As coisas parecem estar melhorando na unidade de carros autônomos do Uber. A empresa acabou de fechar um acordo com a Volvo para a compra de 24 mil unidades do SUV XC90, a serem entregues entre 2019 e 2021. O Uber então planeja acrescentar sua própria tecnologia sem motoristas, lançando uma frota de táxi-robôs no mundo. Ela seria a primeira de seu tipo.

A notícia do acordo e da contínua ambição do Uber de liderar o caminho dos carros autônomos vem com várias ressalvas. Uma das pequenas é que os preços de varejo do XC90, nos Estados Unidos, começam em US$ 45.750, o que significa que esse acordo poderia custar ao Uber um bilhão de dólares. O que é um bom dinheiro para uma empresa que, notoriamente, perde dinheiro muito rapidamente.

O maior problema é a ação judicial em andamento da empresa com a Waymo, unidade de carros autônomos da empresa-mãe do Google, a Alphabet. A Waymo acusou o Uber de roubar informações confidenciais sobre sua tecnologia de auto-condução quando a empresa comprou a empresa de caminhões autônomos Otto e contratou seu famoso engenheiro Anthony Levandowski, cofundador da operação de carros autônomos do Google.

O julgamento acontece no próximo mês, e as coisas não parecem bem para o Uber. Um relatório recentemente revelado mostra que Levandowski começou a se encontrar com o Uber seis meses antes de deixar o Google e que ele então destruiu cinco discos rígidos que continham dados de propriedade do Google, depois de o Uber lhe dizer que não trouxesse nenhum segredo comercial de seu antigo emprego. O Uber demitiu Levandowski no começo deste ano, alegando que o engenheiro de 37 anos havia recusado participar de uma investigação interna da companhia. O CEO do Uber, Travis Kalanick, entregou o cargo um mês depois, depois de uma série de escândalos envolvendo assédio sexual e discriminação. Depois de todo esse barulho, Levandowski fundou uma religião chamada “Caminho do Futuro”, que foca “na realização, aceitação e adoração de uma divindade baseada na inteligência artificial”. O que é algo estranho de se fazer.

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Mas a ação judicial da Waymo é apenas o problema mais imediato que o Uber enfrenta em sua tentativa de ser o primeiro serviço de viagens compartilhadas a ter sua própria frota de carros autônomos. Nos últimos meses, várias reportagens catalogaram disputas internas e dificuldades tecnológicas dentro da unidade de carros autônomos da empresa, conhecida como Advanced Technology Group (ATG). O Uber chamou bastante atenção um ano atrás quando escolheu Pittsburgh como sede da ATG e chamou vários professores proeminentes da Universidade Carnegie Mellon para desenvolver sua tecnologia de auto-condução. Levou apenas um ano para a empresa afugentar vários desses engenheiros — com alguns deles começando suas próprias empresas concorrentes de carros autônomos — e alienar a cidade de Pittsburgh ao não produzir os empregos e dar suporte a esforços de arrecadação de fundos, entre outras coisas. O controlador-geral da cidade, Michael Lamb, chamou a parceria com o Uber de “oportunidade perdida“, em maio.

Ainda assim, os engenheiros do Uber em Pittsburgh seguem em frente. A equipe está, lentamente, confrontando o problema bastante difícil de aperfeiçoar a tecnologia de auto-condução e escalá-la para que funcione em toda uma frota. Agora que a empresa, de fato, assinou um acordo por uma frota, a ATG está sob pressão para descobrir como fazer tudo em alguns poucos anos, e não décadas. Isso, é claro, presumindo que o novo CEO do Uber, Dara Khosrowshahi, possa um dia redirecionar a empresa para fora de seu caminho de hábitos escandalosos e de desperdício de dinheiro. E também presumindo que o veredito no caso da Waymo não leve a contratempos sérios para o Uber na corrida pelos táxis autônomos. Corrida essa que a empresa precisa vencer, dizem alguns, para continuar tendo um futuro pela frente.

Então, bom, parabéns ao Uber por comprar todos esses Volvos. Se a unidade de carros autônomos não der certo, pelo menos o valor de revenda tende a ser bem alto com essas seguras máquinas suecas.

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