Você provavelmente está a par que o animal mais durão da natureza é, sem dúvidas, o pequeno tardígrado, conhecido também como urso-d’água. Eles podem ser pequenos, mas conseguem viver sem água, suportar temperaturas que vão de -200 graus a 151 graus Celsius e sobrevivem até mesmo nas profundezas do espaço. Como a evolução fez uma criatura tão estranha e quais são seus parentes?

• Os tardígrados serão os últimos sobreviventes na Terra, segundo nova pesquisa
• O tardígrado é um organismo indestrutível que tem um genoma bem estranho

A resposta ainda é: ¯\_(ツ)_/¯

Uma equipe de cientistas do Reino Unido e Japão sequenciaram um genoma de uma espécie do tardígrado e o comparou com o de outra espécie para tentar descobrir alguns segredos sobre o animal, incluindo a base genética de suas habilidades de sobrevivência. Mas, no que diz respeito a um parente evolutivo mais próximo, os dados ainda não são conclusivos.

A durabilidade do tardígrado está em sua habilidade de soltar toda a sua água e se enrolar como se fosse um “tonel”. Perder água das células deveria ser um processo letal, mas existe uma série de moléculas nas células do tardígrado que parecem impedir a morte celular, de acordo com pesquisas anteriores publicadas na PLoS One. O artigo também relata que determinados nematódeos e artrópodes aparentemente conseguem ficar sem água, também.

Outros artigos encontraram dificuldade para determinar a partir de quais animais os tardígrados podem ter evoluído e a base biológica de seus superpoderes, mas identificaram certos genes responsáveis por isso, de acordo com o novo estudo publicado na PLoS Biology. Eles também implicaram que grande parte do genoma do urso-d’água, possivelmente um sexto do genoma, veio da transferência horizontal de genes, material genético vindo de outros animais, inclusive aqueles de outras espécies.

Essa equipe reuniu o genoma das espécies do tardígrado Hypsibius dujardini, de cerca de 900 mil indivíduos, e o comparou com o genoma existente do Ramazzottius varieornatus para ver o que conseguia descobrir.

Além das diferenças nos tamanhos do genoma (o do H. dujardini era muito maior), eles encontraram informações adicionais sobre os genes que controlam as proteínas que protegem as células do tardígrado, de acordo com a New Scientist. Ademais, a quantidade de transferência horizontal de genes pareceu muito menor do que os estudos anteriores sugeriram, cerca de apenas 1% do genoma. Isso pode ser um grande fator de confusão sobre sua história evolutiva.

Apesar de todo o trabalho, os cientistas ainda não conseguem realmente saber se o urso-d’água está mais intimamente relacionado com os nemátodos ou com artrópodes, como insetos e crustáceos.

“Mesmo dois genomas completos de dois tardígrados, que os autores relatam aqui, não foram suficiente para decidir se eles estão mais próximos dos artrópodes ou dos nemátodos”, disse por email ao The Scientist o biólogo Thorsten Burmester, da Universidade de Hamburgo, na Alemanha. Ele não esteve envolvido no estudo.

É claro, esse é um único artigo de uma história ainda em curso, então mais pesquisas naturalmente jogarão luz sobre aquilo que está acontecendo.

A ciência perdeu mais um round contra o aparentemente incansável urso-d’água. O tardígrado se recusa a ser totalmente compreendido.

[PLoS Biology]

Imagem do topo por: Kazuharu Arakawa e Hiroki Higashiyama, plano de fundo editado por Ryan F. Mandelbaum