O Uber lançou uma categoria dedicada à região sul de São Paulo: ela aparece apenas quando o usuário está em certos bairros da área, oferecendo 15% de desconto em relação ao UberX, categoria mais barata do app, nos horários de pico (das 6h às 10h e das 16h às 21h).

A categoria especial é dedicada aos bairros de Parelheiros, Capela do Socorro, Grajaú e Campo Limpo. Ao Estadão, Fábio Sabba, diretor de comunicação do Uber, explica que a função ainda está em fase beta, mas pode se estender a outros bairros de periferia.

“A ideia surgiu a partir de um motorista”, diz Sabba. “Depois que passou a ponte, ele resolveu ligar o aplicativo para ver o que acontecia”. E foi aí que ele se surpreendeu com o número de pedidos de transporte pelo aplicativo.

A categoria extra quer atrair quem precisa de apenas um trecho para completar uma viagem — pessoas que estão na estação de metrô e precisam pegar um ônibus, ou até mesmo andar por curtas distâncias para chegar ao destino final, por exemplo.

Um motorista colaborador do app, Nelson Bazolli, disse ao Estadão que não encontrou concorrência na periferia. “Nem encontro taxistas”, diz. Bazolli também afirma que é seguro atender estas regiões, uma vez que o pagamento é apenas feito por cartão de crédito, cujos dados estão armazenados na rede do Uber — ou seja, não há contato com dinheiro. O motorista faz cerca de 17 viagens por dia, e também é comum atender pessoas saindo de supermercados com as compras.

Em julho, Natalício Bezerra, presidente do Sindicato dos Taxistas Autônomos de SP (Sinditaxi), afirmou em entrevista à TV Folha, que pobre não usa táxi. “Pobre tem que se conformar que ele é pobre. Ele só toma [táxi] quando a mulher vai dar a luz, ou ele quebrou a perna… O pobre não vai querer ter o que o rico tem”, disse. O Uber se aproveita da falta de taxistas no local para conquistar um público que, até então, era avaliado como inexistente nas regiões periféricas, como afirmou Bezerra.

A Folha também mostrou em agosto que a espera por carros do Uber era menor que a espera por táxis na periferia. Os usuários começaram a dar preferência ao aplicativo de transporte pois, além da espera menor, os motoristas colaboradores eram mais atenciosos e educados que os taxistas. Na época, o Uber já estudava criar uma categoria específica para regiões mais pobres.

Regulamentação

Os vereadores de São Paulo votaram duas vezes em um projeto de lei que proíbe o Uber na cidade — apenas três vereadores foram contra a proibição. O projeto está agora nas mãos do prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, que precisar sancionar a lei ou vetá-la. Ele afirmou que o aplicativo será regulamentado na cidade — ainda não se sabe quais serão os parâmetros legais aplicados ao app, sabe-se apenas que isso acontecerá agora em outubro. [Estadão/Exame, Folha]

Foto por Jeff Chiu/AP