para a Nokia ou o Pure View especificamente, agradeça a essa inovação, que provavelmente será adaptada na concorrência. Ele começa a chegar no mercado em maio, por 480 Euros na Europa.

 

Prêmio Kit-Kat para “você não é exatamente novidade mas nossa, quando chegar ao Brasil vai ser a coisa mais gostosa do mercado!”

ASUS Transformer Prime 1 1

O Lumia 800 (ou o quase gêmeo 900) continua sendo o melhor Windows Phone e o Transformer Prime continuará sendo o melhor tablet com Android pelos próximos meses. Concorrentes foram apresentados, mas se você se interessa por qualquer uma das plataformas, saiba que eles continuam no topo. Até porque o potencial de ambos ainda não havia sido totalmente explorado. A Nokia apresentou aqui bons apps exclusivos para sua linha de WPs e o Transformer Prime ganhou a promessa de jogos otimizados pela Nvidia para tomar partido de seu processador quad-core. Ambos chegarão no Brasil nas próximas semanas.

Prêmio Dick Deckar de melhor Android

HTC One X
O Huawei Ascend D Quad pode ter números enormes, mas o HTC One X, além de processador, tela e tudo que você espera, tem uma câmera bem incrível e pequenas modificações no software que fazem a experiência ser bem interessante. A família One virá ao Brasil aparentemente com exclusividade da Vivo, ainda sem preço ou data definidos.

Prêmio Tiranossauro Rex para melhor telefone que cabe na minha mão e não me chame de mocinha, ok?


Xperia p black2

O Sony Xperia P tem apenas 4 polegadas e dois núcleos, mas faz várias coisas direito. A tela, bastante bonita com resolução qHD e cheia de contraste, tem uma tecnologia que aumenta bastante o brilho quando é necessário e tem mais fidelidade nas cores. Ele é leve mas não anoréxico (120 g e 1 cm), tem um material meio emborrachado, resistente, uma câmera que tirou ótimas fotos de 8 MP e essa parte de baixo em acrílico translúcido que fica colorida dependendo do que está na tela (como a ambilight da Philips) e esconde os botões capacitivos. É dos poucos smartphones que temos data e preço no Brasil: custará R$ 1.400, desbloqueado, em julho. Não me espantaria se ele chegasse por menos.

Prêmio Escort Girl de luxo para “eu tenho coisas sensacionais embaixo do capô mas não vou mostrar enquanto aquele senhor rico não me der dinheiro”

A grande novidade do estande da Motorola era o Xoom 2 Media Edition, que chegou ao Brasil no início de dezembro. É isso.

 

Prêmio “meu país tem 35 exércitos vermelhos e eu costumo tirar 6 no dado” para planos de dominação mundial que podem dar certo


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Os aparelhos que a Huawei colocou no mercado até hoje são no máximo decentes, mas o que ela mostrou aqui em Barcelona pode credenciá-la a brigar com as grandes no mundo do Android. O Huawei Ascend D é no papel a coisa mais impressionante já vista em smartphones, e na mão pareceu muito bom também, com tela excelente e velocidade de sobra. O bom é que a Huawei aposta na experiência pura do sistema do Google (foi a primeira a ter um aparelho atualizado para o ICS!) e esperamos que eles vejam o Brasil com mais carinho.

Prêmio melhor smartphone com Bada

No estande da Samsung havia um cantinho para o Wave 3, o último smartphone com Bada. A bem da verdade ele foi lançado em agosto, mas parecia novidade pra quase todo mundo que passou ali. Eu fiquei com dó dele. Tó um prêmio pra você, Wave.

 

Prêmio cidade de Brasília para “parecia uma excelente ideia no papel mas na realidade precisávamos pensar melhor em alguns detalhes antes de construir”


Apesar de ter lançado 437 modelos, a Samsung está indo mal no mercado de tablets, como os próprios executivos admitiram esta semana. Como eu disse há um ano, há duas possibilidades para um tablet com Android ser efetivamente bem sucedido: ser muito barato (Galaxy Fire!) ou atender a um nicho. O Galaxy Note 10.1 parece entender muito bem a segunda premissa, e foi vendido aqui como o tablet ideal para designers. Ele é basicamente uma mesa digitalizadora que você pode levar pra qualquer lugar, com canetinha esperta e suite de aplicativos para acompanhar. Em resumo, um Note 5.0 mas que faz mais sentido. Infelizmente ele não vem com o hardware mais atualizado e nos meus testes ele deu algumas boas engasgadas. Mas se os coreanos melhorarem um pouco a execução do conceito o Note 10.1 pode ser o melhor tablet a vir da Samsung. Até o inevitável lançamento do Note 10.1 daqui a 4 meses, pelo menos.

 

Prêmio Especial Romário na Copa de 1998 para ausência mais notada

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O Pure View foi o aparelho mais falado de Barcelona, mas os outros dois grandes protagonistas que estavam na boca de todo mundo não apareceram nos corredores do MWC 2012. O Android mais falado foi o Samsung Galaxy S III. A conversa era sempre “Ah, esse XXX é legal. Mas será que vai ser melhor que o Galaxy S III?” Em termos de tablets, a coisa foi parecida. Todo tablet era comparado às especificações que não sabemos (mas desconfiamos) do rei da categoria. A Apple ainda teve a crueldade de soltar o convite para o lançamento do iPad 3 no momento que Eric Schmidt do Google pisou no palco aqui em Barcelona. É difícil fazer uma comparação com algo que já vimos, mas como apareceram coisas boas, mas não impressionantes, por aqui, o Galaxy S III e o iPad 3 saíram, de uma maneira bizarra, como vencedores.

E é isso — fiquem à vontade para reclamar nos comentários. Como todas as premiações, a nossa tem várias injustiças, e é absurdo que tenhamos esquecido do ________. Mas hey, pelo menos não premiamos um celular que só fica no mute, como a Academia este ano. Quais foram os seus destaques?