De acordo com alguns “historiadores” citados pelo The Daily Mail, você está olhando para a tumba de Vlad III, Príncipe da Valáquia conhecido como Vlad, o Empalador ou, mais comumente, como Drácula. Sim, aquele Drácula. A tumba fica em Santa Maria la Nova, em Nápoles, na Itália. E eles querem abri-la. Parece um excelente roteiro para um filme de terror, não? Será que eles encontrariam Drácula descansando dentro desse túmulo lindamente esculpido?

Os estudiosos da Estônia que a matéria do Daily Mail cita afirmam que “novas evidências” mostram que Drácula não morreu numa batalha entre outubro e dezembro de 1476, como se acreditava anteriormente. A maioria dos historiadores acredita que Drácula foi morto numa estrada entre Bucareste e Giurgiu, na Romênia, durante uma ofensiva que visava a reconquistar a Valáquia de Basarab Laiota. Vários historiadores romenos acreditam que Laiota teria decapitado Drácula e enterrado o corpo sem cerimônias, depois de enviar a cabeça para Constantinopla como um troféu.

SAIBA MAIS: O castelo de Drácula está à venda na Romênia

Teorias posteriores especularam que o corpo do cruel Empalador, que serviu como inspiração para que Bram Stoker criasse seu livro sobre vampiros, foi enterrado perto de Bucareste, na ilha do mosteiro de Snagov. Mas grande parte dos estudiosos acha que o corpo está em Comana — um mosteiro construído pelo próprio Vlad III que foi demolido cerca de um século depois da morte do príncipe.

A teoria da conexão com a Itália

Mas agora esses pesquisadores citados pelo Mail alegam que as coisas não foram bem assim. Eles acreditam que Drácula foi feito prisioneiro. Sua filha Maria — que os pesquisadores dizem ter sido enviada para Nápoles antes que os conflitos começassem e que teria se casado com um nobre napolitano — pagou um resgate e Drácula teria vivido seus últimos dias na Itália (bebendo o sangue de virgens italianas, sem dúvida). Quando ele morreu, afirmam o spesquisadores, foi enterrado nessa igreja, que mais tarde também foi o local de descanso de sua filha e seu genro.

O pesquisador Raffaello Glinni, que se auto-denomina estudioso de História Medieval, acredita que os pesquisadores estonianos podem estar no caminho certo. Ele afirma que a tumba claramente mostra os símbolos da Casa de Drăculești e não os de um nobre italiano:

Quando você olha para esculturas em baixo-relevo, o simbolismo é óbvio. O Dragão significa Drácula e as duas esfinges opostas representam a cidade de Tebas, também conhecida como Tepes. Através desses símbolos, o que está representado ali é nada menos que o nome do conde Drácula Tepes.

Para quem não conhece a história romena ou as lendas de vampiros, Drácula significa “filho de Dracul”. O pai de Vlad III era Vlad II Dracul. Dracul significa dragão, um nome que o pai de Vlad tomou para si porque ele era um membro da Ordem do Dragão — “uma ordem de cavalaria que reunia um grupo seleto de nobres, fundada em 1408 por Sigisimundo, Rei da Hungria e mais tarde Sagrado Imperador Romano. Essa ordem foi criada depois das ordens militares das Cruzadas, e exigia que seus iniciados defendessem a cruz e lutassem contra os inimigos do Cristianismo, em particular os turcos-otomanos”.

Então esse é mesmo o túmulo de Drácula?

A ideia de descobrir o túmulo de Vlad III numa igreja em Nápoles é sensacional — parece o início de um filme que traria uma colaboração entre Indiana Jones e Van Helsing. Mas também é tão crível quanto os personagens de Spielberg e Stocker, como o BS Historian explica nesse post:

É certo que o dragão era o principal elemento no emblema da Ordem do Dragão, a qual o pai de Vlad III pertencia. Nós não sabemos como era a armadura pessoal de Vlad III, mas ele provavelmente usava o mesmo emblema. Mas o dragão da tumba está enrolado  de si mesmo, com o rabo em torno do próprio pescoço. O emblema da Ordem do Dragão variava, mas nenhuma das representações de seus dragões assemelha-se a essa da escultura italiana. A conexão Tebas/Tepes parece ser inteiramente espúria; não consigo encontrar nada sobre ela. As esfinges são apenas convenções artísticas na arte europeia. Tebas é uma palavra grega, enquanto Tepes é uma expressão turca para “empalador”. Onde estás conexão? E por que alguém se preocuparia em “codificar” uma referência a um membro da família Dracul? Se eles quisessem que as pessoas soubessem que ele estava enterrado ali, as referências seriam claras. Se quisessem que ele fosse esquecido, não haveria um dragão em sua tumba. Seria bem complicado construir uma tumba monumental, com efígie, para alguém que você quer manter anônimo. Mas se a filha de Vlad estava entre amigos em Nápoles, com a conexão com a Ordem do Dragão, por que eles usariam um dragão genérico e não um símbolo apropriado? É mesmo um túmulo anônimo? Eu acho difícil acreditar que uma tumba esplêndida e monumental como aquela não tenha sido registrada como sendo a de um nobre italiano conhecido.

Ele também fala de Glinni, o “estudioso de história medieval”:

Anunciado como um “estudioso de História Medieval”, Glinni é na verdade um advogado. Seu nome me levou até este site, que tem poucas informações, mas vence lindamente no Bingo da História da Conspiração. Cavaleiros Templários? Estão lá. Maçonaria? Checado. Da Vinci? Certo. Teorias sobre vórtices mágicos não específicos? Aqui a coisa começa a piorar. Na verdade, ele procura por “história secreta” para endossar a arqueologia especulativa.

A coisa toda até faz algum sentido, mas infelizmente não é verdade. E eu até queria que fosse real. Abrir o túmulo de Drácula, gente, desse cara aqui:

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Aposto que ele ia acabar renascendo e sair por aí empalando todos os envolvidos com Crepúsculo.