Talvez você já tenha visto as imagens incríveis do Telescópio de Rádio Esférico de Abertura de Quinhentos Metros, ou FAST, um telescópio enorme na província de Guizhou, na China, que foi ligado no ano passado. Você talvez também tenha ouvido que, sim, muitos esperam que ele encontre sinais de vida alienígena. E ele já está começando a fazer descobertas.

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A agência de notícias chinesa Xinhua relata que o telescópio de meia-cúpula do tamanho de 30 campos de futebol encontrou dezenas de candidatos a pulsares, vários dos quais foram confirmados pelo telescópio Parkes, na Austrália. Existem várias razões pelas quais os pulsares são legais: eles estão constantemente piscando como faróis distantes, o que os torna ferramentas astronômicas úteis para medir distâncias, por exemplo.

Além disso, talvez os alienígenas tenham construído megaestruturas em torno deles. Brincadeira, estou só especulando aqui.

Os pulsares são estrelas de nêutrons ou anãs brancas, cadáveres de estrelas densas que giram rapidamente e parecem estar piscando quando vistas a partir de nosso ponto de vantagem na Terra. Isso porque eles enviam feixes colimados para fora como faróis. Mas todos os pulsares que os cientistas conseguiram encontrar até agora estavam dentro dos limites da Via Láctea.

Conforme noticia a Xinhua, dois dos pulsares estão a 16 mil anos-luz e 4.100 anos-luz de distância, chamados J1859-01 e J1931-01, respectivamente, ambos ainda na Via Láctea. Mas o comunicado de imprensa prossegue e afirma que o FAST pode ser capaz de buscar por pulsares extragalácticos até o ano que vem.

Isso seria bem importante. “Pulsares são úteis para estudar o material ionizado em nossa galáxia, seus pulsos de rádio viajam pelo meio interestelar e nos permitem medir suas propriedades”, disse Emily Petroff, especialista em pulsares do Instituto Holandês de Radioastronomia, em entrevista ao Gizmodo. “Então, ter um pulsar em outra galáxia seria uma ferramenta superpoderosa para sondar o meio interestelar (e intergaláctico) entre nós e outra galáxia. Isso nunca foi feito antes.”

Mas mesmo explorar pulsares em nossa própria galáxia já é empolgante. A maioria dos outros telescópios é muito fraca para detectá-los, disse Petroff, mas provavelmente existem vários por aí que os astrônomos ainda não encontraram. Talvez o FAST possa ajudar.

O FAST já teve sua parcela de controvérsia no passado. O New York Times noticiou em 2016 que a China planejava retirar mais de nove mil moradores da área bastante pobre para reduzir o potencial de radiação adicional que entupia o sinal do telescópio. Agora, ele tem um problema com turistas. E, é claro, essa não é a primeira vez que um grande experimento científico causou confusão em uma comunidade local, com outros protestando contra o início da construção do Thirty Meter Telescope acima do vulcão Mauna Kea, no Havaí.

Esse é só o começo para o FAST, e certamente ele ainda vai publicar muito mais resultados empolgantes. Afinal, ele é o radiotelescópio mais sensível do mundo, disse Petroff.

Quanto aos alienígenas, vamos ter que esperar para ver mesmo.

[Xinhua via Newsweek]