A maior parte dos smartphones deste trimestre já foi anunciada, e percebemos algo curioso. O LG G6 e o Samsung Galaxy S8 chegaram com telas enormes e proporção maior do que o 16:9 que estamos acostumados a ver nos nossos celulares, televisores e monitores. Esses aparelhos têm a proporção mais larga que já vimos em dispositivos móveis. Esse é o futuro dos nossos smartphones ou outro modismo (como os dispositivos modulares)?

Neste artigo, iremos discutir os prós e contras das diferentes proporções de tela e explicar o porquê do 18:9 ser a próxima tendência.

O que é proporção de tela e por que você deveria se importar

samsung-galaxy-tab-s3O Galaxy Tab S3 de proporção 3:2. (Imagem: Alex Cranz/Gizmodo)

A proporção de tela é a relação entre a altura e largura de um display retangular. Seu notebook tem uma, seu tablet e seu smartphone também – é uma medida do quão alta ou larga uma tela é.

Geralmente, você vê essa medida por meio de uma relação, como a relação 4:3 em TVs mais antigas, ou a relação widescreen 16:9 nos modelos mais novos. De vez em quando, a proporção também é escrita em decimais, com o número maior dividido pelo menor (4:3 é 1,33 e 16:9 é 1,78), mas isso não é muito comum. Esses números não te dizem sobre o tamanho de uma tela, apenas sobre a relação de proporção entre a altura e largura. Então, numa tela 16:9, sempre existirão 16 pixels numa direção para cada 9 pixels na outra.

Isso faz uma grande diferença na experiência de uso. Você já deve ter reparado nisso se já tentou assistir a um filme no formato widescreen em uma TV antiga: a tela parece ficar menor já que aparecem duas barras enormes nos cantos da tela.

lg-g6LG G6 com tela 18:9. (Imagem: Michael Nunez/Gizmodo)

Para qualquer dispositivo, desde uma televisão até a um smartphone, a proporção é dada por aquilo que está sendo exibido: para a maioria dos aparelhos, é o conteúdo de vídeo, e, por esse motivo, os displays widescreen se tornaram o padrão da indústria.

Mas para muitos notebooks e tablets, aplicativos e páginas da web precisam ser levados em consideração. No modo retrato, você conversa com uma tela que é mais alta, e no modo paisagem você tem algo ainda mais largo.

LG e Samsung deram a largada, e esse será um ano interessante para quem gosta de ficar de olho em smartphones e proporções de tela (ou nos dois). Se algum tipo de mudança substancial acontecer – se a tela 18:9 do G6 ou a 18.5:9 do Galaxy S8 ditarem a tendência do mercado, os desenvolvedores de sistemas operacionais precisarão realizar alguns ajustes.

Uma breve história da proporção de tela dos smartphones

iphonesImagem: Brian Barrett/Gizmodo

O lançamento do primeiro iPhone é um bom ponto de início quando se trata de abordar a história dos smartphones, e esse dispositivo em particular chegou com uma resolução de tela de apenas 480 x 320 pixels – o que representa uma proporção de 3:2, dificilmente encontrada nos telefones atuais, mas que aparece em dispositivos como o Samsung Chromebook Pro e Microsoft Surface Pro 4.

Até mesmo quando a Apple aumentou a resolução do iPhone, a proporção se manteve. O cenário só mudou quando o iPhone 5 chegou em 2012, com resolução de 1136 x 640 pixels em 16:9, atendendo as necessidades dos aficionados por filmes e jogos. Os últimos modelos do iPhone possuem ainda mais pixels, porém, a mesma proporção 16:9.

Fora da Apple, essa trajetória é mais difícil de se acompanhar, mas ela segue um modelo similar. Não é surpresa saber que a Samsung adotou o 16:9 no mesmo ano que a Apple o fez, com o Galaxy S III (na época que a empresa ainda utilizava números romanos). Enquanto isso, a linha Nexus alternou para o widescreen em 2011, com o Galaxy Nexus fabricado pela Samsung, depois de dois modelos no padrão 1.66:1.

galaxy-3O primeiro aparelho 16:9 da Samsung. (Imagem: Brent Rose/Gizmodo)

Foram muitos celulares lançados desde 2007, mas a tendência geral foi seguir na direção do widescreen, com a proporção 16:9 desde a virada da década, primeiro com a resolução de 1920 x 1080 pixels (Full HD), depois com 2560 x 1440 pixels (Quad HD).

Pelo menos parte do motivo dessa tendência foi o vídeo: enquanto a TV e o cinema já usavam os formatos widescreen por décadas, foi apenas na virada dos anos 2010 que começamos a ver esse tipo de conteúdo nos nossos celulares (o YouTube se tornou widescreen em 2009), então o formato 16:9 fazia sentido.

O próximo passo lógico seria seguir os padrões da TV com o surgimento do 4K – e a mesma proporção 16:9 –, mas essas coisas não são tão rígidas assim. Os formatos do cinema e da televisão podem estar à beira de outra mudança radical, e isso pode significar que o formato 18:9 será o futuro dos nossos smartphones.

O LG G6 e os aparelhos compridos

lgg6Imagem: Michael Nunez/Gizmodo

A LG começou 2017 com o lançamento do LG G6 com proporção 18:9 e resolução de 2880 x 1440 pixels, e o Galaxy S8 foi anunciado na semana passada com uma tela um pouquinho mais alta de 18.5:9 e 2960 x 1440 pixels. Além das bordas estarem praticamente desaparecendo, o que está havendo?

Parte do pensamento, como a LG explicou abertamente, tem a ver com o formato Univisium 2:1 proposto pelo cineasta italiano Vittorio Storaro. Ele ainda não foi aceito amplamente, mas foi desenhado para encontrar um equilíbrio entre a proporção da televisão (geralmente 16:9) e das salas de cinema (tipicamente mais largas, 2.20:1). Essa solução foi sugerida em 1998, mas o Univisium está começando a ter atenção agora – séries da Amazon Video e do Netflix já foram filmadas utilizando essa proporção (ou algo muito próximo dela).

Tudo isso tem a ver com conteúdo audiovisual, mas a nova proporção também faz mais sentido para o multitarefa em telas maiores. Com um aspecto 18:9, você coloca um aplicativo em cima do outro no modo retrato, ou os utiliza lado a lado no modo paisagem. Dá para ver mais coisas nas páginas web e em aplicativos de scrolling infinito, onde o conteúdo não para nunca, como Twitter e Tumblr.

stranger-thingsStranger Things foi filmado na nova proporção 18:9. (Imagem: Netflix)

Neste momento, é muito cedo para dizer que o 18:9 vai decolar, mas se a LG e Samsung se comprometerem a esse padrão, existe uma grande chance de ele se formar no mercado. Fazer a indústria do entretenimento realizar essa transição demanda um processo longo, mas os formatos existentes de vídeo ainda ficam bons nessas novas telas.

Como apontamos no nosso review do LG G6, a altura extra (ou a largura extra, dependendo de como você segura o aparelho), é algo que se acostuma rápido. A LG foi bem inteligente na maneira como usou o espaço extra: um exemplo disso é a exibição das suas últimas fotos do lado do obturador no aplicativo da câmera.

Com duas fortes fabricantes se inclinando na direção do novo formato, existe uma grande chance de que o 18:9 seja, de fato, a nova tendência nas telas de smartphones – principalmente em dispositivos Android. Mas a Apple e o Google ainda precisam anunciar seus aparelhos nos próximos meses. O que significa que os smartphones com essas telas compridas podem ser apenas outro modismo.

Imagem do topo: Google Pixel com tela de 16:9 (em cima) do lado do LG G6 com display 18:9. Alex Cranz/Gizmodo